A canção punk que os Stones lançaram nos anos 70, e que causou problemas com Keith Richards
Por Bruce William
Postado em 29 de junho de 2026
Punk não é a primeira palavra que costuma aparecer quando alguém pensa nos Rolling Stones. A banda nasceu do blues, do R&B, do rock and roll americano e de uma certa malandragem britânica que virou marca registrada. Mas, se a estética punk dos anos 1970 parecia nova, a atitude de cutucar o estabelecido não era exatamente estranha para Mick Jagger e companhia.
Rolling Stones - Mais Novidades
Jagger sempre teve um radar atento para o que estava acontecendo ao redor. Enquanto Keith Richards tendia a proteger com mais força a ligação da banda com blues, Chuck Berry e rock and roll clássico, o vocalista costumava olhar para movimentos novos com menos medo de contaminação. Essa diferença entre os dois ajudou os Stones a sobreviverem a mudanças de época sem virarem peça de museu.
Nos anos 1970, essa tensão ficou especialmente clara. Punk e disco cresciam ao mesmo tempo, Nova York parecia jogar novas possibilidades na cara de todo mundo, e os Rolling Stones precisavam responder a um ambiente em que muitas bandas antigas começavam a ser tratadas como dinossauros. "Some Girls", lançado em 1978, foi a resposta mais afiada do grupo naquele período.
Em entrevista à Rolling Stone recuperada pela Far Out, Jagger disse que Nova York foi uma influência central para o álbum, dando ao disco um impulso extra e uma dureza maior. Ele também reconheceu que o punk fazia parte daquele cenário. "E então, claro, havia a coisa punk que tinha começado em 1976. Punk e disco estavam acontecendo ao mesmo tempo, então foi um período bastante interessante."
No meio desse cruzamento de referências, Jagger apontou "Respectable" (youtube) como uma faixa em que os Stones deixaram aparecer uma sensibilidade punk. A música é rápida, direta, ríspida e parece correr com os cotovelos abertos. Não abandona completamente o DNA da banda, mas troca parte do balanço relaxado por uma urgência mais seca. "Sim, esse é o tipo de espírito punk nervoso. Sim, o groove dela - e em todas aquelas músicas, a ideia era tocar tudo rápido, rápido, rápido. Tive muitos problemas com Keith [Richards] por causa disso, mas era essa a onda naquele momento."
A discordância com Keith é um detalhe importante. "Respectable" não nasceu apenas como flerte estilístico, mas como resultado de uma disputa interna sobre até onde os Rolling Stones deveriam se aproximar da velocidade e da crueza daquele momento. Jagger queria empurrar a banda para uma energia mais imediata. Keith, como quase sempre, parecia desconfiar de qualquer coisa que ameaçasse o velho esqueleto do rock and roll.
Mesmo assim, "Respectable" funciona porque não soa como fantasia de veteranos tentando posar de jovens punks. A música ainda é Stones, com guitarras cortantes, deboche e aquele jeito de parecer suja sem perder a precisão. O punk entra menos como figurino e mais como aceleração: menos polimento, mais ataque.
Anos depois, a inclinação punk de Jagger ainda seria lembrada dentro da própria banda. Ao falar sobre "Bite My Head Off", faixa de "Hackney Diamonds" com Paul McCartney no baixo, o vocalista disse que já havia escrito muitas músicas punk para os Stones, mas nem sempre conseguia emplacá-las com os colegas. Keith resumiu de outro jeito, ao jornal The Sun: "Mick é punk! O lado punk de Jagger sempre esteve ali, e nunca vamos nos livrar dele."
"Some Girls" não é punk, nem disco, nem apenas rock tradicional. É um álbum dos Rolling Stones reagindo ao mundo à sua volta, absorvendo o que fazia sentido e descartando o resto. Em vez de tentar competir com os punks em seus próprios termos, a banda pegou parte daquela eletricidade e colocou dentro de sua própria engrenagem.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A noite em que Noel Gallagher ouviu "a melhor música de sua vida"
O rockstar que se gaba de ter Donald Trump e Elon Musk na agenda do telefone
O limite que João Gordo estabeleceu para se aposentar do Ratos de Porão: "Prefiro parar"
Duff McKagan reflete sobre o dramático fim do Velvet Revolver
A música do Venom inspirada em um dos grandes clássicos do Kiss
Tony Iommi admite estar pensando cada vez mais na própria morte
Yngwie Malmsteen explica "não" a David Lee Roth e por que não trabalharia com Dio
As duas bandas históricas que quase ficaram com João Gordo antes do Ratos de Porão
Marty Friedman admite ter pisado na bola em saída do Megadeth
O que aconteceu no túmulo de Ozzy Osbourne que levou Kelly a uma prática milenar
A banda de rock que multiplicou cachê por 20 após viralizar
A música do Dream Theater que "nasceu" depois que Mike Portnoy assistiu show do Pantera
"Não dá para fazer uma lista de músicas do Judas Priest sem incluir 'Painkiller'", diz Ian Hill
Por que o Rush passou a ensaiar os próprios erros antes de voltar aos palcos
A música de 1984 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez



Ninguém tinha sobrenome na casa onde os Rolling Stones gravaram "Exile on Main St."
Rolling Stones voltam ao estúdio apenas três meses após lançar novo álbum
5 prisões de astros do rock que tiveram consequências muito além da cadeia
Quando Keith Richards se apaixonou por uma música - e pela vocalista que a cantava
Os dois clássicos do rock que Ian Anderson do Jethro Tull acha genéricos demais
O vocalista que Steven Tyler odiava ser acusado de copiar, mas acabou concordando que era o melhor
O lendário músico que Keith Richards lamenta nunca ter conseguido ver ao vivo
A superbanda com integrante dos Rolling Stones que Jimmy Page nunca esqueceu
É verdade que John Paul Jones toca piano em "She's a Rainbow", dos Rolling Stones?
Os 100 melhores álbuns dos anos 1980 segundo a Classic Rock
Quem é o Jack citado na música "Jumpin' Jack Flash", dos Rolling Stones?


