Tony Iommi escolhe o maior guitarrista de todos os tempos; "meu ídolo"
Por Bruce William
Postado em 01 de dezembro de 2025
Quando se fala em influências de Tony Iommi, muita gente imagina de cara nomes ligados ao blues mais cru ou ao rock pesado que tomou forma no fim dos anos 1960. Afinal, estamos falando do guitarrista que ajudou a dar contorno ao som do Black Sabbath, com afinações mais baixas, acordes arrastados e climas sombrios.
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Iommi já resumiu a importância da guitarra na sua vida dizendo que ela é uma forma de tirar coisas de dentro dele que não apareceriam de outro jeito. Só que, quando ele volta à adolescência e aponta quem realmente serviu de referência lá no começo, a resposta não vem de nenhum grupo barulhento, e sim de uma banda instrumental britânica bem comportada, liderada por um guitarrista de timbre limpo e postura quase "certinha" no palco. Antes de qualquer fama ou riff sombrio, essa conexão começou ouvindo discos em casa, com o dinheiro contado. Um dos LPs que ele comprou na juventude foi uma coletânea dos Shadows, grupo instrumental britânico liderado por Hank Marvin, e foi aí que o rumo começou a se definir.
Anos depois, em entrevista ao site Vinyl Writers, Iommi contou que aquele disco em especial tinha duas faixas que o marcaram de cara: "Wonderful Land" e "Apache". Ele lembra da sensação de ouvir uma banda inteira funcionar sem cantor, e da forma como a energia daquelas gravações parecia ir direto pra quem escutava. Mesmo dizendo que, como muitos álbuns do começo dos anos 1960, o LP misturava alguns grandes momentos com músicas de encher espaço, ele voltava sempre por causa do som de Marvin.
Esse fascínio acabou virando referência direta. Ao olhar pra própria trajetória, Iommi não fala de Hank Marvin como mais um guitarrista importante, mas como o nome que ficou no topo da lista. Ele já disse abertamente que o líder dos Shadows é o seu "ídolo" na guitarra e voltou a citar essa influência em várias entrevistas ao longo dos anos, ligando o jeito de tocar do britânico à formação do seu próprio estilo.
Se comparar com o que o Sabbath faria depois, a diferença é grande. Enquanto Marvin era o rosto de um grupo conhecido por temas instrumentais melodiosos, que cabiam em programas de TV e pistas de dança, Iommi ficaria associado a acordes arrastados e intervalos escuros, como o famoso trítono de "Black Sabbath". Ainda assim, os dois partilhavam algumas bases: ouviam Django Reinhardt, tinham Buddy Holly como referência e viam na música uma saída possível da vida comum.
Essa mistura de inspiração e contexto ajuda a entender a frase que Iommi usou ao falar dos Shadows. Comentando o peso que o grupo teve na sua formação, ele deixou claro que, sem Hank Marvin como norte, o caminho provavelmente teria sido outro. "Sem os Shadows e o guitarrista deles, Hank Marvin, como meu ídolo, meu jeito de tocar poderia ter ido para uma direção completamente diferente, e o Black Sabbath não teria sido a banda que se tornou", afirmou, conforme destacou a Far Out.
Vindo de quem ajudou a montar o alicerce do heavy metal, este certamente é um jeito bem claro de mostrar quanto uma guitarra "certinha" dos anos sessenta conseguiu a proeza de influenciar profundamente o lado mais sombrio do rock.
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