O maior baixista de todos os tempos, de acordo com Lemmy
Por Bruce William
Postado em 20 de junho de 2026
Lemmy Kilmister nunca tratou o baixo como um móvel encostado no fundo da banda. No Motörhead, ele usava o instrumento como uma espécie de motosserra rítmica, com timbre metálico, ataque de guitarra e pouca paciência para delicadezas. A função não era apenas sustentar a música. Era empurrar tudo para a frente.
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Esse jeito já aparecia antes do Motörhead. No Hawkwind, Lemmy ajudou a dar mais peso ao space rock do grupo, com uma presença que às vezes parecia escapar do papel tradicional do baixista. Ele não ficava quieto no canto marcando a harmonia; avançava sobre a música como se o baixo também pudesse ser instrumento de ataque.
Mesmo assim, havia um músico que Lemmy colocava acima de todos. Não era alguém de sua turma mais barulhenta, nem um baixista associado ao metal. Sua grande referência era John Entwistle, do The Who, apelidado de "Thunderfingers" e "The Ox", justamente por tocar com uma precisão quase absurda enquanto o caos acontecia ao redor.
Entwistle ajudou a mudar a maneira como o baixo aparecia no rock. Em vez de ficar escondido atrás da guitarra de Pete Townshend e da bateria explosiva de Keith Moon, ele criava linhas rápidas, cheias de movimento, com timbre cortante e presença de instrumento principal. Em "My Generation", gravada ainda nos anos 1960, seu solo de baixo virou uma pequena revolução dentro de uma música de rock.
Lemmy não economizava elogios quando falava dele. "John Entwistle, do The Who. O melhor baixista que já vi, Entwistle! McCartney vem em segundo, embora ele continue cedendo ao lado frouxo dele. Mas é um grande baixista", disse à Revolver (via Guitar Player).
Anos depois, ao comentar os baixistas que admirava, Lemmy foi ainda mais longe, destaca a Far Out. "Ele era o melhor baixista da face da Terra. Era o melhor para mim, sem disputa. Tinha tanto domínio do instrumento. Você nunca o via vacilar. Nunca ouvi uma nota errada dele. E era muito rápido, as duas mãos trabalhando como o inferno."
O elogio não vinha de reverência distante. Lemmy conhecia o peso de tocar de um jeito próprio, sem obedecer exatamente ao manual do instrumento. Ao olhar para Entwistle, via alguém que havia feito isso antes: um baixista capaz de ocupar espaço, criar linhas memoráveis e transformar precisão em impacto físico. A admiração também tinha uma camada pessoal. Lemmy contou que conheceu Entwistle em 1966, quando sua banda da época, The Vickers, abriu para o The Who em Blackpool. Para ele, o baixista continuou sendo "um sujeito legal" até morrer, em 2002.
Lemmy acabou construindo uma linguagem completamente diferente. Onde Entwistle era controle, velocidade e desenho melódico, ele era ferrugem, volume e pancada. Mas a ligação entre os dois está justamente na recusa de tratar o baixo como instrumento secundário. Para Lemmy, Entwistle mostrou que quatro cordas podiam comandar uma banda inteira sem pedir licença.
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