A música do Angra que Rafael Bittencourt queria refazer: "Podia ser melhor, né?"
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de janeiro de 2026
Nem sempre uma canção lançada em disco representa exatamente o ponto final de um processo criativo. Em bandas longevas, esse sentimento costuma reaparecer com o tempo - especialmente quando o compositor olha para trás com mais experiência, novas referências e autocrítica mais afiada. Foi justamente esse tipo de reflexão que Rafael Bittencourt compartilhou ao falar sobre uma música específica do Angra.
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Durante um episódio especial do Amplifica, dedicado a responder perguntas enviadas por fãs, Rafael foi questionado sobre qual teria sido a música mais difícil de compor e finalizar ao longo da carreira. A reação inicial já entregou o peso da pergunta: "Ixe, Maria, essa é complicada, hein? Eu não sei, cara. Não sei", respondeu, antes de desenvolver o raciocínio.
Para o guitarrista, a dificuldade costuma estar ligada à insatisfação com o resultado final. "As que são difíceis de finalizar são músicas que eu não fiquei contente com o resultado", explicou. Segundo ele, quando algo não soa totalmente resolvido no álbum, geralmente é porque a solução ideal não foi encontrada durante o processo.
Música do Angra que precisa ser regravada?
Foi então que Rafael citou nominalmente a canção que ainda hoje o incomoda criativamente: A Monster in Her Eyes, lançada no álbum Aqua. "É uma música que eu gosto muito, mas eu queria mexer nela, queria mudar muitas coisas nela", admitiu, sem rodeios.
Segundo ele, a composição teve uma gestação longa e problemática. "Essa música eu passei anos trabalhando nela. Não entrava num álbum, não entrava no outro, e eu não conseguia fechá-la", contou. No fim das contas, a faixa acabou sendo finalizada "de um jeito X" e incluída em Aqua, mas a sensação de pendência nunca desapareceu completamente.
Ao ouvir a gravação hoje, Rafael é direto em sua avaliação: "Quando eu ouço, eu falo: 'Puta, ela podia ser ainda melhor, né?'". Para ele, o principal ponto estaria na estrutura e na dinâmica da música. "No caminho, em como entrelaçar as ideias, como uma ideia encaixa na outra", detalhou, apontando esse aspecto como um dos maiores desafios do seu método de composição.
O guitarrista também reconheceu uma tendência pessoal que, nem sempre, joga a favor da música. "A tendência é botar um monte de ideia", confessou. "Uma parte nova, agora vem outra parte nova… e nem sempre esse bolo de muitas partes acrescenta". Segundo ele, o apego a boas ideias individuais pode acabar comprometendo o fluxo geral da canção.
Rafael explicou que, para uma parte realmente funcionar, ela precisa ser bem preparada pelo que vem antes. "Uma parte, para soar bem, a parte anterior tem que entregar", disse. "Quando ela chega, dá um efeito". Sem essa construção, mesmo ideias fortes perdem impacto.
No fim da resposta, veio a revelação mais surpreendente. "Eu gostaria muito de melhorar 'A Monster in Her Eyes'", afirmou, antes de completar: "Aliás, eu tenho vontade de regravá-la, de uma nova maneira, para justamente salvar a tadinha". Uma declaração que certamente vai reacender o interesse dos fãs por essa fase do Angra - e levantar a curiosidade sobre uma possível revisita ao material no futuro.
Confira a entrevista completa abaixo.
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