O erro que Dave Mustaine carregou do Metallica para o Megadeth, segundo David Ellefson
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de fevereiro de 2025
David Ellefson afirmou que a divisão de royalties sempre foi um tema sensível no Megadeth e que o único álbum em que houve um consenso justo foi "Youthanasia" (1994). Em entrevista ao podcast The Metal Voice (via Ultimate Guitar), o ex-baixista da banda sugeriu que essa questão pode ter origem nos tempos de Dave Mustaine no Metallica.
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"Composição, direitos autorais e como o dinheiro é dividido são fatores que podem manter uma banda unida ou separá-la", disse Ellefson. "Rush, por exemplo, decidiu dividir tudo em três partes iguais, e isso eliminou qualquer discussão. Mas no Megadeth, isso sempre foi um problema."
Segundo Ellefson, Mustaine sempre protegeu rigidamente seus créditos como compositor, algo que ele acredita estar ligado à saída do guitarrista do Metallica e às músicas que ele escreveu naquela época.
"Dave disse em seu livro que essas músicas significam tudo para ele. E, cara, ele as protege com unhas e dentes. Então, chega um ponto em que essa é uma discussão que você simplesmente vai perder", comentou.
O baixista revelou que "Youthanasia" foi o único disco em que todos concordaram, de antemão, com uma divisão pré-estabelecida. A ideia, segundo ele, partiu do baterista Nick Menza.
"Nick sugeriu que decidíssemos antes de começar o álbum quanto cada um receberia. Assim, todos poderiam contribuir com suas melhores ideias sem pensar em quem ganharia mais dinheiro ou em quantas músicas cada um teria no disco", explicou Ellefson. "E, no fim, Youthanasia realmente soa como um trabalho de banda, uma equipe."
Apesar do sucesso do sistema adotado em "Youthanasia", Mustaine decidiu não seguir com essa divisão nos álbuns seguintes. "Só funcionou em um álbum, e depois o Dave não quis mais", afirmou Ellefson.
Ele mencionou que produtores experientes, como Mike Clink (responsável por "Appetite for Destruction", do Guns N' Roses), costumam aconselhar bandas a dividir os ganhos de forma justa desde o início.
"O Mike Clink disse ao Guns que, se eles tivessem sucesso, teriam um longo caminho pela frente e que, se não dividissem tudo igualmente, nunca sobreviveriam como banda", contou Ellefson. "O mais justo possível é sempre melhor, pelo menos no começo. Mas, com o tempo, uma ou duas pessoas tentam pegar mais para si, e aí as bandas acabam."
O baixista também elogiou o Rush, um dos poucos grupos que conseguiram manter uma relação saudável tanto criativa quanto financeiramente. "Não é comum ver uma banda onde isso funciona. Passamos por todas as versões possíveis desse dilema, dentro e fora da sobriedade", concluiu.
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