Maior jornalista musical do mundo ouviu novas bandas e respondeu: o rock está de volta?
Por Gustavo Maiato
Postado em 26 de maio de 2026
Rick Beato decidiu testar uma pergunta que voltou a circular entre fãs, músicos e criadores de conteúdo: o rock está mesmo voltando? Em vídeo publicado em seu canal, o produtor, músico e comentarista musical ouviu dez músicas recentes de bandas e artistas de rock para avaliar o estado atual do gênero.

Logo no início, Beato disse que tem visto muitos vídeos sobre "a volta do rock". Segundo ele, parte do público aponta bandas que vêm construindo base de fãs há anos, enquanto outros desconfiam de nomes novos e usam a expressão "industry plants", termo aplicado a artistas vistos como fabricados pela indústria.
Para fugir da discussão abstrata, Beato pediu à sua equipe uma lista de músicas lançadas no último ano. A maioria dos artistas, segundo ele, tem mais de 1 milhão de ouvintes mensais no Spotify. A ideia era ouvir os sons e entender "o estado do rock".
A primeira banda analisada foi Dexter and the Moonrocks, com "Freaking Out". Beato reconheceu o grupo e apontou uma sonoridade de começo dos anos 2000. Para ele, a faixa tem um clima próximo do pop punk, embora seja claramente uma música de rock. O comentarista também destacou o crescimento da banda no streaming, de 500 mil para 8 milhões de ouvintes mensais em poucos meses.
O rock voltou?
Depois veio Throne, com "Split". A reação foi imediata. "Isso é pesado. Uau", disse Beato. Ele elogiou a mudança de andamento da faixa e chamou a composição de "muito original". Embora tenha notado que a música não é tão melódica quanto a anterior, afirmou que ela "bate muito forte".
A terceira escolhida foi The Paradox, com "Do Me Like That". Beato viu ali uma estética de fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000, com forte referência ao pop punk. Ele elogiou a construção tradicional da música, com verso, pré-refrão, refrão, pós-refrão e uma quebra com gancho. "Muito boa. Muito bem gravada e mixada também", afirmou.
O clima mudou com Knocked Loose e Denzel Curry. Beato classificou a faixa como algo próximo de "screamo moderno com blast beat", dentro de uma vertente extrema do metal. Em tom de brincadeira, disse que não seria o tipo de música para ouvir no café da manhã, a menos que alguém usasse aquilo justamente para acordar.
Na sequência, ele ouviu "Long Gone", do Superheaven. Beato identificou uma pegada de rock alternativo antigo, com traços de metal alternativo. O que mais chamou sua atenção foram as aberturas ambientais ao fundo. "Eu adoro coisas assim", disse.
O produtor também fez uma observação técnica. Segundo ele, é difícil soar novo quando uma música usa refrão de quatro acordes, com um acorde por compasso. Ainda assim, elogiou o riff do verso e disse que a faixa encontrou uma forma interessante de funcionar sem soar apenas como cópia do passado.
O The Warning apareceu com "Kerosene". Beato já conhecia o trio e elogiou a mudança da música, mas voltou a comentar a dificuldade de escapar do formato de refrão com quatro acordes. Para ele, a banda encontrou uma pequena variação harmônica que tornou a passagem mais interessante.
A banda President foi analisada com "Mercy". Beato gostou do espaço no arranjo e da construção gradual. O ponto mais elogiado foi o refrão, que fugiu do modelo mais repetitivo. Ele destacou que a banda sustentou um acorde por quatro compassos antes de mudar, o que deu outra dinâmica à música.
Em seguida, veio Dead Pony, banda que Beato acredita ser da Escócia. Ele já conhecia algumas faixas do grupo e considerou a música "bem legal". O comentarista também fez questão de destacar que o grupo tem cerca de 262 mil ouvintes mensais, abaixo da marca de 1 milhão. Para ele, é importante incluir bandas menos conhecidas, porque ultrapassar 100 mil ouvintes mensais no Spotify já é uma conquista difícil.
Com I Prevail e "Violent Nature", a avaliação foi mais crítica. Beato notou o uso de violino, mas se incomodou com o som hipereditado, marcado por cortes abruptos para o silêncio. Ele também disse que a mixagem soa muito "na cara" e que as guitarras têm um timbre áspero. Para ele, a faixa vira "um ataque aos ouvidos o tempo todo".
A última música foi "Big Dog", do The Last Dinner Party. Beato destacou o contraste com a faixa anterior. Em vez de uma produção hipereditada e agressiva, encontrou um som mais indie, com espaço no arranjo. O detalhe que mais o agradou foi o refrão construído sobre um riff, algo que, segundo ele, praticamente não apareceu nas outras músicas da lista.
No fim, Beato não decretou de forma definitiva que o rock voltou. Mas o vídeo mostra um cenário variado. Há bandas apostando em nostalgia dos anos 2000, nomes mais pesados, grupos de metal extremo, rock alternativo, indie e pop punk repaginado.
A pergunta fica aberta, como ele mesmo propôs ao público: o rock está de volta? Pela seleção ouvida, talvez a resposta mais honesta seja que ele nunca desapareceu. Apenas mudou de rota, saiu do centro das paradas e agora tenta voltar com novas caras, novos sons e muita referência ao passado.
Confira o vídeo completo, em inglês, abaixo.
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