O mestre da música complexa que queria cuidar do AC/DC, pela qualidade de sua obra
Por Bruce William
Postado em 05 de setembro de 2025
Frank Zappa nunca foi unanimidade. Lou Reed, por exemplo, o chamou de "o sujeito mais sem talento que já ouvi", acusando-o de ser um acadêmico pretensioso incapaz de tocar rock de verdade. Palavras duras, mas que não condizem com a trajetória de um artista que construiu uma carreira sólida justamente por não se encaixar em padrões. E, anos mais tarde, Lou mudaria sua opinião.
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Para além da polêmica, Zappa sempre perseguiu uma ideia clara: autenticidade. Suas composições podiam ser complicadas, recheadas de elementos do jazz, mas carregavam a marca de um cérebro inquieto, que não tinha medo de soar estranho. E era esse mesmo critério que aplicava ao ouvir outros músicos, pouco importava o estilo, desde que fosse genuíno.
É aí que entra uma surpresa: Zappa tinha enorme admiração pelo AC/DC. À primeira vista, os australianos eram o oposto da sofisticação musical que ele explorava. Enquanto Zappa se perdia em arranjos intrincados, Angus Young e companhia apostavam em riffs simples, diretos, muitas vezes baseados em três acordes. Ainda assim, o norte-americano enxergava neles aquilo que mais prezava: energia e verdade.
Dweezil Zappa, filho do músico, contou que a paixão era tanta que o pai tentou levar o AC/DC para seu próprio selo, no começo dos anos 1970. "Eles acabaram assinando com a Atlantic, mas ele queria a banda porque achava que eram incríveis", relembrou. Para Zappa, não havia mistério: o quinteto tocava bem, era visceral e tinha atitude, qualidades que definem o rock em sua essência.
O tempo provou que a aposta faria sentido. O AC/DC construiu sua carreira sem abrir mão da consistência. Como explicou Angus Young, em fala resgatada pela Far Out, foi na gravação de "Let There Be Rock" que decidiram se manter fiéis ao que acreditavam, mesmo quando novas ondas musicais começavam a dominar as paradas. "Meu irmão George perguntou a mim e ao Malcolm: 'Que tipo de álbum vocês querem fazer desta vez?' E Malcolm respondeu: 'A gente só quer um disco que seja pura guitarra de hard rock'."
Esse compromisso com a simplicidade e com o próprio estilo foi o que Zappa identificou desde cedo. Ele podia ser um esquisito para uns e um gênio para outros, mas sabia reconhecer autenticidade quando a via. E nisso, o AC/DC nunca deixou a desejar.
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