A banda que reviveu estilo esquecido de metal e arrecadou R$705 mil em 37 minutos
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de julho de 2026
Certas sonoridades nunca desaparecem completamente. Mesmo quando deixam de ocupar os grandes palcos, continuam circulando por pequenos clubes, coleções de vinil e bandas dispostas a recuperar guitarras carregadas de fuzz, órgãos Hammond e atmosferas ocultistas. Nos últimos anos, o doom metal inspirado na década de 1970 voltou a ganhar força - e o Castle Rat é um dos principais responsáveis.
Formado no Brooklyn em 2019, o grupo liderado pela vocalista e guitarrista Riley Pinkerton, conhecida no palco como The Rat Queen, combina influências de Black Sabbath, psicodelia, fantasia e uma elaborada mitologia própria. O que começou com fantasias improvisadas para uma apresentação de Halloween acabou se transformando em parte fundamental da identidade da banda.
O primeiro álbum, "Into the Realm", foi lançado em 2024 e chegou ao topo da parada de hard rock do Bandcamp. No ano seguinte, o Castle Rat apresentou "The Bestiary", trabalho que chamou atenção não apenas pela música, mas também pela campanha de financiamento coletivo que permitiu sua realização.
A meta estabelecida no Kickstarter foi alcançada em apenas 37 minutos. Ao final da campanha, a banda havia arrecadado US$ 139 mil, valor equivalente a aproximadamente R$ 705 mil, considerando a cotação de cerca de R$ 5,07 por dólar registrada em 14 de julho de 2026.
Em matéria publicada pelo Ultimate Guitar, o autor identificado como Kalu destacou que Castle Rat e Green Lung estão fazendo o "trabalho pesado para manter vivo o som dos anos 1970". Em vez da produção limpa, comprimida e extremamente precisa do metal moderno, as bandas preferem amplificadores valvulados, chiados de fita e uma execução mais orgânica.
O Castle Rat também transformou seu universo visual em uma espécie de história em quadrinhos apresentada no palco. Embora fantasias e personagens pudessem ser tratados apenas como um truque de marketing, a banda sustenta o espetáculo com riffs pesados e uma sonoridade próxima do proto-metal e do doom clássico.
O crescimento levou o grupo a espaços muito maiores. Em 2026, o Castle Rat participou da turnê conjunta de Amon Amarth e Dethklok, mostrando como uma banda criada dentro do circuito independente conseguiu levar sua estética ocultista para apresentações em arenas.
Outro nome importante desse renascimento é o Green Lung, formado em Londres em 2017. A banda mistura o peso do Black Sabbath, os órgãos de Deep Purple e Uriah Heep e referências ao folclore e ao cinema britânico de horror dos anos 1970.
Para o Ultimate Guitar, a principal diferença entre o movimento atual e outras ondas retrô está na escala alcançada. Castle Rat e Green Lung deixaram de ser apenas curiosidades cultuadas por pequenos grupos: passaram a tocar em grandes festivais, abrir turnês em arenas e mostrar que riffs antigos, quando acompanhados de uma identidade convincente, ainda podem conquistar uma nova geração.
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