A banda que Paul Stanley considera a essência do rock and roll
Por Bruce William
Postado em 18 de junho de 2026
Antes da maquiagem, das plataformas, das explosões e do Kiss, Paul Stanley era um garoto de Nova York tentando entender até onde uma banda de rock podia chegar. Ele já havia sido marcado pelos Beatles na televisão e acompanhava a música britânica com atenção, mas um show do Led Zeppelin em 1969 deu a essa admiração outro peso.
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Stanley viu o grupo no New York State Pavilion, local ligado à Feira Mundial de Nova York, diante de uma plateia relativamente pequena para o que Led Zeppelin se tornaria depois. A banda ainda estava no começo da carreira, mas já trazia a formação que mudaria a linguagem do rock pesado: Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham.
O impacto não veio apenas do volume ou da técnica. Para Stanley, havia uma combinação de força física, sensualidade e música que fazia o show parecer maior do que uma simples apresentação. "Eu os vi tocar para menos de 2 mil pessoas", contou ele em fala publicada na Goldmine "Foi o mais próximo de uma experiência religiosa. Posso contar momentos assim nos dedos de uma mão."
Ele descreveu aquilo como "um casamento espiritual de sexualidade e música". A frase combina bem com a maneira como o Led Zeppelin funcionava no palco: Plant avançando com presença quase animal, Page comandando riffs e solos como se estivesse conduzindo uma cerimônia elétrica, Bonham empurrando tudo com brutalidade e Jones sustentando a estrutura sem precisar disputar o centro.
"Eles eram a personificação, em seu auge, de tudo", disse Stanley. "Essa é a essência do rock and roll. Você pode chamar de heavy metal ou do que quiser, mas a base era Robert Johnson, passando por Elvis, tocado através de um grande amplificador Marshall. Era incrível."
Anos depois, ao falar novamente sobre o Led Zeppelin, Stanley resumiu a influência da banda de outro modo. Para ele, Page, Plant, Jones e Bonham "escreveram o livro", enquanto todos os outros seriam apenas acréscimos. Também afirmou que o DNA do grupo aparece em praticamente tudo que veio depois no rock.
A declaração tem um peso curioso vindo de alguém que construiria uma banda quase oposta em método, reflete a Far Out. O Kiss transformou o rock em teatro visual, personagem e marca. O Led Zeppelin, embora também tivesse uma imagem poderosa, parecia depender menos de artifício externo. A sensação descrita por Stanley vinha de quatro músicos tocando como se estivessem descobrindo uma força maior do que eles próprios.
O show não fez Stanley desistir por se sentir pequeno diante daquilo. Fez o contrário. Ele sairia com a impressão de que talvez nunca fosse tão bom, mas que aquele era o tipo de grandeza a perseguir. Antes de criar seu próprio circo elétrico com o Kiss, ele viu no Led Zeppelin uma espécie de medida máxima: o rock como desejo, peso, mistério e amplificador no talo.
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