O guitarrista que Peter Frampton se recusou a imitar no começo da carreira
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de novembro de 2026
Aos 12 anos, Peter Frampton já tocava de ouvido quando os pais decidiram que a coisa estava ficando séria e o colocaram em aulas de violão clássico. Foram três ou quatro anos de estudo, e ele contou ao produtor e youtuber Rick Beato que odiou cada momento. Mesmo assim, reconheceu que as aulas o ensinaram onde cada nota fica no braço do instrumento. O estilo que o tornaria famoso, porém, veio de uma decisão tomada anos depois.
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Durante a conversa, Beato disse não conhecer nenhum guitarrista de rock que tocasse como Frampton. O músico explicou que a virada aconteceu quando saiu o álbum dos Bluesbreakers com Eric Clapton, nos anos 1960. Enquanto boa parte dos jovens guitarristas britânicos corria para copiar Clapton, ele preferiu buscar referências no jazz.
"Quando saiu o álbum dos Bluesbreakers, o estilo do Eric Clapton era tão sedutor que todo mundo queria ser o Eric. Mas o problema é que havia cerca de um milhão e meio de pessoas querendo ser Eric Clapton, e eu disse: já tem gente demais indo por esse caminho, acho que vou para o outro lado. Foi aí que comecei a comprar discos de Kenny Burrell, Wes Montgomery, Joe Pass. Django Reinhardt eu já ouvia desde que meu pai o apresentou para mim, quando eu tinha sete anos."
Entre os nomes citados, Kenny Burrell ocupa lugar especial. Frampton destacou o som e a escolha de notas do guitarrista, principalmente nas gravações com Jimmy Smith, e o definiu como o jazzista mais próximo do blues. Também lembrou de George Benson tocando com Jack McDuff aos 16 anos: "Eu ainda não consigo fazer o que ele fazia." Apesar da admiração por virtuoses, ele garante que não se vê como shredder (guitarrista de solos em alta velocidade), já que para ele a velocidade nunca foi essencial.
Frampton disse ainda que considera um grande elogio quando alguém afirma conseguir cantar seus solos, porque é isso que ele busca. Sobre o período no Humble Pie, ele explicou como juntou todas essas influências: "O Steve Marriott era um guitarrista de blues muito, muito forte, e eu era mais lírico, com o lado do jazz. Aquele foi o meu aprendizado, juntar todos esses estilos diferentes para que, com sorte, você acorde um dia e seja você. Não é você tocando Kenny Burrell, é você. Não dá para perceber o Kenny Burrell ali, mas ele está ali."
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