A levada de John Bonham que Robert Plant diz que ninguém conseguiu igualar
Por Bruce William
Postado em 21 de junho de 2026
A bateria de "When the Levee Breaks" não entra correndo. Ela chega pesada, espaçada, quase como se algo enorme estivesse atravessando lentamente uma rua vazia. Poucos segundos bastam para reconhecer John Bonham, mas o curioso é que a levada em si não parece uma demonstração atlética. O mistério está em outro lugar.
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A música que fecha o quarto álbum do Led Zeppelin nasceu de um blues gravado por Kansas Joe McCoy e Memphis Minnie em 1929, inspirado pela grande enchente do Mississippi de 1927. Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e Bonham transformaram aquela matriz antiga numa peça muito mais densa, com harmônica, guitarras arrastadas e uma sensação de desastre se aproximando.
O centro de tudo é a bateria. Durante as gravações em Headley Grange, a equipe colocou o kit de Bonham no hall da casa, aproveitando o teto alto e a reverberação natural do ambiente. Microfones posicionados à distância captaram não apenas o instrumento, mas o tamanho do espaço ao redor dele. Depois, compressão e eco ajudaram a ampliar ainda mais aquela sensação de profundidade.
Por isso a batida soa menos como uma bateria comum e mais como uma presença. O bumbo e a caixa parecem vir de longe, mas atingem com força. Há técnica, claro, mas a força da gravação está na combinação entre o toque de Bonham e a maneira como Page e o engenheiro Andy Johns exploraram a sala.
Robert Plant via aquela performance como um dos grandes momentos do baterista. "'When the Levee Breaks' foi um passo gigantesco", afirmou para a Musicradar "Ninguém além de John Bonham poderia ter criado aquela levada sensual, e muitos tentaram."
A palavra escolhida por Plant diz bastante. A levada não impressiona por excesso de notas, mas pelo balanço. Bonham toca com uma espécie de atraso controlado, empurrando a música sem perder o chão. É o tipo de coisa que outro baterista pode transcrever, estudar e repetir em tese, mas dificilmente reproduzir com o mesmo peso.
Jason Bonham, filho do músico, já resumiu a introdução como "a bateria dos deuses". Dave Grohl também colocou o pai de Jason num lugar quase inalcançável, dizendo que Bonham tocava como alguém à beira de um penhasco, sem que o ouvinte soubesse exatamente o que aconteceria em seguida.
A história posterior confirmou o tamanho daquela gravação. Conforme destaca a Far Out, o trecho de bateria virou um dos mais sampleados do rock, aparecendo em faixas de Beastie Boys, Dr. Dre, Eminem, Beyoncé e muitos outros artistas. Em vez de tentar recriar o som, muita gente preferiu usar o próprio Bonham como matéria-prima.
Talvez seja essa a melhor prova de que Plant tinha razão. "When the Levee Breaks" não depende de uma virada impossível nem de um solo exibicionista. É uma levada relativamente simples que se tornou impossível de substituir. Muitos bateristas conseguem tocar algo parecido. Quase nenhum faz parecer que a represa está mesmo prestes a romper.
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