A banda que deixou Lars Ulrich no paraíso quando o Metallica abriu seus shows
Por Bruce William
Postado em 06 de novembro de 2026
Em 1991, o Metallica já havia conquistado um lugar de destaque no heavy metal, mas ainda estava prestes a dar o salto definitivo para o estrelato mundial. Naquele ano, a banda lançou seu famoso álbum preto e participou de uma série de apresentações ao lado do AC/DC, uma experiência que Lars Ulrich recordaria quase três décadas depois com o entusiasmo de um fã que teve a oportunidade de acompanhar seus ídolos bem de perto.
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O baterista falou sobre o assunto em uma conversa com Brian Johnson para o programa Brian Johnson's A Life on the Road, exibido em outubro de 2019 e com transcrição do Blabbermouth. Durante o encontro, realizado na sede do Metallica, em San Rafael, na Califórnia, os dois relembraram a turnê de 1991 e a importância que o AC/DC teve na formação musical do grupo americano.
"Você precisa lembrar que nossas raízes musicais estavam muito mais em vocês, no Deep Purple e no Led Zeppelin. Éramos muito mais ligados ao rock pesado baseado no blues. Só começamos a tocar um pouco mais rápido conforme fomos avançando", explicou Ulrich, referindo-se à maneira como o Metallica desenvolveu sua própria sonoridade a partir das influências do hard rock dos anos setenta.
A oportunidade de dividir os palcos com o AC/DC veio durante a turnê Monsters of Rock, que reuniu grandes nomes do rock pesado naquele ano. Para Ulrich, que havia crescido ouvindo a banda australiana, a experiência proporcionou algo que ia muito além de tocar para grandes plateias: durante semanas, ele pôde assistir de perto às apresentações dos músicos que tanto admirava.
"Tocar com vocês naquela turnê de 1991, que foi praticamente a última vez que abrimos shows para alguém, foi como estar no paraíso. Tivemos a oportunidade de ficar perto de vocês e assistir aos shows todas as noites, durante seis semanas", recordou o baterista, que considerava aquele período um dos momentos especiais da trajetória do Metallica.
A admiração de Lars pelo AC/DC também se estende à maneira de tocar de Phil Rudd. Em entrevista à rádio americana 98 Rock, em 2017, o músico chegou a apontar Rudd como o baterista que escolheria para substituí-lo no Metallica. Segundo ele, o integrante do AC/DC foi uma influência especialmente importante quando sua banda começou a abandonar parte das estruturas mais complicadas de "...And Justice for All" em favor de músicas com mais balanço, riffs diretos e espaço para o groove.
A turnê aconteceu justamente quando o Metallica começava a colher os resultados de uma transformação musical que o levaria a alcançar um público muito maior. Pouco depois, o grupo passaria a encabeçar suas próprias grandes turnês, deixando para trás os tempos de banda de abertura. Para Ulrich, entretanto, aquelas seis semanas ao lado do AC/DC permaneceram como uma lembrança particularmente feliz, tanto pela importância profissional quanto pela oportunidade de conviver com seus heróis.
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