O que o cantor Edu Falaschi teve que fazer no teste para vocalista do Angra
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de janeiro de 2024
Em entrevista ao Inteligência Ltda, Edu Falaschi revelou como foi participar do teste para vocalista do Angra após a saída de Andre Matos.
"E aí, bom, eu fiz o teste para o Angra. Isso foi em que ano, '98, acho que foi antes do disco ‘Fireworks’, por volta de '97 ou '98, algo assim. Então, eu fiz o teste lá, e era a banda inteira sem o cantor, sem o Andre. Aí eu fui lá para cantar, cantei, os caras gostaram. Fiquei aguardando, passou um mês, dois meses, ninguém falava nada. Aí os caras me ligaram, ‘ó, o Andre não vai sair do Angra, ele resolveu ficar e vai gravar um disco próximo’. Veio aquela água fria, total.
O negócio é que meus amigos músicos estavam conseguindo, e eu ficava me perguntando quando seria a minha vez. Aí deu aquela sensação de bater na trave, o Angra já era famoso, e eu pensei, ‘cara, agora chegou minha vez’. Beleza, passou um tempo, o Andre saiu de fato, não sei se foi um ano ou dois anos depois, acho que foram dois anos depois. Aí falaram, ‘ó, a gente quer fazer um teste, mas agora com outros cantores também. Vamos chamar uns cantores, você vai vir cantar no estúdio, e a gente vai escolher quem é o cara’.
Eu já estava meio desencanado, tipo, várias vezes até ali eu tentei de tudo que você pode imaginar. Quem tem o sonho e tem uma banda, a gente vai atrás de gravadora, produtor, empresário. Na época, não tinha internet, a gente fazia tudo pelo jornal, via caderno, né? Indo em show, festival, para tentar fazer um contato. Então, tentei de tudo, quase assinei com uma gravadora do Japão, quase tudo certo.
Então, pense: ‘cara, chega, vou fazer esse teste’. Mas estava meio desanimado. Pensei em focar na faculdade, nos meus trabalhos. Fiz esse segundo teste meio desacreditado, tinha até cortado um pouco do cabelo, tanto que, quando entrei, ele estava curto.
Quando falaram que ia ter esse teste com vários caras, fui meio desencanado, falei que ia, mas não ia criar expectativa. Lembro que fui bem relax, com qualquer roupa, decorei a música na hora e cantei. Eu tinha uns 20 e poucos anos, estava voando, vocal limpinho. Cheguei de prima, cantei bem, modéstia à parte, cantei bem para caramba. Fui lá, cantei a ‘Running Alone’, no teste, uma música que os fãs gostam muito, no final não tinha um grito que tem no disco, inventei na hora, fiz um vocalize meio erudito. A nota durava 40 segundos, cantando sem respirar, subindo, indo para um agudo, segurando o agudo até o final.
Quando acabou, falaram: ‘Chega aqui, Edu’. Aí eu entrei, o Rafael tava no chão, deitado assim e falando: ‘Você quer me matar do coração, que coisa linda!’ Lembro dessa cena, muito legal. Eu queria saber se teria contrato direitinho, para garantir que seria real mesmo. Eu nem falei para ninguém, nem para minha mãe, só meu irmão sabia. Não falei para amigos, até porque, energeticamente, é melhor não falar só se estiver certo mesmo. Aí foi isso, fiquei esperando. Fui nessa reunião para assinar o contrato e assinei. Era primeiro de abril! É zoeira, né? Daí eu fui lá, mas aí era real, aí tudo aconteceu. Ffui para o Japão já na sequência. Eu nunca tinha ido para longe da onde eu morava".

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