Roqueiros estão mais abertos ao rock cristão hoje ou em 1980? Rex Caroll responde
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de dezembro de 2022
Na década de 1980, bandas como Stryper e Whitecross misturaram o rock e o heavy metal com mensagem cristã. Mas será que os roqueiros estão mais abertos para essa mensagem religiosa hoje em dia ou lá atrás era mais fácil?

Em entrevista ao jornalista musical Gustavo Maiato, Rex Caroll, guitarrista do Whitecross, refletiu primeiro sobre como começou a religiosidade em sua vida e o que faz uma música ser desse tema.
"Toda música é espiritual de alguma forma. Quando estou com meus alunos, gosto de perguntar: ‘O que é música?’. Para mim, é comunicação. Se você toca guitarra, canta ou toca bateria, sempre é sobre algo que está dentro de você e você quer comunicar para o mundo. É como você mostra sua essência e sua mensagem.
Quando falo que toda música é espiritual, acho que é nesse nível. Algumas músicas são sombrias, outras sobre amor. Mas todas são sobre algo que o artista quer dizer. Se você ouvir músicas do ‘Black Sabbath’, é bastante espiritual e eles falam muito de deus. Eu creio em deus e na bíblia e vejo a música como uma ferramenta para expressar coisas que quero dizer. O Whitecross veio nesse sentido.
Mas comecei com o Fierce Heart na Atlantic Records. Eles me desenvolveram e ao mesmo tempo, percebi que adorava compor músicas sobre deus e a bíblia e encorajar pessoas a confiar em deus. Essa é a base do que o Whitecross é. O Fierce Heart acabou que não durou muito. Depois dessa experiência, o que viria? Então, encontrei o cantor que seria da Whitecross. Ele conhecia músicos na mesma vibe. Ele precisava de um guitarrista.
Lançamos o primeiro álbum em 1987 e, tecnicamente, acho ele muito ruim! [risos]. Tínhamos um engenheiro de som que não sabia o que fazia. Não tínhamos produtor nem nada. Fico até envergonhado do resultado. Não havia orçamento também, fizemos o que podíamos. Estávamos por um fio, sabe? A única experiência era a minha no Fierce Heart.
As pessoas dizem que é importante estar numa banda para se rebelar contra as autoridades e tudo mais. Minha visão é que deus sempre trabalhou na minha vida. Você precisa descobrir quem você é como artista. Passei a vida buscando isso. O que quero dizer para o mundo? Se você ouvir minhas músicas, vai entender como me sinto. As coisas que fiz no Whitecross são sobre acreditar no deus verdadeiro, que te ama e tem um plano para nossa vida.
Toda pessoa no planeta que está viva tem valor infinito, mesmo que seja uma criança na África que é pobre ou um banqueiro que faz milhões de dólares. Não importa quem você é, todos são importantes. Como músico, acredito que tudo que temos a dizer é importante", explicou
Em seguida, Rex Caroll disse que acha que hoje em dia as pessoas já se acostumaram com a presença de mensagens religiosas dentro do rock e do heavy metal.
"Acho que as pessoas estão acostumadas com isso hoje em dia. Uma das primeiras bandas com essa mensagem foi o Stryper lá atrás. Eu gosto deles. Acho que quem gosta de Stryper pode gostar de Whitecross. Existem muitos estilos de rock e heavy metal agora. Tem o death metal e tudo mais. Já ouvi Behemoth e coisas do tipo. Eles gostam de blasfemar a igreja e o nome de deus. Fazem um esforço para isso e blasfemar cada vez mais. Só que as pessoas que tocam nessas bandas falam que é só um espírito de rebelião. A Igreja Católica de Roma é um símbolo da autoridade humana. Tenho minhas questões com a igreja. Não acho que eles falam por Deus, sabe?
Quando comecei o Whitecross, as pessoas falavam que soávamos como o Ratt. Isso era porque nosso cantor parecia mesmo o do Ratt. Eu acompanhei esse rock mais festivo. Parecia que todas as bandas na época falavam sobre a mesma coisa. Sobre viver intensamente e tudo mais. Era a atmosfera hedonística que pairava. Sei que existem pessoas que vão desligar a conversa quando perceber que falo sobre deus. Não dá para agradar a todos, mas quero alcançar quantos conseguir", concluiu.
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