O dia que Regis Tadeu cantou para 12 mil: "Nunca quis ser vocalista de banda"
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de agosto de 2026
Regis Tadeu subiu pela primeira vez a um palco no fim dos anos 1970, e não foi numa apresentação modesta. A estreia aconteceu no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, diante de cerca de 12 mil estudantes - e ao lado de Edgard Scandurra. A história veio à tona quando um espectador perguntou, durante live resgatada pelo canal Debate Sobre Música, se algum dos participantes já havia pensado em ser vocalista.
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O contexto era o FICO, festival interno do Colégio Objetivo, cujas finais aconteciam no ginásio lotado com alunos de todas as unidades da rede. "Era um festival nos moldes dos festivais que aconteciam no passado. Era só música inédita dos alunos", explicou o jornalista.
Scandurra havia inscrito uma canção chamada "Clandestino", composta com a então namorada, aluna do colégio. O nome, anos depois, batizaria um dos álbuns do Ira!. Na época, porém, a banda ainda se chamava Subúrbio - formada por Scandurra na guitarra, Dino no baixo e um baterista chamado Arnaldinho.
O problema é que ninguém queria cantar. "O Edgard chegou para mim e falou assim: 'Regis, você é muito cara de pau. Vem no ensaio para cantar essa música'", relembrou Regis. A resposta foi imediata: "Ah, pô, lógico, né? Cara de pau total."
Ele foi ao ensaio, aprendeu a música e estreou. "A minha estreia em cima de um palco, musicalmente falando, foi no Ginásio do Ibirapuera, entupido de gente. Devia ter mais ou menos umas 12 mil pessoas." E fez questão de registrar a natureza do público: "Não era uma plateia normal. Eram 12 mil alucinados alunos do Colégio Objetivo."
A participação não parou por ali. Regis passou a frequentar os ensaios do Subúrbio e, nos intervalos, aproveitava para tocar bateria - habilidade que havia desenvolvido batucando nos baldes da mãe. "O Edgard viu e falou: 'Pô, o cara sabe tocar punk rock.'" Foi assim que ele entrou na banda como baterista, no lugar de Arnaldinho, que segundo o jornalista desapareceu depois. O Subúrbio, mais tarde, daria origem ao Ira!.
Apesar da estreia auspiciosa, Regis descartou qualquer pretensão vocal. "Nunca quis ser vocalista de banda. Imagina, cara, pelo amor de Deus", afirmou. Em seguida, emendou a ironia habitual: "Embora eu tenha uma voz sensacional e seja um cara extremamente carismático, ao mesmo tempo sou muito humilde, muito modesto."
Provocado a definir que tipo de vocalista teria sido, brincou com referências. Descartou Bon Jovi de imediato e sugeriu algo "meio David Coverdale no auge", depois emendou uma mistura improvável com Rob Zombie. Paulo Baron cortou a fantasia: "Você tem mais cara para Misfits do que outra coisa." O próprio Regis concordou com a provocação e encerrou o assunto - mantendo a coerência com o adjetivo que Scandurra usou para convocá-lo décadas atrás.
Confira o vídeo completo abaixo.
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