Como Black Sabbath teve dois cantores seguidos que interpretaram Jesus Cristo?
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de junho de 2026
Jeff Fenholt teve uma das trajetórias mais improváveis ligadas ao Black Sabbath. Segundo Eduardo de Souza, do canal Sabbath Bla Bla, o vocalista passou pela Broadway, foi capa da Time, se envolveu com o círculo de Salvador Dalí, gravou demos com Tony Iommi e depois virou pastor evangélico nos Estados Unidos.
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Fenholt nasceu em 15 de setembro de 1950, nos Estados Unidos. De acordo com o canal, ele teve uma infância difícil, marcada por violência doméstica e passagens por reformatório juvenil. Foi nesse período que descobriu o rock and roll e percebeu que conseguia cantar melhor do que os outros jovens ao seu redor.
A primeira experiência profissional veio com o The Fifth Order, banda regional de Ohio. Fenholt entrou no grupo aos 16 anos, depois de ser visto cantando em um bar. O canal ressalta, porém, que ele não participou do single "Going Too Far", sucesso local lançado antes de sua entrada na banda.
A entrada de Jeff Fenholt no Black Sabbath
A virada veio em 1971. Segundo o Sabbath Bla Bla, Fenholt foi a Los Angeles para uma reunião com a CBS, mas acabou entrando por acaso em uma fila de audição para o musical Jesus Christ Superstar. Fez o teste e conseguiu o papel de Jesus Cristo na montagem da Broadway.
O musical virou um fenômeno. Fenholt interpretou Jesus mais de 700 vezes até 1973 e chegou a ser capa da revista Time. "Jeff Fenholt se tornou uma celebridade", afirma Eduardo de Souza no vídeo.
Depois da saída do musical, Fenholt passou a cultivar uma imagem de astro do rock. Ele dizia ter convivido com nomes como Ritchie Blackmore e integrantes do Led Zeppelin e do Bad Company. Também relatava proximidade com Salvador Dalí e Gala Dalí.
O episódio mais controverso dessa fase envolve Gala. O canal cita uma reportagem de 1998 da Vanity Fair sobre a biografia de Salvador Dalí escrita por Ian Gibson. Segundo o relato, Fenholt teria sido um dos amantes de Gala, que era esposa e musa do pintor espanhol.
A ligação com o Black Sabbath ocorreu em 1985. Depois da saída de Ian Gillan, Tony Iommi procurava um novo vocalista. Segundo o Sabbath Bla Bla, uma fita com a voz de Fenholt chegou a Iommi, que viu uma coincidência curiosa: o Sabbath havia acabado de trabalhar com Gillan, o Jesus Cristo da versão original do álbum Jesus Christ Superstar, e agora surgia Fenholt, o Jesus da Broadway.
Fenholt foi vocalista do Black Sabbath, ao menos entre janeiro e maio de 1985, segundo o canal. Nesse período, contribuiu com letras e melodias para músicas que Iommi e Geoff Nicholls desenvolviam. As gravações contaram também com Gordon Copley e Eric Singer, músicos ligados à banda de Lita Ford.
Uma das faixas desse período foi "Star of India", que depois ganharia nova forma em "Seventh Star", música-título do álbum lançado em 1986 com Glenn Hughes nos vocais. "Quatro das músicas desenvolvidas por Jeff Fenholt ganharam nova versão e nova letra no álbum Seventh Star", diz Eduardo de Souza.
A saída de Jeff Fenholt do Black Sabbath
A passagem terminou antes de um lançamento oficial. Segundo o canal, o produtor Jeff Glixman teria dito a Iommi que Fenholt não era bom o suficiente para o Black Sabbath. Fenholt, por sua vez, contou outra versão: disse ter visto na TV uma cena de crime associada ao nome da banda e entendido aquilo como um sinal para deixar o grupo.
Depois, Fenholt se aproximou do metal cristão e trabalhou com o guitarrista Joshua Perahia no projeto Joshua, entre 1985 e 1988. Em seguida, dedicou-se à carreira religiosa e tornou-se televangelista, atuando na TBN, uma das maiores redes evangélicas dos Estados Unidos.
Tony Iommi se surpreendeu com a conversão. Segundo Eduardo de Souza, o guitarrista dizia gostar de Fenholt, mas o via como uma das últimas pessoas que imaginaria como pastor. Iommi também teria se incomodado quando o ex-vocalista passou a usar sua ligação com o Black Sabbath em narrativas sobre satanismo e rock.
Fenholt seguiu como pregador, escritor e figura da televisão religiosa por décadas. Ele morreu em setembro de 2019, poucos dias antes de completar 69 anos. Sua história segue como uma das mais estranhas ramificações do chamado "Sabbathverso": Broadway, rock pesado, Dalí, Black Sabbath e púlpito evangélico no mesmo enredo.
Confira o vídeo completo abaixo.
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