A banda que Eric Clapton não compreendia, e queria tocar com eles pra ver como funcionava
Por Bruce William
Postado em 14 de setembro de 2026
Eric Clapton não foi exatamente conquistado pelo Grateful Dead de primeira. Em 1968, quando a banda de Jerry Garcia já se tornava símbolo da cena de San Francisco, o guitarrista britânico ouvia tudo aquilo com certa desconfiança.
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Em entrevista à Rolling Stone naquele ano, Clapton disse que não considerava a qualidade musical do grupo em disco tão alta quanto a de outras boas bandas. "Se o Grateful Dead é um dos melhores, eles não estão fazendo um trabalho muito bom em disco", afirmou.
A crítica fazia algum sentido dentro da lógica dele. Clapton vinha de uma tradição muito mais baseada em gravações de blues, riffs definidos e performances relativamente compactas, enquanto o Dead construía sua reputação principalmente no palco, com improvisações longas e músicas que mudavam de forma a cada noite.
Nem Jerry Garcia escapou completamente. Clapton reconhecia que ele tocava "muito bem" e com precisão, mas acrescentou que aquele estilo "não era muito a minha praia".
Só que o tempo mudou bastante essa impressão. Em uma entrevista de 1998 à CNN, Clapton admitiu que gostaria de ter experimentado aquilo por dentro. "Eu teria adorado tocar com eles, na verdade. Teria sido muito divertido, só para pegar um pouco daquela vibração… só para entender como funcionava."
A declaração ganha peso porque, a essa altura, Jerry Garcia já havia morrido havia três anos. O Grateful Dead encerrara sua trajetória regular em 1995, e a oportunidade de descobrir pessoalmente como aquela química funcionava havia desaparecido. E o curioso é que Clapton não precisava necessariamente passar a considerar o Dead uma grande banda de estúdio para mudar de opinião. O que parece ter despertado sua curiosidade foi justamente aquilo que antes escapava aos discos: a dinâmica coletiva, a improvisação e a sensação de que as músicas podiam se transformar completamente no palco.
Décadas depois da primeira crítica, Clapton talvez ainda não tivesse virado um Deadhead, mas já entendia que havia ali alguma coisa difícil de medir pela qualidade de uma gravação. E, para um músico tão acostumado a controlar cada detalhe da própria guitarra, a ideia de entrar naquela bagunça organizada acabou parecendo tentadora.
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