Only Death Is Real: emoção garantida a cada capítulo
Por Bruno Bruce
Fonte: RockPotiguar
Postado em 11 de maio de 2010
Lembro da minha infância e de minha mãe guardando um exemplar gigantesco da Bíblia em seu quarto. Era um livro belíssimo, grosso como um tijolo, que me causava enorme temor e só era autorizado a pega-lo com as mãos limpas, de modo cuidadoso. Estes tempos – de reverência aos ditames católicos – passaram e todas estas memórias de respeito por uma publicação estão agora voltadas para o estupendo Only Death Is Real. Jamais permaneceria apegado somente a itens mundanos mas parece que a história relatada neste, plausível e, de certo modo, parte da minha, são momentos mais caros para mim.
Algumas figuras do Heavy Metal são peças-chaves para a construção do estilo sendo sua história um relato vivo de revolução. Seja dos costumes, seja das sonoridades. Você não encontrará maior bravo dessa insurgência que Thomas Gabriel Fischer. Garoto suíço, de aparência física que de tão frágil parecia que trincaria a qualquer instante, transformado num monstro invulnerável do sub-gênero mais polêmico do Metal, sua versão blasfema-iconoclasta: Black Metal.
O Black Metal foi a trilha sonora que fez um amigo rasgar a Bíblia em seu quarto, na minha frente. Christian Udo Hanneman (atual advogado, espírita, pai exemplar & para sempre meu grande amigo) rasgava suas páginas como quem trata papel higiênico num banheiro sujo: sem respeito, com nojo. Estas cenas mudaram minha vida, alteraram mundialmente a existência de inúmeros adolescentes quando repetidas por teenagers em diversas partes do globo. Se posso difamar um livro sagrado, posso também mudar acordes, aumentar a velocidade das músicas, criar riffs absurdos, amaldiçoar a Igreja, renegar meu batismo cristão (cada banger de respeito tinha uma alcunha, servindo de novo batismo pagão, marcando assim seu nascimento na cena. Isto caiu em desuso, infelizmente). Este é o Black Metal Spirit, contestador, maldito, bruto.
Todos os headbangers da década de 1980 sofreram influência de algum black metaller e o maior fomentador foi Tom Warrior, batismo pagão de um dos pioneiros guerreiros da causa.
O volumoso Only Death Is Real, de quase 300 páginas, traz a construção passo a passo de um mito. Desde o começo com as bandas Tarot e Grave Hill, passando pelo Hellhamer até chegar ao Celtic Frost, a quintessência musical extrema. Tudo na década de 80 foi intenso, rápido. De 1981 a 1985 proliferaram um material consistente como concreto, que serve de base até hoje. Neste livro o leitor encontrará fotos nunca antes reveladas, relatos dos conterrâneos de cena, capas de demo-tapes, a evolução das logomarcas da banda, imagens/histórias da vida pessoal (pais ausentes, relapsos) e até cópia do primeiro contrato assinado pelo grupo. Relatos pessoais enriquecem o livro. Bastante passional, Fischer discorre sobre uma cena única, de certo modo ingênua e sua busca pelo vigor & franqueza característica do state of art.
Um prefácio emocionado de Nocturno Culto (Darkthrone) alerta: emoção garantida a cada capítulo!
Only Death Is Real
(A História do Hellhammer/Celtic Frost: 1981 - 1985)
Autor: Thomas Gabriel Fischer & Martin Ain (colaborador)
Editora: Bazillion Points (2009/Importado)
ISBN 978 0 9796163 9 6
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os cinco maiores discos progressivos dos anos sessenta, segundo site britânico
Shows no Brasil que encerraram ciclos em carreiras de bandas internacionais
As 7 maravilhas do mundo do heavy metal e como conhecê-las
As seis músicas mais importantes do Judas Priest, segundo K.K. Downing
Sepultura, Titãs e Luiz Caldas levam o peso do rock ao Altas Horas deste sábado
Regis Tadeu derruba consenso de décadas sobre "Roots" do Sepultura
Para conceituado escritor, Metallica está sofrendo de "síndrome de Iron Maiden"
A banda de metal que Jerry Cantrell considera a maior e melhor de todos os tempos
Amanda Somerville diagnosticada com tumor cerebral maligno e agressivo
O lendário vocalista que teve o dedão amputado por um anão de jardim no quintal
Janis Joplin: última gravação dela em vida foi feita para um Beatle
A jam gravada só para testar microfones que virou um clássico do rock e vendeu milhões
As 10 melhores músicas que o Slayer lançou no século XXI, segundo o Metal Injection
Como o fim de um dos maiores supergrupos abriu caminho para um clássico que antecipou o metal
A melhor música de rock de cada ano entre 2010 e 2019, segundo a Loudwire
Discos que me fazem falta no Spotify
Mulheres: 10 músicas que ajudarão a conquistá-las
O lendário guitarrista que Frejat demorou a entender: "Era só barulheira para mim"

Tom G. Warrior lembra repressão policial a jovens na Suíça que cercou o Hellhammer
Venom e Motörhead também foram massacrados pela crítica, diz Tom G. Warrior
Dark Side of the Moon: os Bastidores da obra-prima



