A superbanda que Geezer Butler comparou à segunda vinda de Jesus
Por Bruce William
Postado em 06 de julho de 2026
Geezer Butler cresceu em uma época em que o rock ainda estava descobrindo o tamanho do próprio território. Nos anos 1960, blues, psicodelia, hard rock e os primeiros sinais do progressivo se misturavam de formas novas. Para um jovem músico que mais tarde ajudaria a fundar o Black Sabbath, certos discos e bandas não eram apenas entretenimento. Eram sinais de que alguma coisa maior estava acontecendo.
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Uma dessas bandas foi o Cream. Butler via o trio formado por Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker como um divisor de águas. Na opinião do baixista do Black Sabbath, o impacto foi tão forte que ele usou uma imagem nada discreta para descrever a chegada do grupo. "Quando Clapton deixou os Bluesbreakers para formar o Cream, a primeira superbanda de todos os tempos, pareceu a segunda vinda de Jesus, musicalmente falando", disse Geezer.
A frase é exagerada, claro, mas ajuda a entender o choque que o Cream causou em quem acompanhava a música pesada nascer. Clapton já era tratado como um guitarrista especial antes do Cream, especialmente por seu trabalho com John Mayall & The Bluesbreakers. Mas, ao lado de Bruce e Baker, ele passou a integrar uma banda em que cada instrumento parecia disputar espaço sem destruir o conjunto. O Cream não funcionava como um cantor acompanhado por músicos de apoio. Era uma conversa intensa entre guitarra, baixo e bateria.
Jack Bruce levava o baixo para uma posição muito mais ativa do que o habitual. Ginger Baker tocava bateria com vocabulário vindo do jazz, do blues e de ritmos mais expansivos. Clapton, por sua vez, ajudava a levar a guitarra de blues para um lugar mais alto, mais pesado e mais livre. O resultado não era apenas rock, nem apenas blues. Era uma massa sonora que apontava para vários caminhos ao mesmo tempo.
Por isso a banda também costuma aparecer nas conversas sobre a origem do rock progressivo e do hard rock, explica a Far Out. Ian Anderson, do Jethro Tull, já citou Graham Bond como um precursor desse espírito, lembrando que Bruce e Baker tocaram com ele antes de formarem o Cream. Quando os dois se juntaram a Clapton, aquela linguagem ficou maior, mais popular e mais explosiva.
Para Geezer Butler, o que importava era justamente essa sensação de novidade. O Cream mostrava que uma banda de rock podia ser pesada, improvisada, sofisticada e direta ao mesmo tempo. Podia esticar uma música, misturar referências e ainda soar física, urgente, viva. Então, embora a "segunda vinda de Jesus" talvez seja uma imagem grande demais para qualquer trio de rock, vindo de alguém que depois ajudaria a criar o Black Sabbath, o elogio revela o tamanho da impressão deixada pelo Cream. Antes de muita gente entender para onde o rock pesado iria, Butler já tinha ouvido um sinal claro: dali em diante, as coisas não seriam mais as mesmas.
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