Bob Daisley está disposto a fazer as pazes com Sharon Osbourne
Por João Renato Alves
Postado em 28 de janeiro de 2026
Apesar de os guitarristas terem sido as figuras mais proeminentes ao lado de Ozzy Osbourne em sua carreira solo, foi o baixista Bob Daisley quem se encarregou de escrever seus grandes hits. No entanto, a relação se deteriorou devido a batalhas judiciais por créditos, que resultaram em processos envolvendo grandes cifras.
Durante entrevista ao Loaded Radio, o instrumentista falou sobre como se sentiu ao não ser convidado para "Back to the Beginning", evento que marcou a despedida do Madman – que faleceria 17 dias mais tarde. Apesar de reconhecer que dificilmente estaria presente, o músico gostaria de ter ao menos seu nome citado durante o evento.
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"Tive Covid nos últimos anos e causou vários danos sérios à minha saúde. Então, de qualquer modo, dificilmente teria conseguido ir. Mas poderia ter recebido algum tipo de menção. Uma multidão, milhares de pessoas estavam cantando as letras que eu criei para aquelas músicas. Muitos me falaram isso desde então."
Daisley também não foi citado no discurso de Ozzy durante o Rock and Roll Hall of Fame, um ano antes. "Isso foi outra coisa. As pessoas estavam se manifestando sobre isso. Postaram mensagens no Instagram e no Facebook dele dizendo: 'Que porra é essa? Ele nem sequer é mencionado? Ele escreveu todas as suas letras!'"
Questionado sobre o que acha que fez os Osbournes agirem dessa forma, Bob não sabe ao certo. "Bem, na verdade, é tudo muito complicado e interligado, com todas as diferentes facetas e coisas que aconteceram. Não é uma pergunta que se possa responder com uma única resposta simples. Porque eu voltei a trabalhar com o Ozzy umas três ou quatro vezes, quando me pediram, porque é complicado. Eles se livraram de mim logo depois da gravação de 'Diary Of A Madman'. Depois me pediram para voltar para fazer o terceiro álbum, mas isso não se concretizou porque o Randy Rhoads foi assassinado. Mas eu fiz o terceiro álbum com o Jake E. Lee, 'Bark At The Moon'."
O baixista ainda participaria das composições em "The Ultimate Sin" (1986) e gravaria "No More Tears" (1991). Ele recordou quando foi a última vez que falou com Sharon Osbourne. "Ah, provavelmente em Nova York, por volta de 2001. Quando aconteceu o 11 de setembro, estávamos lá para um depoimento. Porque eu e o Lee (Kerslake, baterista) tínhamos um processo contra eles por royalties não pagos e créditos incorretos em 'Diary' e tudo mais. Mas, sim, essa foi provavelmente a última vez que falei com ela. A questão é que, no começo, eu e a Sharon nos dávamos muito bem, assim como eu e Ozzy éramos amigos próximos. Foi muito triste para mim ver tudo isso acabar. Eu me dava muito bem com os dois. E no dia em que soube que o Ozzy tinha morrido, eu realmente chorei porque muitas lembranças voltaram à tona. Havia a água suja que passou por baixo da ponte, mas também havia muitos bons momentos. Havia muitas risadas, muita alegria e muita criatividade. E para mim, naquele dia tudo voltou à tona e eu chorei."
Ao ser perguntado se estaria disposto a conversar com a viúva e empresária de Ozzy caso ela o procurasse hoje, Bob foi claro: "Eu conversaria. Não a odeio. Se houvesse algo para conversar, é claro que eu conversaria. Não sou uma pessoa vingativa e não guardo rancor. E eu também senti muito pela família do Ozzy naquele dia. Ninguém gosta de ver as pessoas sofrerem. Bem, eu não gosto de ver as pessoas sofrerem. E foi triste para mim, com todas as boas lembranças que vieram à tona, saber o que eles estavam passando."
Nascido em Sydney, Austrália, Robert John Daisley começou a se destacar na cena tocando com nomes como Chicken Shack, Mungo Jerry e Widowmaker, com quem lançou dois álbuns. Seu primeiro trabalho de maior reconhecimento foi com o Rainbow. Gravou o baixo em três faixas do álbum "Long Live Rock 'N' Roll" (1978), fez a turnê e se retirou.
Nos anos 1980, ainda gravaria e/ou excursionaria com Uriah Heep, Gary Moore, Black Sabbath e Yngwie Malmsteen, entre outros. Desde os anos 1990, mantém uma carreira low profile como músico de palco, participando de discos de vários artistas. Em 2013, lançou a biografia "For Facts Sake".
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