O amuleto roqueiro que o ABBA usou quando ganhou o mundo
Por Bruce William
Postado em 16 de abril de 2026
A vitória do ABBA no Eurovision de 1974 costuma ser lembrada como aquele instante em que um grupo sueco deixou de ser promessa local para virar assunto sério no pop europeu. "Waterloo" ganhou a disputa, abriu as portas do mercado internacional e ajudou a colocar o quarteto numa rota que logo sairia da escala continental para virar fenômeno global. Só que, no meio daquela apresentação tão estudada e tão revista, existe um detalhe curioso que ficou quase escondido: Agnetha Fältskog usava um botton do Thin Lizzy na lapela.
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Foi a Far Out quem resgatou essa pequena curiosidade visual da apresentação, mostrando Agnetha com um botton do Thin Lizzy na roupa. O distintivo trazia o letreiro de "Vagabonds of the Western World", álbum lançado pela banda irlandesa em 1973 (clique aqui para ver a imagem da roupa com os bottons). Naquele momento, o Thin Lizzy ainda estava longe do auge que alcançaria depois, mas já tinha chamado atenção com "Whiskey in the Jar" e vivia uma fase importante de afirmação, tentando consolidar seu nome para além do impacto inicial daquele sucesso.
E havia mais de um detalhe no figurino. Além do botton do Thin Lizzy, aparentemente ligado à fase ou turnê de "Vagabonds" (veja neste link um exemplar semelhante à venda), a roupa de Agnetha trazia também outros dois distintivos: um com a imagem de Charlie Chaplin e outro que parece remeter a Stan Laurel. Isso deixa a cena ainda mais simpática, porque o figurino ganha um ar menos engessado e mais pessoal, como se ela levasse na lapela pequenas pistas do que gostava.
O botton do Thin Lizzy chama atenção também pelo momento da própria banda. Em 1974, o grupo ainda estava construindo sua trajetória e tentando transformar prestígio em crescimento real. Não era uma instituição do rock olhando o mundo do alto, mas uma banda em movimento, num ponto importante de sua história. E isso conversa bem com o próprio instante vivido pelo ABBA naquela noite: o grupo sueco ainda não era a máquina de hits que o mundo passaria a conhecer logo depois, mas estava justamente no momento da virada.
No caso do ABBA, aquele passo foi gigantesco. A vitória no Eurovision não foi apenas mais um troféu televisivo. Foi o começo de uma carreira internacional de verdade. "Waterloo" virou sucesso em vários países, e o grupo deixaria rapidamente de ser "aquela banda sueca que venceu o festival" para se tornar uma potência pop. O botton do Thin Lizzy acaba funcionando, então, como um detalhe saboroso de uma noite em que muita coisa começou a mudar.
Talvez seja esse o charme da história. Não é preciso tirar dela mais do que ela oferece. Basta olhar para a cena como uma boa curiosidade de bastidor: no momento em que o ABBA dava seu primeiro grande salto, Agnetha aparecia com um botton de uma banda de rock irlandesa em ascensão, ao lado de referências ao cinema cômico clássico. Isso já basta para deixar a imagem mais humana, mais viva e menos engessada. Ou seja, o "amuleto roqueiro" vale menos por qualquer influência no resultado e mais pelo retrato que deixa daquela noite. O ABBA estava prestes a ganhar o mundo com uma canção pop perfeita, e Agnetha apareceu com um botton do Thin Lizzy preso à lapela, cercado por outros pequenos distintivos, como quem carregava junto gostos pessoais e referências visuais. É o tipo de detalhe que, sozinho, não muda a história, mas deixa a história bem melhor.
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