Derrick Green abre o jogo sobre motivos para o fim do Sepultura
Por João Renato Alves
Postado em 05 de julho de 2026
O vocalista do Sepultura, Derrick Green, concedeu entrevista ao canal grego Mr. Music. Durante o bate-papo, o cantor falou sobre a decisão da banda ao embarcar na "Celebrating Life Through Death", turnê que marca sua despedida dos palcos.
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"Já estamos na estrada com a nossa turnê de despedida há mais de um ano. Sabíamos que queríamos tentar fazer o maior número possível de shows pelo mundo, mas não tudo de uma só vez. Então, dividimos em dois anos e este é o final. Para nós, fazia todo o sentido encerrar as atividades em um momento muito bom da carreira, fechando com chave de ouro. Queríamos terminar sentindo-nos bem com a decisão, satisfeitos com a performance e a nossa capacidade de tocar, além de felizes pelo fato de estarmos todos em harmonia. São todos esses aspectos positivos. Sentimos que era a hora certa de parar e celebrar a história do Sepultura, pois é uma trajetória longa, incrível e muito singular. É isso que estamos fazendo agora. A ideia é justamente celebrar com as pessoas que fizeram parte de todos esses anos."
Ao ser questionado sobre "três ou quatro fatores" que levaram à decisão de encerrar as atividades neste momento da carreira, Derrick disse: "Acho que é a vida em geral. Acredito que a vida de todos nós está em constante mudança, evolução e movimento, e, consequentemente, nossa mentalidade também muda. Para nós, o ciclo de criar, gravar e depois sair em turnê pode acabar se tornando um ciclo vicioso. É um ciclo incrível, mas já o fazemos há muitos anos. E, como artistas, é importante sairmos da zona de conforto e nos desafiarmos em tudo o que fazemos, especialmente na criação. Quando o processo se torna muito mecânico e repetitivo, ele passa a ser apenas um 'trabalho' no sentido mais burocrático da palavra.
Isso é algo que nos atrai menos, pois sempre nos envolvemos com a música por outros motivos - pelo amor à arte, não apenas por obrigação. Então, quando tudo começa a ficar muito mecânico, repetitivo e monótono, acho que é hora de reavaliarmos nossa situação; e foi isso que fizemos. Fizemos essa reavaliação e concordamos que... esperar algo ruim acontecer, ou a banda entrar em colapso, acabar ou estagnar, simplesmente não fazia sentido para nós. Fazia mais sentido parar por vontade própria e encerrar a trajetória no auge. Portanto, acho que a vida em geral, o momento em que estamos, a posição da banda e a nossa história fizeram com que essa decisão fosse lógica."
Green ainda ressaltou a longevidade obtida pelo grupo, com mais de 40 anos desde sua fundação. "Estamos nessa há tantos anos - mais tempo do que a maioria das bandas consegue se manter na ativa. O ciclo chegou ao fim naturalmente, estamos felizes em celebrar tudo, as conquistas e os anos de história. Não é algo pelo qual devamos ficar tristes, mas sim uma celebração com todos os nossos fãs, viajando pelo mundo e vivenciando essa despedida final."
Sobre como o fato de saber que esta é a turnê de despedida e como altera a energia emocional no palco a cada noite, Derrick disse: "Bom, acho que, para nós, é sempre importante colocar toda a nossa energia no palco quando estamos lá, seja no passado ou agora. Acho incrível ver e sentir esse retorno dos fãs. Isso é algo muito diferente do passado, porque eles sabem que pode ser a última vez que veem a banda no palco. E dá para sentir isso. Pelo menos eu sinto, estando no palco. E, depois ou antes do show, vêm muitas lembranças - ótimas lembranças de tocar em lugares diferentes, conhecer pessoas e vivenciar culturas diversas. Eu não tinha noção de qual seria o impacto disso em mim, mas é muito mais forte do que imaginei, especialmente ao ficar cara a cara com os fãs e ouvir as histórias deles."
O Sepultura realiza o último show da carreira dia 7 de novembro, no Pacaembu, em São Paulo. Krisiun, Metal Allegiance e Sacred Reich estão confirmados como atrações convidadas. Ex-integrantes, como o guitarrista Jairo Guedz e o baterista Jean Dolabella também marcarão presença.
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