O defeito que une Jethro Tull e AC/DC, e que foi apontado pelo parceiro de Elton John
Por Bruce William
Postado em 15 de julho de 2026
Poucas duplas acumularam um catálogo tão grande e variado quanto Elton John e Bernie Taupin. Mesmo assim, houve uma época em que os dois eram acusados de repetir fórmulas e permanecer presos ao mesmo tipo de composição. O letrista não aceitou a cobrança em silêncio e escolheu o Jethro Tull como contraexemplo.
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"Fiquei espantado quando disseram que nossas coisas soavam iguais e que precisávamos sair daquela rotina", contou Taupin à Rolling Stone. Para ele, a acusação parecia especialmente estranha porque inúmeras bandas mantinham características reconhecíveis de um disco para outro sem receber o mesmo tratamento.
"Por que implicar conosco? Por que não escolher alguém como o Jethro Tull, em que há sempre o mesmo tipo de formação, o mesmo tipo de construção de música e a mesma sensação?", questionou. Taupin fez questão de acrescentar que não via necessariamente um problema nisso: "Não que seja ruim. Eu gosto do Jethro Tull".
A provocação pode soar absurda para quem conhece a quantidade de mudanças atravessadas pela banda de Ian Anderson, do blues pesado dos primeiros anos às suítes extensas, ao folk e aos teclados dos anos 1980. Ainda assim, pontua a Far Out, existe uma identidade imediatamente reconhecível, construída pela flauta, pelo fraseado vocal e por certas maneiras recorrentes de organizar as canções.
É o mesmo "defeito" frequentemente atribuído ao AC/DC. Há décadas alguém repete que os australianos gravam sempre o mesmo disco, como se manter riffs, andamento e espírito próprios fosse automaticamente sinal de falta de imaginação. Angus Young e companhia jamais demonstraram grande preocupação com a acusação - até porque poucas bandas encontraram uma fórmula tão eficiente.
Taupin também sabia que reconhecimento não depende apenas de reinventar tudo a cada álbum. Ele próprio apontou "Candle in the Wind" como talvez a composição mais próxima da perfeição feita com Elton John, graças ao casamento entre letra e melodia. Não havia ali necessidade de fugir deliberadamente do que ambos faziam bem.
No caso do Jethro Tull, repetir determinadas características não impediu a banda de atravessar décadas mudando de pele. Assim como ocorre com o AC/DC, a familiaridade pode ser justamente parte do apelo: muda-se o suficiente para criar novas músicas, mas permanece aquilo que permite identificar o artista em poucos segundos.
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