Quando Duane Allman ficou irritado com Robert Plant no palco; "vou lá e arrebento esse cara"
Por Bruce William
Postado em 12 de novembro de 2025
No fim dos anos 1960, o Led Zeppelin desembarcou nos Estados Unidos causando um forte impacto. Jimmy Page vinha de reputação consolidada, a banda soava pesada, fora do padrão da época, e a combinação de volume, improviso e presença de palco rapidamente criou a sensação de que algo grande estava acontecendo. Para muitos músicos americanos, ver o Zeppelin ao vivo era quase obrigatório. Entre eles, um fã declarado: Duane Allman.
Robert Plant, porém, não era exatamente um vocalista "tradicional" aos olhos de todo mundo. Com visual chamativo, peito à mostra, movimentos espalhafatosos e um jeito de cantar que misturava agudos extremos com referências de blues e soul, ele destoava da postura de boa parte dos frontmen de então. Para alguns, aquilo era a síntese do novo rock pesado. Para outros, um choque difícil de engolir na primeira olhada.

Do outro lado estava a Allman Brothers Band, baseada em longas jams, dinâmica de banda, improviso coletivo e zero preocupação com performance ensaiada. O foco era tocar como se fosse um grupo de jazz elétrico sulista: seguir o fluxo, construir climas, deixar a música falar mais alto do que qualquer pose. Quando os integrantes foram assistir ao Zeppelin esperando uma experiência nesse nível, a reação não foi a que se imagina de admiradores empolgados.
Quem contou a história foi o baterista Butch Trucks, relembra a Far Out. Segundo ele, Duane Allman ficou indignado com o que viu no palco. "Robert Plant começa a correr pelo palco com aquelas calças de veludo, e nós olhamos uns pros outros, tipo: 'que porra é essa?' Duane se levantou e disse: 'Ou eu vou lá e arrebento esse cara ou vamos embora.' E todos nós levantamos e fomos embora. Isso deixou o Duane furioso. Ele ficou muito decepcionado com um dos seus deuses."
No fundo, o choque expõe duas leituras diferentes de como levar um show de rock. A Allman Brothers Band buscava profundidade nas improvisações, liberdade instrumental e uma certa rejeição ao "teatro" no palco. O Zeppelin também sabia se estender em jams e criar momentos caóticos, mas aceitava a figura de Plant como parte central do espetáculo, alguém que ocupava a frente com gestos, atitude e imagem tão fortes quanto os riffs que vinham de trás.
Para Duane, ver um vocalista que admirava dentro de uma moldura mais performática do que ele esperava pode ter soado como traição de um ideal. Mas, olhando em perspectiva, a força do Led Zeppelin também vinha desse desequilíbrio constante: a banda vivia na linha entre o excesso e o acerto, entre o risco de tudo desandar e a sensação de assistir algo grande sendo montado ali na hora. O desconforto de Duane Allman acaba registrando justamente isso: que nem todo mundo lia o mesmo show da mesma forma, e que, naqueles anos, até os "deuses" do rock ainda estavam aprendendo onde terminava a música e começava o mito.
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