Banda de rock dos anos 70 ganha indenização do Estado brasileiro por ter sido censurada
Por Bruce William
Postado em 27 de março de 2026
A banda pernambucana Ave Sangria conseguiu nesta quinta-feira (26) uma reparação oficial do Estado brasileiro por causa da censura que atingiu seu disco de estreia em 1974, informou o Diário de Pernambuco. A decisão foi aprovada pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos, que reconheceu a perseguição sofrida pelo grupo e formalizou um pedido de desculpas.

Além do reconhecimento, ficou estabelecida uma pensão mensal e vitalícia de R$ 2 mil, com valor retroativo ainda a ser calculado, como forma de reparação pela interrupção do vínculo de trabalho dos músicos. Segundo o jornal, os remanescentes vivos da formação original, Marco Polo e Almir de Oliveira, acompanharam a votação no Recife, no Memorial da Democracia, enquanto as famílias de Israel Semente e Paulo Rafael, ambos já falecidos, também foram contempladas.
O caso gira em torno do álbum "Ave Sangria", lançado em 1974, e especialmente da música "Seu Waldir", que acabou virando alvo de uma campanha moralista depois de já ter passado inicialmente pela censura oficial. O disco chegou às lojas e às rádios do Recife, mas foi recolhido no dia seguinte após pressão que, segundo os relatos relembrados agora, teria partido da esposa de um general. O impacto foi direto: a banda viu sua ascensão ser interrompida, perdeu a perspectiva financeira e acabou se desfazendo.
Em entrevista ao Diário, Marco Polo resumiu o sentimento depois da decisão: "É uma sensação de alívio, porque durante todo esse tempo a gente sentia injustiça do Estado em relação a nós." Almir de Oliveira também tratou o reconhecimento como uma espécie de novo renascimento para a Ave Sangria, banda que voltou a circular com força nas décadas seguintes depois de ser redescoberta por novas gerações.
A história da Ave Sangria já era lembrada como uma das mais simbólicas da música pernambucana dos anos 1970. Agora, ela passa a carregar também um reconhecimento oficial de que aquela interrupção não foi só um azar de trajetória nem um tropeço de mercado: foi uma violência de Estado contra uma banda que, naquele momento, estava apenas começando a subir.
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