Por que bandas de punk da Finlândia são mais famosas no Brasil que na Inglaterra?
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de novembro de 2025
Durante uma entrevista concedida a André Barcinski, o músico Clemente Nascimento, vocalista e guitarrista dos Inocentes e integrante da Plebe Rude, revelou uma curiosidade sobre os primórdios do punk brasileiro: o fato de várias bandas finlandesas do gênero terem se tornado mais conhecidas no Brasil do que no próprio Reino Unido.
Segundo Clemente, isso se deveu principalmente à atuação do vocalista Fábio Zvonar, fundador da banda Olho Seco e dono da icônica loja Punk Rock Discos, em São Paulo. No fim dos anos 1970 e início dos 80, o espaço se tornou um ponto de encontro da cena punk paulistana - e também o centro de um intenso intercâmbio cultural entre Brasil e Europa.

"Os parentes do Fábio moravam na Europa, e um dia disseram para ele: 'Essas bandas que você gosta têm aqui na Finlândia'. Eles mandaram uns discos para ele, e o Fábio começou a escrever para os caras da Finlândia. A partir daí, começou um intercâmbio com fita demo e correspondência", contou Clemente.
O resultado foi que nomes do hardcore finlandês, como Rattus e Terveet Kädet, ganharam projeção inesperada no Brasil, muito antes de despertarem atenção no resto da Europa. "Na Inglaterra ninguém conhecia essas bandas, mas a gente conhecia", disse Clemente, rindo.
O músico explicou ainda que esse contato direto fez parte de uma rede global de trocas entre punks independentes, fortalecida por publicações como Maximum Rock'n'Roll e Flipside, fanzines californianos que conectavam bandas underground de vários países. O Olho Seco, inclusive, se beneficiou dessa circulação internacional, participando da coletânea "Welcome to 1984", lançada nos Estados Unidos - um dos primeiros registros que levou o punk brasileiro ao exterior.
A importância de Fábio Sampaio nesse processo é amplamente reconhecida. Foi ele quem alugou o estúdio onde nasceu a coletânea "Grito Suburbano" (1982), marco inicial do punk no Brasil. Com sua loja, correspondências e trocas de fitas, Sampaio criou uma ponte improvável entre os subúrbios de São Paulo e o underground europeu - especialmente o da Finlândia, que até hoje tem público fiel por aqui.
"O intercâmbio começou com o Fábio, com as fitas demo e os discos importados. Era tudo na base da carta e do correio, mas funcionava. É por isso que bandas finlandesas são mais conhecidas no Brasil do que na Inglaterra", resumiu Clemente.
Confira a entrevista completa abaixo.
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