A alegre canção dos oitenta que todos cantam e que foi inspirada em guerra e opressão
Por Bruce William
Postado em 30 de agosto de 2023
"Everybody Wants to Rule the World" é uma música da banda de pop rock britânica Tears for Fears. Foi escrita por Roland Orzabal, Ian Stanley e Chris Hughes, tendo sido lançada em 22 de março de 1985 como terceiro single do segundo álbum da banda, chamado "Songs from the Big Chair".

Em uma entrevista à revista Mix, o produtor da banda, Chris Hughes, contou que eles passaram meses trabalhando na música "Shout" e, perto do final das sessões, Roland Orzabal entrou no estúdio e tocou dois acordes simples em seu violão, que se tornaram a base da canção. Disse Hughes: "'Everybody Wants to Rule the World' surgiu de forma muito simples e foi gravada tão rapidamente, sem esforço algum, na verdade".
A música do The Clash de onde saiu o título de "Everybody Wants to Rule the World" do Tears for Fears
"Everybody Wants to Rule the World" aparece em uma frase da música "Charlie Don't Surf" da banda Clash, lançada em 1980. Trata-se de uma linha de diálogo dita pelo personagem Coronel Kilgore no filme "Apocalypse Now" de 1979. Sua frase mais famosa do filme - "Eu adoro o cheiro de napalm de manhã" - talvez também tenha inspirado a parte onde se diz "Charlie's gonna be a napalm star." A letra adota a perspectiva de um soldado vietcongue, instruído a "manter os estranhos afastados", e apresenta uma visão crítica à política imperialista dos Estados Unidos na Ásia na época, concluindo que os EUA desejam impor seus valores e crenças a outros países pela força, se necessário.
Mas teria de fato o Tears for Fears se inspirado nisso? Joe Strummer, do The Clash, acredita que assim. Ele contou para a revista Musician que em uma ocasião confrontou Roland Orzabal em um restaurante dizendo para ele: "você me deve cinco libras". De acordo com Strummer, Roland tirou uma nota de cinco libras do bolso e chacoalhou na sua frente, no que teria sido uma admissão de culpa.
Como a Guerra Fria e o livro "1984" de George Orwell inspiraram a música "Everybody Wants to Rule the World" do Tears for Fears
A letra trata da busca pelo poder e de como isso pode ter consequências infelizes, tendo a música, apesar de possuir uma levada alegre, quase dançante, se tornado um hino contra a ganância e a ânsia de poder no mundo. Para a banda, a mensagem da música ainda é tão relevante nos dias de hoje quanto eram durante a Guerra Fria. "Eu acho que muitas dessas músicas, agora que as ouvi novamente, são tão comoventes quanto eram naquela época, mas direcionadas a pessoas diferentes, áreas diferentes do mundo", disse Smith à Yahoo! em 2017.
Há versos que parecem terem sido escritos sob o olhar inescapável do "Grande Irmão", personagem do livro "1984" de George Orwell. Em outros trechos há alusões à guerra nuclear ("Há um lugar onde a luz não te encontrará") e às crescentes tensões entre os EUA e a União Soviética na época do lançamento da música ("Dando as mãos enquanto os muros desabam"). Vale mencionar que "1984" não é diretamente sobre guerra, mas sim sobre a opressão tirânica exercida pelos governos sobre as massas mediante um controle excessivo.
Inclusive houve um usuário do Reddit que analisou profundamente a letra da música, e estabeleceu o que diz serem vários pontos de semelhança com o livro "1984" de George Orwell. Então, eu sei que a música foi lançada em 1985, mas se você analisar a letra, ela se assemelha muito aos eventos descritos, quase como se tivesse sido escrita sobre o livro", disse. Vamos a alguns exemplos.
No trecho: "Bem-vindo à sua vida / Não há como voltar / Mesmo enquanto dormimos / Nós vamos encontrar você agindo da melhor maneira / Virando as costas para a mãe natureza / Todo mundo quer governar o mundo", aparece o que veríamos a partir do ponto de vista de Winston. "Mesmo quando você está dormindo, você precisa agir adequadamente, senão você está perdido, e não há escapatória. O mundo se afastou de seu estado natural e não há esperança de retornar ao que era", diz.
Em outro trecho da letra, é dito: "É meu próprio desejo / É meu próprio remorso / Me ajude a decidir / Me ajude a aproveitar ao máximo a liberdade e o prazer / Nada dura para sempre / Todo mundo quer governar o mundo", que para ele: "Tem a ver com os próprios desejos inatos de Winston, que ele não pode reprimir, mas que são o que o leva a quebrar as regras em primeiro lugar, sabendo que não vai dar certo, que não vai durar para sempre. Mas ele vai viver tudo o que puder naquele curto espaço de tempo que tem antes que seja descoberto, ele precisa de Júlia para ajudá-lo a aproveitar ao máximo".
E ao longo de toda a música, há uma das maiores facetas da justificativa autoconsciente do Partido, o fato de que "Todo mundo quer governar o mundo". É explicado a Winston que, ao longo de toda a história humana, todas as classes desejam ter poder e mantê-lo, ou seja, todo mundo quer governar o mundo.
Com informações também da Wikipedia e do Songfacts.
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