Anders Nyström e suas ideias para corrigir a negligência do Katatonia
Por Emanuel Seagal
Postado em 01 de julho de 2025
Os fãs do Katatonia receberam em março a notícia da saída do guitarrista Anders Nyström, um dos fundadores do grupo. O comunicado, assinado por Jonas, foi o padrão esperado sobre "seguir caminhos diferentes" e "desejo tudo de bom". A resposta de Anders, no entanto, abordou seu descontentamento com a decisão de ignorar o passado e não tocar músicas do início e meio de sua discografia. Desde então, Anders permaneceu em silêncio enquanto os fãs especulavam quais seriam seus próximos passos. Em uma entrevista ao Metalized, ele deu pistas do que pode acontecer.

"Abandonar isso é como dar adeus a mais da metade de quem sou, então ainda não sei como e de que forma continuarei a representar o legado do Katatonia", comentou o músico, que ainda precisa resolver detalhes relativos à sua saída do grupo. Anders também é o guitarrista do Bloodbath, banda de death metal que contava com Jonas Renske como baixista até 2023. Visto que Nick Holmes é o vocalista do Paradise Lost, é difícil imaginar que essa se torne a banda principal dos dois, mas ele não tem intenção de parar. "Haverá algumas mudanças inevitáveis acontecendo ali também, pois todas essas coisas estão conectadas e uma solução parece criar um obstáculo em algum outro lugar e vice-versa", afirmou.
Embora não tão lembrada pelos fãs, a banda de black metal Diabolical Masquerade, que Anders encerrou em 2004, lançou bons discos nos anos 90 e poderia voltar. "O Diabolical Masquerade foi basicamente uma obsessão por black metal dos anos 90 para mim, mas por ser um projeto solo evitaria qualquer drama causado por envolver mais pessoas, então talvez seja finalmente a hora certa de ver se a tampa pode sair daquele caixão."
Bloodbath e Diabolical Masquerade são ótimos, mas o que os fãs mais querem saber é se ele planeja voltar no tempo e tocar músicas dos primeiros discos do Katatonia, algo que ele afirmou ter sido negligenciado pela banda. "Eu voltaria no tempo lá para o início e começaria ali. Que viagem nostálgica seria revisitar tudo aquilo lançado entre 1992 e 1997 e celebrar o som da banda que foi esquecido por tanto tempo e permaneceu intocado por décadas", comentou, salientando que tudo isso é hipotético. Como o músico explicou, ele foi o frontman do grupo naquela época, então seria o caminho mais fácil num primeiro momento.
"Algum tempo mais tarde, eu provavelmente olharia para um set com os trabalhos de 1998 até 2001, mas somente se achar um vocalista capaz de fazer aqueles vocais limpos (lembre-se de que a voz de Jonas era uma parte delicada da marca registrada daquele som). No entanto, não vejo necessidade de focar em álbuns posteriores ao 'Viva Emptiness', exceto se Jonas parar eventualmente de tocar essas músicas, caso precise de mais espaço para representar seus álbuns solo posteriores", concluiu, alfinetando seu ex-colega de banda.
Décadas se passaram desde o death/doom metal do Katatonia em uma época em que Jonas e Anders eram "Lord J. Renske" e "Blackheim", e realmente parece que, se depender de Jonas, o passado da banda permanecerá enterrado. Enquanto bandas como After Forever e The 3rd and the Mortal retornam, o The Kovenant excursiona tocando "Nexus Polaris", e até o Moonspell andou se apresentando com seu logotipo antigo para tocar "Wolfheart", algo parecido nunca acontecerá com o Katatonia. A possibilidade de Anders honrar o legado do grupo tocando músicas do início e meio da discografia do Katatonia é uma das melhores notícias que os fãs de longa data poderiam receber.
Nós, fãs do Katatonia, sentimos sua falta, Blackheim!
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