A banda de prog rock que Robert Plant quase integrou: "Percebi que havia algo ali"
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de setembro de 2025
Robert Plant sempre demonstrou medo de se tornar um artista estagnado. Ao longo da carreira, dentro e fora do Led Zeppelin, o vocalista buscou novas linguagens, recusando-se a ser lembrado apenas como o "Percy" dos anos 1970. A inquietude artística o levou a experimentar diferentes facetas da música popular, mas houve um momento em que Plant quase cruzou o caminho do rock progressivo de forma definitiva.
Embora o Zeppelin tivesse suas raízes fincadas no blues, a banda de Jimmy Page explorava sonoridades que iam muito além desse universo. A partir de Led Zeppelin IV, surgiram experimentações grandiosas, com músicas como "Achilles Last Stand" e "Kashmir", que já dialogavam com a atmosfera expansiva e ousada do prog.

O próprio Plant admirava o movimento progressivo, especialmente o modo como vocalistas como Greg Lake (King Crimson, Emerson, Lake & Palmer) e Jon Anderson (Yes) exploravam registros vocais únicos, inéditos até então no rock.
Mas foi com o Jethro Tull que sua história quase se cruzou. Diferente dos gigantes do prog, Ian Anderson conduzia o grupo com excentricidade particular: a flauta como instrumento central, letras inusitadas e arranjos complexos que transformaram "Aqualung" (1971) em um marco.
Segundo Anderson, Plant chegou a estar muito próximo de assumir o posto de vocalista do Jethro Tull, antes mesmo de responder ao chamado de Page para integrar o Zeppelin. O bluesman Alexis Korner foi peça-chave nessa aproximação:
"Ele praticamente insistiu que Robert fosse chamado para tocar com a gente. Eu me lembro de pensar: ‘Espere um minuto, há algo acontecendo aqui’. Me vi em uma situação em que poderia ser substituído por Robert Plant no início do Jethro Tull", contou Anderson (via Far Out).
Em outra ocasião, Anderson comentou sobre Plant novamente: "Nunca fui um cantor forte", conta Anderson para a Prog Magazine. "Me comparando com, digamos, Robert Plant é um absurdo - ele tem um talento dado por Deus, que eu reconheci, com temor, a primeira vez que o encontrei, quando Alexis Korner (ícone do blues britânico) o trouxe a um clube onde estávamos. Era um clubeco sujo e Alexis surgiu e perguntou 'Tudo bem se este jovem subir e cantar um número? Ele canta e toca gaita'. E eu respondi 'Bem, é exatamente o que eu faço, mas certamente, vamos ver o que acontece'. E imediatamente percebemos que havia algo especial nele, que ainda por cima tocava muito bem. Fiquei intimidado... e saímos rapidamente de lá, pelo que eu lembro. Não olhamos muito pra trás aquela noite".
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