A canção pessimista do Black Sabbath que é ligada a um hino da paz de John Lennon
Por Bruce William
Postado em 16 de novembro de 2024
John Lennon já era um artista consagrado quando lançou "Imagine" em 1971. Após deixar os Beatles, ele seguiu uma carreira solo marcada por músicas que refletiam suas visões políticas, sociais e pessoais. A parceria com Yoko Ono trouxe uma nova fase em sua vida, com Lennon se tornando ainda mais engajado em questões como paz mundial e direitos civis, algo que se refletiu profundamente em seu trabalho.
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Além de ser uma de suas mais famosas canções ativista pós-Beatle, que também batiza um álbum de mesmo nome, "Imagine" se tornou um hino pela paz com uma mensagem simples, mas poderosa. A letra propõe um mundo sem divisões, onde todos possam viver unidos, sem barreiras de religião, fronteiras ou posses materiais. A melodia suave e o arranjo minimalista reforçam a ideia de esperança e união, transformando a música em um símbolo atemporal de sonhos por um mundo melhor.
Para divulgar o álbum, foi realizado um filme que saiu sob o nome "John Lennon: Imagine - O Filme", que não tem narração ou enredo, apenas imagens exibindo o cotidiano de John e Yoko Ono na época. E um dos trechos mais famosos é esse do vídeo acima, realizado na mansão do casal em Tittenhurst Park, Inglaterra, que apresenta um visual minimalista e simbólico. No início, Lennon e Ono são vistos em uma sala escura, e conforme a música avança, eles abrem as janelas, permitindo que a luz natural ilumine o ambiente. A ideia é refletir a mensagem de otimismo e união citada na canção, com sua simplicidade visual complementando a letra e o tom da música.
A residência britânica onde John Lennon morou com suas duas esposas
Tittenhurst Park havia sido adquirida por John Lennon ainda em 1964. Ali ele viveu até 1968 com sua primeira esposa Cynthia e o filho Julian. Neste ano o casal se separou, e John levou Yoko para morar ali até 1971, quando eles saíram da Inglaterra e se mudaram para Nova Iorque, nos Estados Unidos.
Neste meio tempo, John construiu o Ascot Sound Studio, que foi onde ele gravou grande parte de seu álbum de 1971 com Phil Spector e Yoko Ono como seus co-produtores. George Harrison tocou em várias músicas, incluindo "How Do You Sleep?", que criticava seu ex-colega de banda Paul McCartney. Ringo Starr visitou o estúdio durante a gravação da música e, segundo relatos, ficou chateado, dizendo: "Já chega, John." As sessões do álbum foram amplamente filmadas, e as filmagens aparecem tanto no documentário Imagine: John Lennon quanto em um documentário separado sobre a criação do álbum. Veja no site da Revista Haus uma série de fotos dos então ex-integrantes dos Beatles na residência.
Decidindo ficar a longo prazo nos Estados Unidos, Lennon vendeu Tittenhurst Park para seu ex-companheiro de banda, Ringo Starr, que comprou a propriedade em 18 de setembro de 1973. Starr renomeou o estúdio para "Startling Studios" e disponibilizou as instalações para outros artistas gravarem lá. Bandas como T. Rex, Judas Priest, Def Leppard e outras gravaram lá até Ringo vender a propriedade em 1988.
E é aí que o Black Sabbath entra na história, como foi relatado pelo guitarrista Tony Iommi em um post feito nas redes sociais: "Em novembro de 81, lançamos 'Mob Rules', que tem uma história interessante. Não sei se você já viu o vídeo de John Lennon, 'Imagine', onde aparece o piano branco, mas foi exatamente nesse lugar que escrevemos a música 'The Mob Rules', naquela mesma sala. Montamos o equipamento, que também havia sido de Lennon; eu criei esse riff e então o Ronnie começou a cantar", contou o guitarrista.
E conforme teoriza o letras.mus.br, "The Mob Rules", que assim como a canção de Lennon, também batiza um álbum: "aborda a temática da influência destrutiva das massas descontroladas. A letra começa com um aviso sombrio, sugerindo que algo terrível está prestes a acontecer, com 'morte e escuridão' avançando rapidamente(...) No final, a música oferece uma espécie de advertência: 'Break the circle and stop the movement' (Quebre o círculo e pare o movimento). Isso implica que há uma necessidade urgente de interromper o ciclo de conformidade e destruição antes que seja tarde demais. A repetição de 'The mob rules' ao longo da música serve como um lembrete constante do poder destrutivo da multidão quando não é controlada. A mensagem é clara: a conformidade cega e a falta de pensamento crítico podem levar a um caminho de ruína e caos."
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