O lendário baixista de thrash metal que em 2000 foi tocar numa igreja inspirado pelo U2
Por André Garcia
Postado em 28 de janeiro de 2025
O Megadeth foi formado na década de 80 como uma vingança pessoal de Dave Mustaine contra o Metallica — sua ex-banda, da qual foi chutado para fora antes mesmo de seu álbum de estreia.
Movido pela força do ódio de seu frontman, a banda ajudou a criar o thrash metal, e carregou a bandeira do subgênero desde o underground até o mainstream.
Seu auge é considerado por muitos a sequência de álbuns lançada na primeira metade dos anos 90: os pauleiras "Rust in Peace" (1990) e "Countdown to Extinction" (1992), e o mais melódico "Youthanasia" (1994).
Depois dali, eles lançaram o não tão bem-quisto "Cryptic Writings" (1997). Depois veio o flopado "Risk" (1999), que desagradou a seus fãs quase tanto quanto o Metallica desagradou os seus com o "Load" (1996).
Não é que "Risk" fosse um álbum ruim, mas seus elementos de metal industrial foram na época prontamente rejeitados pela fanbase como "elementos de música eletrônica" — um sacrilégio para os headbangers ortodoxos. O fato é que ele acabou marcando um ponto baixo para o Megadeth.
Conforme publicado pela Ultimate-Guitar, em entrevista de junho de 2024 para o X5 Podcast David Ellefson, que entrou para a história do metal como baixista do Megadeth, contou uma história no mínimo inusitada: a de que ele naquela época buscou novos ares tocando numa igreja — e inspirado pelo U2!

"Comecei a tocar um pouco na igreja, logo após o álbum 'Risk'. Meus filhos eram bem pequenos, então minha família começou a frequentar uma igreja moderna. E percebi que, se não fosse pelo U2, não haveria música moderna na igreja. Chris Tomlin e essas coisas... aquilo tudo é U2. Sabe, 'Where the Streets Have No Name' [e essas músicas deles deram origem a] todo o gênero. Graças a Deus o U2 não é de processar as pessoas, porque todo mundo roubou [as músicas] deles!"
O ex-baixista do Megadeth revelou ainda que o U2 era uma de suas maiores influências:
"Eu adoro o U2, sou fã. Na verdade, copio muita linha de baixo do Adam Clayton. Adoro tocar em uma corda só, tipo punk rock. Em vez de [tocar fá sustenido] na segunda casa, você pega e toca lá na 12ª casa, porque assim soa mais Sid Vicious."
Em seguida ele falou de sua admiração também pelo sempre tão amado e odiado vocalista Bono:
"Bono um rockstar do c*ralho! Porque metade das pessoas amam ele e metade das pessoas odeiam — o que provavelmente é quase obrigatório [para ser um verdadeiro rockstar]. Sabe, música boa é muito polarizadora. Para mim os caras do U2 são simplesmente astros do rock internacional."
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