A banda dos anos 1980 que acabou e nunca utilizou nostalgia dos fãs para lucrar
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de julho de 2026
Separações traumáticas costumam fazer parte da história de grandes bandas de rock. Processos judiciais, trocas de acusações pela imprensa e décadas sem que os integrantes sequer se falem parecem quase um roteiro obrigatório. Com o R.E.M., no entanto, aconteceu justamente o contrário. O grupo anunciou o fim em 2011 de forma amigável e manteve a amizade entre seus integrantes, algo raro para uma banda daquele tamanho.
REM - Mais Novidades
Em vídeo publicado recentemente em seu canal no YouTube, o jornalista Júlio Ettore relembrou a trajetória do quarteto e explicou por que o encerramento das atividades aconteceu de forma tão pacífica. Segundo ele, os sinais já eram percebidos por quem acompanhava a banda mais de perto. "Em 2008, os fãs do R.E.M., pelo menos aqueles que eram mais atentos, perceberam que os caras mal estavam se olhando no palco", conta.
Apesar da distância entre os músicos, Ettore ressalta que o motivo não foi uma grande briga. Na verdade, o desgaste veio da própria rotina. "Era cansaço", resume o jornalista ao explicar que Michael Stipe, Peter Buck e Mike Mills já não tinham o mesmo entusiasmo para repetir o ciclo de compor, gravar, lançar discos e sair em turnê. Nas gravações, segundo ele, muitas vezes os integrantes sequer permaneciam juntos no estúdio, deixando recados por intermédio de produtores e técnicos.
A decisão definitiva, porém, foi tomada com bastante antecedência. De acordo com Ettore, após o álbum "Accelerate", de 2008, os integrantes combinaram que fariam apenas mais um disco antes de encerrar a carreira. Quando "Collapse Into Now" chegou às lojas em março de 2011, o fim já estava decidido internamente, embora mantido em absoluto sigilo até o comunicado oficial divulgado meses depois.
Outro detalhe destacado pelo jornalista ajuda a explicar por que a relação permaneceu saudável durante tantos anos. Diferentemente de muitas bandas, o R.E.M. dividia igualmente os direitos autorais entre todos os integrantes, independentemente de quem escrevesse as músicas. "Não tinha aquela parada de 'o Michael faz a letra, então ele recebe mais'. Isso acabou com muitas bandas no exterior e principalmente aqui no Brasil", observa Ettore.
Mesmo após o encerramento das atividades, o quarteto nunca transformou a nostalgia em um negócio permanente. Júlio Ettore lembra que houve apenas uma breve reunião em junho de 2024, quando Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry tocaram "Losing My Religion" em versão acústica. Desde então, rumores ocasionais surgem sempre que eles aparecem juntos em Athens, na Geórgia, mas nada indica uma volta definitiva.
Para o jornalista, esse talvez seja o maior legado humano do R.E.M. além da música. "Um caso raríssimo de uma banda que terminou sem brigar, não entrou na Justiça e, sobretudo, não quis virar cover de si mesma, nem ficar utilizando da nostalgia dos fãs para ganhar dinheiro", conclui.
Confira o vídeo completo abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A maior e melhor banda de metal de todos os tempos, segundo Jerry Cantrell
É verdade que John Paul Jones toca piano em "She's a Rainbow", dos Rolling Stones?
O baterista idolatrado por Neil Peart e Stewart Copeland; "o auge inalcançável"
A insana rotina matinal de Lemmy revelada pelo baterista do The Clash
O guitarrista que mais inspirou James Hetfield, do Metallica, segundo o próprio
Para Steve Harris, década de 1990 foi uma época muito estranha
O disco do Metallica que está entre os álbuns que mudaram a vida de Richie Faulkner
O melhor compositor dos últimos 100 anos, segundo Ritchie Blackmore
A música de Renato Russo que ganhou prêmio de solo de guitarra sem ter guitarra
Resenha de Show: Nervosa, Bloodskin e Leprosy em Goiânia
AC/DC tem penúltimo show da atual turnê cancelado devido ao mau tempo
"Black Album", do Metallica, completa 850 semanas entre os mais vendidos nos EUA
A banda que Slash diz merecer mais fama: "Um dos melhores rocks crus de todos os tempos"
"Eu odeio"; a canção que o Depeche Mode foi obrigado a lançar e vendeu mais de meio milhão
Tortilla Man mostra como driblou dificuldade para lidar com Eloy Casagrande no Slipknot
O verdadeiro significado de "Losing My Religion", um dos grandes clássicos dos anos 90
Michael Stipe nunca pensou no R.E.M. como uma "banda de rock"
As 15 melhores músicas de rock alternativo de 1996, segundo a Loudwire
13 bandas de rock e metal que nasceram na faculdade e conquistaram o mundo


