O maior guitarrista de todos os tempos, segundo Tony Iommi; "meu ídolo"
Por Bruce William
Postado em 08 de julho de 2026
Tony Iommi é um dos nomes que mudaram o peso da guitarra no rock. Com o Black Sabbath, ele ajudou a transformar acordes arrastados, afinações mais graves e climas sombrios em uma linguagem que abriria caminho para o heavy metal. Por isso, quando se fala nas influências do guitarrista, é fácil imaginar nomes ligados ao blues mais cru ou ao rock pesado do fim dos anos 1960.
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Mas a resposta de Iommi aponta para outro lugar. O guitarrista que mais marcou sua juventude foi Hank Marvin, líder dos Shadows, grupo instrumental britânico conhecido por um som limpo, elegante e muito distante da atmosfera ameaçadora que o Sabbath construiria depois. Antes de qualquer riff sombrio, havia um adolescente ouvindo discos em casa e tentando entender como uma guitarra podia conduzir uma música inteira.
Iommi falou ao site Vinyl Writers sobre uma coletânea dos Shadows que comprou quando era jovem. O disco não era perfeito aos olhos dele: como muitos álbuns do começo dos anos 1960, misturava faixas fortes com músicas que pareciam estar ali apenas para completar o repertório. Ainda assim, havia duas canções que justificavam tudo: "Wonderful Land" e "Apache".
O impacto vinha justamente da forma como os Shadows funcionavam sem depender de um vocalista. Para Iommi, aquela música mostrava que a guitarra podia ser o centro da narrativa, não apenas um acompanhamento. Hank Marvin tinha um jeito de tocar melódico, reconhecível e direto, capaz de transformar um tema instrumental em algo popular e memorável.
Essa influência não desapareceu quando Iommi encontrou seu próprio caminho. Pelo contrário: mesmo criando uma sonoridade quase oposta, ele continuou citando Marvin como referência central. O líder dos Shadows não ensinou Iommi a soar pesado, mas ajudou a mostrar que um guitarrista precisava ter voz própria.
"Sem os Shadows e o guitarrista deles, Hank Marvin, como meu ídolo, meu jeito de tocar poderia ter ido para uma direção completamente diferente, e o Black Sabbath não teria sido a banda que se tornou", afirmou Iommi.
A comparação entre Marvin e Iommi parece improvável à primeira vista. Marvin era associado a temas instrumentais elegantes, timbre limpo e postura discreta; Iommi ficaria ligado ao trítono de "Black Sabbath", aos riffs de "Iron Man" e à sensação de ameaça que atravessava os primeiros discos da banda. Mas a ponte está menos no som final e mais na ideia de identidade.
Os dois também tinham raízes musicais que iam além do rock imediato. Django Reinhardt e Buddy Holly aparecem como referências importantes nesse universo, mostrando que a formação de um guitarrista raramente segue uma linha reta. No caso de Iommi, a delicadeza melódica de Marvin acabou entrando, de algum modo, na arquitetura pesada que ele desenvolveria depois.
É isso que torna a escolha tão interessante. O maior guitarrista para Tony Iommi não foi alguém que soava como o Black Sabbath antes do Black Sabbath. Foi alguém que fez um jovem músico entender o poder de uma guitarra quando ela tem personalidade suficiente para ocupar o centro da música.
Vindo de quem ajudou a montar o alicerce do heavy metal, o elogio tem um peso especial. Antes do som escuro, veio o fascínio por uma guitarra clara e melódica. E, sem Hank Marvin, talvez o caminho que levou ao Black Sabbath tivesse sido bem diferente.
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