A música dos Smiths que Johnny Marr acha que nenhuma outra banda conseguiria fazer
Por Bruce William
Postado em 24 de agosto de 2026
Johnny Marr nunca escondeu que considera "Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me" um dos momentos mais especiais dos Smiths. Lançada em 1987, no álbum "Strangeways, Here We Come", a faixa reúne justamente aquilo que o guitarrista mais valorizava no grupo: quatro músicos funcionando como uma unidade e chegando a um resultado que, para ele, não parecia com nenhuma outra banda.
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A música começa com mais de um minuto de piano e ruídos de multidão antes de Morrissey entrar com uma das interpretações mais dramáticas da carreira. Quando o restante da banda aparece de vez, o clima cresce sem perder o peso melancólico que domina a composição.
Ao explicar por que gosta tanto da faixa, Marr resumiu, em fala publicada na Far Out: "Há drama nela, há paixão nela. Não soa como nenhuma outra banda de rock, eu acho." Para ele, a gravação também é um exemplo de todos os integrantes dos Smiths atuando em grande nível ao mesmo tempo.
O curioso é que Marr não coloca sua própria guitarra no centro da explicação. Embora o instrumento tenha sido essencial para a identidade dos Smiths, "Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me" está longe de ser uma exibição típica de seus riffs mais brilhantes e intrincados. Grande parte da força vem da atmosfera construída pelo conjunto.
Marr ainda descreveu a gravação de maneira bastante pessoal. "Quando ouço o disco, independentemente das palavras, são simplesmente meus sentimentos ampliados numa escala gótica." A composição havia começado justamente a partir daquela sensação que ele queria transformar em música.
"Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me" foi lançada também como single no fim de 1987, quando os Smiths já haviam se separado. O álbum "Strangeways, Here We Come", lançado poucos meses depois do rompimento, acabaria sendo o último trabalho de estúdio do quarteto.
A carreira dos Smiths foi curta, mas Marr enxerga nessa música uma espécie de concentração daquilo que tornava a banda difícil de reproduzir. Não era apenas a guitarra, a voz de Morrissey ou uma determinada forma de compor: era o resultado dos quatro juntos quando tudo encaixava.
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