O álbum dos anos sessenta que abriu as porteiras do progressivo
Por Bruce William
Postado em 30 de agosto de 2026
Quando o King Crimson lançou "In the Court of the Crimson King", em outubro de 1969, não estava apenas estreando em disco. A banda apareceu num momento em que vários músicos britânicos já empurravam o rock para fora de suas estruturas habituais, mas reuniu essas experiências de maneira tão contundente que o álbum acabaria se tornando uma das principais referências para aquilo que logo seria chamado de rock progressivo.
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Antes dele, esse caminho já vinha sendo aberto por nomes como Pink Floyd, Beatles e The Nice. Ian Anderson, do Jethro Tull, já apontou "The Piper at the Gates of Dawn" e "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", ambos de 1967, como verdadeiras placas indicando que havia algo novo adiante. "Eram um sinal dizendo: 'rock progressivo por aqui'. Eram intrigantes porque apontavam para coisas que ainda estavam por vir", afirmou.

O King Crimson levou aquela liberdade para um terreno ainda mais radical. Em vez de trabalhar pensando no single de três minutos, o grupo construiu faixas extensas, cheias de mudanças de dinâmica, improvisação, jazz, peso, Mellotron e estruturas que pareciam pouco interessadas nas convenções do rádio.
Greg Lake, que cantava e tocava baixo naquela primeira formação, resumiu posteriormente a proposta de maneira particularmente boa: "Era anti-formato, anti-single de três minutos. Era algo novo." Basta olhar para a abertura. "21st Century Schizoid Man" já misturava riffs violentos, saxofones, distorção e uma longa passagem instrumental que dificilmente poderia ser confundida com o rock convencional do período. No outro extremo, "Epitaph" e a faixa-título mostravam o lado sinfônico e melancólico da banda.
A formação que gravou o disco reunia Robert Fripp, Greg Lake, Ian McDonald, Michael Giles e o letrista Peter Sinfield. O álbum chegou ao quinto lugar da parada britânica e entrou no Top 30 americano, desempenho considerável para uma obra tão pouco preocupada em seguir as regras comerciais da época.
Chamar "In the Court of the Crimson King" de primeiro álbum progressivo da história sempre dará margem para discussão - havia música que hoje chamamos de prog antes de outubro de 1969, relembra a Far Out. Sua importância é menos discutível: ali, muitas das características espalhadas por discos anteriores apareceram juntas e com uma identidade tão forte que o gênero ganhou uma espécie de cartão de visitas.
Até a capa de Barry Godber, com aquele rosto vermelho em pleno grito, ajudou a transformar o LP em objeto imediatamente reconhecível. Mais de meio século depois, o disco continua funcionando quase como o ponto em que o rock descobriu que não precisava mais obedecer ao tamanho de uma música feita para caber no rádio.
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