Por que o Deep Purple se recusa a fazer uma turnê de despedida
Por Bruce William
Postado em 05 de julho de 2026
O Deep Purple já brincou com a ideia de despedida antes. Em 2017, a banda saiu em turnê com o nome "The Long Goodbye", algo como "o longo adeus", dando a entender que talvez aquele fosse o começo do fim. Só que o adeus ficou tão longo que, em algum momento, deixou de fazer sentido chamá-lo assim.
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Roger Glover falou sobre isso em entrevista ao Noise11.com, transcrita pelo Blabbermouth. O baixista lembrou uma resposta bem-humorada de Don Airey quando perguntaram se "InFinite", álbum de 2017, seria o último disco do Deep Purple. "Achei que o álbum anterior fosse ser o último", respondeu o tecladista.
A verdade, segundo Glover, é que a banda não pretende transformar o encerramento da carreira em evento. "Nós não vamos parar. Não vamos fazer uma turnê final, um show final e criar uma grande comoção em torno disso", afirmou. Ele explicou que a ideia do "Long Goodbye" havia partido de Steve Morse, mas acabou se estendendo tanto que o grupo resolveu abandonar o conceito.
O motivo é simples: uma despedida oficial seria emocionalmente pesada demais. "Não consigo imaginar fazer um show final, com toda a comoção envolvida. A emoção, o lugar, os fãs, a tristeza, etc., seria demais para suportar", disse Glover. "Acho que todos sentimos o mesmo. Vamos continuar até não conseguirmos mais. É isso."
Ian Gillan já havia falado algo parecido. O vocalista disse que ninguém na banda discute muito um fim definitivo, embora todos saibam que, depois de seis décadas de estrada, o fim está mais perto do que o começo. Para ele, enquanto o grupo estiver sentindo prazer em tocar e conseguindo fazer isso com dignidade, não há motivo para parar.
Gillan também reconheceu que a idade impõe limites. Aos 80 anos, contou à Uncut que tem apenas 30% da visão e que isso torna tarefas simples, como trabalhar no laptop, muito cansativas. Ainda assim, disse que a banda se sente rejuvenescida desde a entrada de Simon McBride e que o Deep Purple atual está firme, pesado e entrosado.
No fim, a postura do Deep Purple parece menos uma recusa a envelhecer e mais uma recusa ao espetáculo da despedida. A banda sabe que não vai durar para sempre. Só não quer transformar o último passo em pacote emocional vendido como grande evento. Quando não der mais, acabou. Até lá, o plano é continuar fazendo barulho.
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