A música mais sombria do Metallica de todos os tempos, segundo James Hetfield
Por Gustavo Maiato
Postado em 23 de maio de 2026
James Hetfield considera "One" a música mais sombria de toda a carreira do Metallica. A faixa, lançada em ...And Justice for All, de 1988, foi inspirada no livro Johnny Got His Gun, de Dalton Trumbo, e narra a história de um soldado preso ao próprio corpo depois de perder membros e sentidos na guerra.
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Segundo Tim Coffman, da Far Out Magazine, Hetfield entendeu cedo que o horror mais forte não vinha de demônios ou símbolos ocultos, mas "dos perigos do homem". Para o jornalista, algumas das melhores letras do vocalista tratam justamente de males reais, como guerra, dor, solidão e destruição.
A Far Out lembra que o Metallica já havia explorado temas pesados em músicas como "Fade to Black", sobre alguém que pensa em tirar a própria vida, e "Disposable Heroes", que mostra o soldado como peça descartável de uma máquina de guerra. Mas, para Hetfield, nenhuma delas chega ao nível de "One".
"Para mim, 'One' é como a escuridão definitiva. A maior solidão que alguém poderia sentir", disse Hetfield, em declaração recuperada pela Far Out. "Meu irmão me falou sobre isso. Aquilo me assustou pra caramba."
O impacto veio da história por trás da canção. Em Johnny Got His Gun, o personagem principal acorda depois de uma explosão e percebe que perdeu braços, pernas, audição, fala e visão. Continua vivo, mas sem conseguir se comunicar. A única saída é tentar transmitir mensagens em código Morse.
"Quando eu estava escrevendo a música, lendo o livro, ele não conseguia falar por si mesmo, então eu dei uma voz a ele", explicou Hetfield. "'Estou preso e não sei o que fazer.'"
Coffman observa que "One" é diferente de "Disposable Heroes". Na primeira, o barulho da batalha já passou. O horror não está mais no campo de guerra, mas na sobrevivência. O personagem não morre. Ele permanece consciente, isolado e condenado a sentir a própria prisão.
A estrutura da música reforça essa descida. O começo é lento, melancólico e quase fantasmagórico. Hetfield canta como se o personagem tentasse entender o que aconteceu. Depois, a faixa explode em riffs secos e rápidos. Segundo a Far Out, essa parte final soa como o pânico do protagonista ao perceber que talvez nunca mais consiga falar com ninguém.
O videoclipe tornou a experiência ainda mais pesada. A banda usou cenas do filme baseado no livro de Trumbo, com trechos em que Johnny tenta se comunicar com os médicos. Em um dos momentos mais perturbadores, ele pede que acabem com sua vida.
Para Coffman, "One" talvez fosse sombria demais até para a MTV. Ainda assim, o vídeo ajudou o público a entender a dimensão da letra. O Metallica não precisava de uma produção visual grandiosa para reforçar a música, mas as imagens deram contexto ao sofrimento narrado por Hetfield.
A canção também mostra uma das marcas mais fortes do Metallica: transformar temas extremos em música de grande alcance. "One" fala de guerra, mutilação, silêncio e desespero, mas virou um clássico. É pesada não apenas pelos riffs, mas pela ideia de um ser humano vivo e incapaz de pedir ajuda.
A Far Out resume a força da faixa ao dizer que ela não foi feita para tocar em uma reunião leve entre amigos e família. Esse nunca foi o objetivo. O metal, escreve Coffman, nasceu também de artistas tentando dar forma à dor do mundo.
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