Como o Circle Jerks transformou seis músicas terríveis em um clássico do punk rock
Por Bruce William
Postado em 16 de agosto de 2025
O Circle Jerks nunca teve grande projeção fora da cena punk, mas deixou uma marca profunda no underground californiano. Formado por Keith Morris, ex-vocal do Black Flag, e Greg Hetson, que depois tocaria no Bad Religion, o grupo apareceu em documentários como "The Decline of Western Civilization" e filmes cult como "Repo Man", consolidando sua importância na cultura punk dos anos 1980.

O nome "Circle Jerks" surgiu quando Morris sugeriu "Bedwetters" e foi reprovado pelos colegas. A escolha do novo nome num dicionário de gírias com expressões vulgares em inglês já indicava o tipo de provocação que eles adoravam fazer, já que "Circle Jerks" significa algo como "roda de punheta" e "Bedwetters" é uma expressão pejorativa usada para pessoas que mijam na cama.
Isso ficou ainda mais evidente com o disco "Golden Shower of Hits" (1983) (Nota: todo mundo sabe o que significa um "golden shower", né?), cuja capa mostrava LPs de ouro jogados dentro de um mictório, algo que levou grandes redes a se recusarem a vender o álbum. "A gente vende mais em lojas independentes mesmo", disse Morris ao Birmingham News na época, conforme resgate feito pela Far Out.
A faixa-título levava o deboche ao extremo. Tratava-se de um medley com seis músicas que os integrantes consideravam "as piores que já ouviram". O alvo eram sucessos populares e melosos que dominavam as rádios da década anterior. A lista incluía: "Along Comes Mary" (The Association), "Close to You" (The Carpenters), "Afternoon Delight" (Starland Vocal Band), "Having My Baby" (Paul Anka), "Love Will Keep Us Together" (Captain and Tennille) e "D-I-V-O-R-C-E" (Tammy Wynette).
"Eram músicas tão ruins... eram tipo as piores músicas que a gente já tinha ouvido", disse Morris. "Quando fazemos músicas como essas, temos que massacrar, entende? Se você for fazer um cover de Creedence Clearwater, você respeita. Mas essas aí estavam pedindo para serem cortadas em pedaços."
Mas não se tratava apenas de destruir as músicas. O Circle Jerks montou as seis faixas de forma a formar uma espécie de história com começo, meio e fim. Um casal se conhece e se apaixona ("Along Comes Mary" e "Close to You"), parte para o sexo ("Afternoon Delight"), a mulher engravida ("Having My Baby"), eles decidem ficar juntos ("Love Will Keep Us Together") e tudo acaba mal ("D-I-V-O-R-C-E").
O medley não levou o Circle Jerks ao sucesso comercial, mas reforçou seu papel como pioneiro do hardcore americano. Quando o punk californiano ganhou espaço nos anos 1990 com bandas como Offspring e NOFX, o grupo tentou voltar com o álbum "Oddities, Abnormalities and Curiosities" (1995), lançado por uma grande gravadora. A faixa mais inusitada trazia a participação de Debbie Gibson, ex-estrela teen dos anos 80. "Ela estava no estúdio dançando e causando, eu tive que convidar ela pra cantar", disse Morris ao Santa Barbara News-Press.
Debbie provavelmente não fazia ideia que, se tivesse entrado no radar da banda uma década antes, ela talvez estivesse sendo "homenageada" com uma música sua sendo "trucidada em pedaços" e ganhando uma "golden shower"...
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