O Ghost é um projeto solo de Tobias Forge? O próprio responde
Por João Renato Alves
Postado em 25 de março de 2025
Apesar de ter começado o Ghost com alguns amigos suecos com os quais já tocava antes, não é segredo para ninguém que Tobias Forge centraliza as decisões relacionadas à banda. A ponto de, com o passar dos anos, o vocalista e multi-instrumentista sequer usar os mesmos músicos no estúdio e no palco.
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Sendo assim, podemos considerar que o projeto é uma carreira solo de seu líder e idealizador? O próprio respondeu a questão durante entrevista à edição britânica da revista Rolling Stone, repercutida pelo ThePRP. Ele disse:
"Se você quer ser super pragmático, eu sou tecnicamente um artista solo. Não tenho que pensar em termos de um grupo, embora todos precisem entender que meu trabalho é um esforço coletivo... Nós somos um grupo trabalhando junto. Mas, na prática, se a gravadora está pedindo para o Ghost fazer um disco, eles não chamam um grupo de pessoas — eles vão me chamar porque é minha responsabilidade."
Em 2017, Tobias foi levado aos tribunais por quatro ex-integrantes do Ghost: Simon Söderberg (guitarrista de 2010 a 2016); Mauro Rubino (tecladista de 2011 a 2016); Henrik Palm (guitarrista entre 2015 e 2016) e Martin Hjertstedt (baterista de 2014 a 2016). Eles acusavam o frontman de ter os ludibriado com promessas de parte legítima dos lucros dos lançamentos de álbuns da banda e turnês mundiais.
O processo original, que foi arquivado no tribunal distrital de Linköping, onde o grupo surgiu, alegou que Forge controlava apenas os negócios da banda sem a participação de qualquer outra pessoa. Os quatro músicos afirmaram ainda que existia um acordo de parceria entre eles, encarregando Tobias de desempenhar as funções de gestão da empresa.
Em junho daquele ano, o vocalista apresentou uma resposta oficial. Ele alegou que "nenhuma parceria legal" jamais existiu em relação às atividades. Explicou que nenhum dos queixosos estava presente no momento da formação da banda e que a única tarefa que tinham era executar as obras musicais e adotar a imagem criada, produzida e decidida de acordo com suas instruções. Por seus esforços, disse ele, os músicos receberam um salário fixo.
Em agosto de 2017, os quatro ex-membros apresentaram uma resposta própria, classificando a alegação de Forge de que o Ghost é um projeto solo como "não estar de acordo com a verdade". Destacavam que ele certamente era o principal compositor e que o papel de figura central do Papa Emeritus era a força motriz nos negócios, bem como na gestão. No entanto, as atividades realizadas seriam, na visão deles, amplamente tratadas em conjunto pelos membros – incluindo discussões sobre a imagem, entrevistas, gravações e turnês desde 2011.
O julgamento no Tribunal Distrital de Linköping durou seis dias e, em 17 de outubro de 2018, foi divulgada uma decisão de 108 páginas indeferindo o caso. Os músicos também foram condenados a pagar os honorários legais de Tobias Forge, que na época eram de aproximadamente US$ 146 mil.
Em 2022, durante aparição no podcast Drinks With Johnny, do baixista Johnny Christ (Avenged Sevenfold), Tobias foi questionado sobre quantos músicas já teriam integrado a banda. Ele respondeu, conforme transcrição do Blabbermouth:
"Quantos membros de palco? Eu não sei exatamente, talvez 15 ou algo parecido. Mas nas gravações, contei com o mesmo baterista para a maioria dos discos, um cara chamado Ludvig Kennberg. Ele tocou bateria na maioria dos discos, do primeiro ao terceiro, no quarto, em um dos EPs e outras coisas, mas nunca tocou conosco ao vivo (...). Sempre que nos reunimos e estamos gravando, parece ótimo... ‘Aqui estamos nós de novo’. Isso é meio que um trabalho, enquanto a banda ao vivo sempre foi outra coisa diferente."
"Skeletá", novo álbum do Ghost, sai dia 25 de abril. É o sexto trabalho de estúdio do grupo. Alguns dias antes, acontece o início da "Skeletour". Por enquanto, a turnê só tem datas confirmadas na América do Norte e Europa.
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