O cantor em que Robert Plant se inspirou bastante: "Eu fazia bico porque queria ser igual a ele!"
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de maio de 2026
Robert Plant aprendeu com Steve Marriott parte do caminho que o levou a se tornar uma das grandes figuras do rock. Segundo o jornalista Tim Coffman, da Far Out Magazine, o vocalista de Led Zeppelin não queria apenas copiar seus ídolos. Ele buscava transformar as influências em algo próprio.
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Coffman escreve que, para Plant, "a influência só era valiosa se, em algum momento, evoluísse para algo pessoal". Led Zeppelin começou apoiado no blues, mas encontrou sua força quando deixou de reproduzir o passado de modo fiel. A banda exagerou aquela tradição e a levou para um som mais alto, estranho e teatral.
No início, Plant ainda mostrava as referências de forma clara. O texto da Far Out afirma que sua voz às vezes surgia "como nada que alguém já tivesse ouvido". Em outros momentos, ele soava como um cantor de blues na linha de Howlin' Wolf, mas com a potência e a precisão aguda associadas a Janis Joplin.
Nos shows, essa mistura ganhou outra dimensão. Plant tratava a voz como instrumento físico. Ele não apenas cantava letras. Empurrava o corpo e a garganta ao limite, fazia jogos vocais com a guitarra de Jimmy Page e transformava apresentações de Led Zeppelin em exercícios de força, carisma e risco.
Robert Plant e Steve Marriot
A imagem chegou ao auge em The Song Remains the Same, filme que registrou a banda no Madison Square Garden. Coffman observa que o material mostra Led Zeppelin no auge, mas também em seu lado mais exagerado. As sequências de fantasia indicavam que o grupo já abraçava a própria mitologia com a mesma intensidade de seus fãs.
Esse excesso, porém, não parecia constranger Plant. Para ele, a cena grandiosa fazia parte do mesmo impulso que o movia desde jovem: imitar os artistas que admirava até encontrar uma identidade. Entre esses modelos, Steve Marriott ocupava lugar central.
Marriott, vocalista do Small Faces e do Humble Pie, chegou a recusar um convite para entrar em Led Zeppelin no fim dos anos 1960. Mesmo assim, continuou como referência para Plant. O cantor admitiu isso ao relembrar a formação de sua persona no palco.
"Eu fazia bico porque queria ser como, 'Vamos lá!' Eu queria ser Steve Marriott, pelo amor de Deus. Mas, naquele ambiente, eu já estava muito além disso. Eu fazia parte de algum tipo de novo animal que incluía tudo o que você vê naquele filme. E não posso ficar envergonhado por isso", disse Plant, em citação reproduzida pela Far Out Magazine.
A frase resume a passagem do fã ao protagonista. Plant começou olhando para Marriott, mas foi além da imitação. No palco, criou a figura do "Golden God", misto de cantor de blues, astro teatral e líder de uma banda que já se via como lenda.
Como escreve Coffman, a chave está em "continuar fingindo ser uma estrela do rock até que essa estrela se manifeste sempre que você sobe ao palco". Plant fez exatamente isso. Partiu de Marriott, absorveu o blues e terminou como um artista impossível de reduzir às próprias influências.
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