As bandas de metal que Hetfield não compreende; "Como diabos conseguem lembrar das músicas?"
Por Bruce William
Postado em 01 de julho de 2026
James Hetfield não é exatamente alguém que costuma parecer intimidado por música pesada. Como vocalista, guitarrista e principal força criativa do Metallica, ele ajudou a transformar riffs rápidos, precisão rítmica e agressividade em linguagem de estádio. Poucas bandas de metal conseguiram unir peso, técnica e alcance popular como o Metallica.
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Ainda assim, até Hetfield tem seus momentos de espanto diante de outros músicos. E não apenas por causa de volume ou velocidade. O que chamou sua atenção em algumas bandas foi a capacidade de tocar músicas quebradas, imprevisíveis, cheias de mudanças estranhas e estruturas que parecem desafiar a memória de quem está executando.
"E então você pega as bandas que são realmente tortas: Meshuggah ou Loincloth. Elas me fazem pensar: 'Como diabos conseguem lembrar das músicas? É inacreditável." São bandas que trabalham com compassos tortos, padrões rítmicos complexos e uma sensação de caos controlado. "Com algumas dessas coisas, é quase demais e difícil de ouvir às vezes, mas eu fico simplesmente pasmo." Para quem está ouvindo, já pode ser difícil acompanhar. Para quem imagina tocar aquilo no palco, a coisa fica ainda mais absurda.
A reação faz sentido, pontua a Far Out. O Metallica tem músicas longas, partes intrincadas e mudanças de dinâmica, mas ainda trabalha muitas vezes com riffs que se fixam na cabeça e estruturas reconhecíveis. Já o Meshuggah, por exemplo, construiu boa parte de sua reputação em cima de padrões rítmicos que parecem se deslocar o tempo todo, criando aquela sensação de que a música está andando em terreno inclinado.
Algo que fica claro também é que, até mesmo no metal, peso não significa sempre a mesma coisa. Para uma banda, pode estar no riff direto. Para outra, na velocidade. Para outra, na atmosfera. No caso de grupos como Meshuggah e Loincloth, parte do impacto vem dessa arquitetura quebrada, quase matemática, que faz o ouvinte sentir que a música pode desabar a qualquer instante.
Hetfield sabe bem o que é tocar material exigente diante de uma multidão. Mas há uma diferença entre dominar a própria máquina e olhar para outro tipo de monstro funcionando. Meshuggah e Loincloth pertencem a uma escola em que a brutalidade vem acompanhada de uma dificuldade que não está ali apenas para servir de enfeite. É um tipo de metal que parece caos para quem olha de fora, mas que por dentro funciona como engrenagem de precisão. E até o homem do Metallica ficou impressionado.
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