Se não fosse por Ozzy Osbourne, o Soulfly de Max Cavalera talvez não existisse
Por Bruce William
Postado em 04 de outubro de 2024
Durante entrevista à Metal Hammer, Max Cavalera contou que entrou em uma depressão de seis meses após deixar o Sepultura em 1996, banda que ele fundou em 1983 com seu irmão Igor e onde ele permaneceu durante mais de uma década, tendo gravado seis álbuns de estúdio com o grupo.
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Vários foram os fatores que contribuíram para a decisão final de Max de sair do Sepultura. À sombra da criação do álbum "Roots", problemas estavam se acumulando à medida que a banda atingiu um novo auge em sua carreira. A esposa de Max, Gloria, estava gerenciando a banda e seu contrato estava prestes a expirar no final de 1996. Os outros três membros - o guitarrista Andreas Kisser, o baixista Paulo Jr. e o baterista Iggor Cavalera (irmão de Max) - haviam expressado o desejo de seguir em frente com um novo empresário e buscaram essa mudança. Max, no entanto, era contra a ideia.
"Um dos principais motivos [que me fizeram voltar à música] foi a família: ter uma família forte, especialmente minha esposa. Gloria foi realmente quem me motivou a retornar para fazer o que eu fui colocado na Terra para fazer", disse Max, relembrando em seguida que ele recebeu também um incentivo imenso de ninguém menos que Ozzy Osbourne: "Eu sou muito grato a ele. Tivemos um jantar na casa do Ozzy na Inglaterra, e ele foi um dos caras que me disse: 'Que se foda! Depende de você para voltar!'"
Prossegue Max: "E é tipo, 'Cara, se você dissesse ao Max adolescente que um dia o Ozzy iria te dar conselhos para continuar tocando, eu teria te dado um murro!' Eu não acreditaria, mas ele fez isso. Vindo dele, eu não poderia deixar passar. Se minha esposa e o Ozzy estão me pedindo para tocar de novo eu sou obrigado, ahahah. Nada poderia ser melhor que isso".
Em 1998, Max lançou seu primeiro álbum pós-Sepultura: o autointitulado trabalho de estreia do Soulfly. O disco foi um sucesso rápido, alcançando o top 20 em cinco países e gerando os singles "Eye For An Eye" e "Bleed". "Assim que saiu, senti a confiança voltar", relembra o brasileiro ao falar sobre o álbum que marcou seu retorno pós-Sepultura. "Durante seis meses eu não me sentia confiante, me sentia um lixo total, simplesmente nada, como se nada que eu fizesse importasse. Esse é um lugar muito louco para estar quando você é um músico."
Max disse em outra ocasião que a música "No Hope = No Fear", segunda faixa do disco de estreia do Soulfly, é uma alusão ao que ele sentia na época: "Eu não tinha esperança, nenhum medo. O estado mais esquisito em que você pode estar, porque você não dá a mínima pra nada. Normalmente como artistas e músicos somos bastante cuidadosos, sobre o que dizemos ou fazemos, a música, mas naquela época eu estava 'Foda-se tudo! Eu não me importo, não tô nem aí se eu morrer hoje', e fiz o disco assim. É maluco fazer um disco assim, é até perigoso, mas o disco ficou ótimo."
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