Como a juventude foi do punk ao conservadorismo? Youtuber explica
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de junho de 2026
A cultura jovem costuma se mover em ondas. Em uma década, a rebeldia domina; na seguinte, surge uma reação quase oposta. É a partir dessa lógica que a youtuber Marina Ferreira analisou como parte da juventude saiu do imaginário punk, ligado à contestação do sistema, e chegou ao conservadorismo dos anos 2020.

Segundo Marina, o punk nasceu em meados dos anos 1970, na Inglaterra e nos Estados Unidos, como uma resposta ao movimento hippie. Enquanto os hippies pregavam paz, amor e espiritualidade, os punks viam nisso certa ingenuidade diante de crises econômicas, desemprego e falta de perspectiva. "A música foi um motor desse movimento", afirma ela, lembrando que as canções eram curtas, diretas e contra o sistema.
No Brasil, a youtuber destaca que o punk encontrou terreno fértil durante a ditadura militar. Bandas como Inocentes, Cólera e Ratos de Porão ajudaram a formar uma cena forte em São Paulo, com shows improvisados, garagens, fanzines e uma estética baseada no "faça você mesmo". Marina também cita a cena de Brasília e as rivalidades entre punks paulistas, brasilienses e do ABC.
Punk x capitalismo
Para ela, o declínio do punk começou quando o próprio sistema passou a absorver aquilo que o movimento combatia. "A partir do momento que as grandes gravadoras começaram a ver um potencial comercial no punk, foi o momento que o movimento começou a declinar", diz. A estética rebelde acabou virando produto, indo das roupas customizadas para as araras de shopping.
Marina interpreta esse processo como parte de um movimento maior da cultura. Depois da rebeldia punk, os anos 1980 trouxeram a força da imagem, da MTV, da new wave e do glam metal. Na década seguinte, o grunge e o minimalismo surgiram como reação ao brilho e ao exagero dos anos 1980.
Nos anos 2000, a internet e a globalização aceleraram tudo. Já nos anos 2010, segundo a youtuber, vieram o ativismo de redes sociais, a hiperconsciência política, os movimentos feministas, antirracistas e LGBTQIA+, além da ideia de que todo mundo precisava se posicionar sobre tudo.
O conservadorismo dos anos 2020 aparece, na análise dela, como uma reação a esse excesso. Pandemia, crises econômicas, guerras, inteligência artificial e saturação informacional teriam levado parte da juventude a buscar ordem, estabilidade e segurança. Nesse contexto, Marina cita fenômenos como "tradwives", estética clean girl, renascimento religioso e nacionalismo.
No fim, a youtuber resume a tese dizendo que a sociedade vive em ondas culturais. "Tudo que acontece numa década, na outra vai chegar uma reação", afirma. Para ela, tanto o punk quanto o conservadorismo acabam sendo absorvidos pelo capitalismo: um virou produto de moda; o outro, estética, livros, igrejas e conteúdo de internet.
Confira o vídeo completo abaixo.
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