A música do Rainbow que Ritchie Blackmore chama de "a definitiva" da banda
Por Bruce William
Postado em 06 de fevereiro de 2026
Quando Ritchie Blackmore saiu do Deep Purple em 1975, ele já tinha passado tempo suficiente dentro de uma das bandas mais barulhentas e influentes do hard rock, e queria outra coisa. Ele próprio já contou que não curtia a direção mais "funky" que o Purple flertou na fase de "Stormbringer" (1974), e a saída abriu espaço para montar o Rainbow como um projeto com mais controle e mais liberdade de rota.
Só que o Rainbow nunca foi uma banda de "formação definitiva". A cada fase, o som e a escalação mudavam, e isso também ajuda a explicar por que qualquer discussão de "melhor música" ali costuma virar briga de bar: tem gente que jura amor pelos discos com Ronnie James Dio, tem gente que prefere a fase mais radiofônica com Joe Lynn Turner, e tem gente que mistura tudo sem culpa.

O próprio Blackmore, quando foi escolher a faixa mais importante do Rainbow, foi por um caminho que muita gente não adivinha de primeira. Em vez de apontar um hino do fim dos anos 70 ou o maior hit do grupo, ele destacou uma música dos anos 80, e tratou como a que melhor representa a banda.
A escolhida, segundo ele, é "Street of Dreams", single de "Bent Out of Shape" (1983), já com Joe Lynn Turner nos vocais (ele foi o cantor do Rainbow de 1980 até a pausa do grupo em 1984). E o Blackmore explicou com todas as letras, em depoimento registrado no documentário The Ritchie Blackmore Story (2015) (via Far Out: "Acho que eu escrevi com o Joe. Uma das minhas músicas favoritas é 'Street Of Dreams'. Aquilo, pra mim, era a música definitiva do Rainbow. Eu amo essa música. Ela toca na jukebox e eu penso: 'tenho orgulho disso'."
É uma escolha que diz bastante sobre o tipo de coisa que ele buscava naquele período: uma faixa guiada por clima, com groove "rolando" e espaço para a música respirar, sem precisar virar vitrine de velocidade ou de músculo o tempo inteiro. "Street of Dreams" tem esse jeito mais contido e melódico e, justamente por isso, soa como um retrato bem fiel do Rainbow da primeira metade dos anos 80.
E aí a discussão fica interessante: quando o próprio cara que criou a banda aponta uma música como "a definitiva", ele está falando menos de "a mais famosa" e mais de "a que chegou onde eu queria chegar". No caso do Blackmore, dá para ler essa escolha como um recorte bem específico de fase, um Rainbow já distante do Deep Purple, com outra estética e outra ambição.
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