Epica: "Já sou praticamente um brasileiro", diz Mark Jansen

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O EPICA está voltando ao Brasil para oito noites de shows lotados. Esta será a maior (e melhor) turnê brasileira da banda holandesa capitaneada por Mark Jansen e Simone Simmons. Com oito cidades para conhecer, Mark Jansen, que já se considera um pouco brasileiro, quer saber ainda mais do nosso país e está empolgado para provar, por exemplo, um bom baião de dois em Fortaleza. Na entrevista abaixo, ele dá mais alguns detalhes sobre a turnê, fala mais sobre o contraste da sua parte nas canções do EPICA com a parte de Simone ("Na música, eu sou o bárbaro, aquele que destrói a beleza"), nega planos de um novo disco do EPICA para tão cedo, fala do VUUR e avisa: "se você falar em português devagar comigo, é capaz de eu entender".

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Foto: Fernando Yokota
Foto: Fernando Yokota

Daniel Tavares: Esta não é sua primeira turnê no Brasil, mas é finalmente uma longa turnê no Brasil. Tão longa quanto todos os fãs gostariam que fosse. 8 cidades. Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Fortaleza, que é minha cidade, e Recife.

Mark Jansen: Ah. Bom.

Daniel Tavares: Sim. Você poderia descrever pra gente como foi o processo, as negociações, como vocês escolheram essas oito cidades?

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Mark Jansen: Ah, sim, em primeiro lugar, as negociações foram feitas pelos nossos agentes e, então, eu não estava envolvido nestas negociações. Então eu não sei se foram negociações difíceis ou fáceis, porque eu não estava envolvido completamente. No passado eu fazia as negociações eu mesmo, mas, hoje em dia, a banda ficou tão grande que eu não tenho tempo para me envolver com tudo. Então, algumas coisas, eu não faço mais, como negociações. Nós apenas recebemos a lista de todas as cidades, tivemos que ver as ofertas finais e tivemos que dizer sim ou não. Mas desde o começo eu estava dizendo sim para todas porque eu gosto de estar no Brasil, eu amo tocar no Brasil e eu sei que muitas pessoas tem pedido por muitos anos já por uma longa turnê. Então, a única coisa é que Simone não pode ficar muito tempo longe de casa porque ela tem um filho pequeno e nós sempre temos que encontrar um pouco de equilíbrio pra fazer uma certa turnê, o que for possível para a Simone fazer, como dessa vez, deu certo fazer uma longa turnê no Brasil, mas agora alguns outros países como Peru não rolaram. Sempre há pessoas no fim que ficam tristes, mas nós não podemos fazer tudo. Dessa vez o Brasil teve sorte.

Daniel Tavares: E como você está preparando o setlist para estes shows? O que você está trazendo aqui?

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Mark Jansen: Eu já tenho algumas pessoas mandando sugestões para o setlist e o que quer que as pessoas mandem eu guardo na mente. Então, quando eu vejo uma canção e muita gente pedindo por ela, nós tentamos integrá-la ao setlist. E para as pessoas que vão a mais que um show, nós sempre tentamos mudar o setlist toda noite, comparado ao da noite anterior, dando às pessoas que vão a mais que um show, como eu disse, uma experiência única.

Daniel Tavares: Como eu disse, essa será a primeira vez em Fortaleza e Recife, duas cidades que são costeiras. Eu queria saber se saber se você gosta de ir à praia. Eu espero que vocês tenham uma oportunidade de ir todos.

Mark Jansen: Sim, eu gosto. Eu gosto de ir à praia, porque eu sou da Holanda e lá nós temos bonitas praias, mas em boa parte do ano é muito frio. Hoje em dia eu moro na Sicília, no sul da Itália. O clima lá é bem melhor e vou à praia muito mais frequentemente. Mas, onde quer que eu vá, quando estou em turnê, você vai definitivamente me ver nadando no mar.

Foto: Kennedy Silva
Foto: Kennedy Silva

Daniel Tavares: Eu aconselharia você a também provar da nossa comida, a comida do Nordeste, porque temos muitos pratos diferentes da Região Nordeste do Brasil. Você pode, por exemplo, conferir o Baião de Dois, uma mistura de arroz e feijão, com muito queijo por cima. Você pode comer com um bife grelhado ou outras coisas.

Mark Jansen: Eu estou curioso. Estou curioso. [risos]

Daniel Tavares: Sim, eu vou digitar pra você quando acabarmos esta entrevista.

Mark Jansen: Ok. bacana. [risos] Eu estou sempre aberto a sugestões. Legal.

Daniel Tavares: Algum de vocês é vegano ou vegetariano, porque esta é uma guarnição. Normalmente se come com uma carne ou um peixe.

Mark Jansen: Sim, Simone é vegetariana. E Isaac é vegano. Mas eu definitivamente vou provar.

Daniel Tavares: Nós também temos uma grande variedade de castanhas. E algumas outras comidas, mas eu não recomendaria para quem, digamos, não é iniciado. Mas isto também pode servir como convite pra vocês voltarem.

Mark Jansen: Eu sempre comi muito bem no Brasil e muitas pessoas sempre souberam que minha ex-namorada era do Brasil e quando estávamos juntos nós comíamos muito churrasco. Eu sei muito sobre a comida brasileira. Não se preocupe.

Daniel Tavares: Eu tenho algumas questões de fãs do Ceará, o estado onde fica Fortaleza. Alyssandra, do grupo de fãs do EPICA do Ceará, disse que era maravilhoso ouvir vocês falando o nome de Fortaleza no vídeo que vocês compartilharam recentemente [veja abaixo]. Ela quer saber se você já conhece algumas palavras em português e se você está preparado para o calor da nossa cidade.

Mark Jansen: Sim, por causa da minha ex-namorada eu sei algumas palavras brasileiras, um pouco do português do Brasil. Então, eu entendo um pouco. Por exemplo, se eu quiser ir no banheiro, eu sei pedir. Esse tipo de coisas eu sei. "Eu amo o Brasil". "Caralho"[risos][risos de novo] As coisas fáceis eu sei. Quando o pessoal fala devagar eu posso entender, [ele fala, lentamente, "eu falo um pouco de português"] mas quando falam rápido demais, não dá. Então, eu sei, mas apenas um pouco.

Foto: Leandro Anhelli
Foto: Leandro Anhelli

Daniel Tavares: Cristiano Ferreira, de Juazeiro do Norte, também no Ceará, mas realmente longe de Fortaleza, quer saber se quando você usa vocais guturais e líricos, você tem intenção de artisticamente abordar a noção de Simetria Aristotélica? Ainda nesse viés aristotélico, a musicalidade do EPICA (voz, instrumental, arranjos, letras) pode ser identificada como uma busca pela beleza e pela perfeição?

Mark Jansen: Na música, eu sou o bárbaro. Aquele que destrói a beleza. Então nós misturamos estilos extremos diferentes. Um deles é o lado metal. Um deles é o estilo da música clássica. Eles dois são completamente diferentes como música, mas quando eles chegam juntos eles se misturam realmente bem. Desde que eu era um garoto eu era fascinado por música clássica e metal. Então, agora que podemos combinar os dois, para mim é o estilo em que eu posso melhor me expressar.

Daniel Tavares: Eu incluí o "The Holographic Principle" na minha lista de melhores discos lançados em 2016. Obviamente eu não pude fazer o mesmo em 2017 porque vocês lançaram apenas um EP [o EP "The Solace System" - a entrevista foi realizada às vésperas do lançamento do outro EP, "EPICA VS attack on titan songs"]. Então, quando teremos outro álbum completo do EPICA?

Mark Jansen: Agora vai levar um pouco mais de tempo do que normalmente, porque vamos tirar um tempinho de folga depois da próxima turnê de verão europeu. Até agosto vamos estar em turnê, então nós vamos tirar uma folga, vamos ter um pouco de tempo livre para fazer outras coisas na vida do que o que temos feito pelos últimos anos, porque o EPICA está levando basicamente todo o nosso tempo. É um grande trabalho para se fazer. É o melhor trabalho no mundo, talvez sem igual, mas você algumas vezes sente falta de ser capaz de fazer algumas outras coisas na vida. Então, o próximo álbum vai levar um pouco mais de tempo agora do que as pessoas estão acostumadas a esperar da gente, mas, mesmo assim, eu acho que com isso a gente consegue recarregar as baterias, nós conseguimos ficar completamente frescos quando a gente começar a trabalhar no próximo álbum. E no meio tempo todo mundo pode fazer suas próprias coisas, em seus próprios projetos paralelos. Por exemplo, eu mesmo vou focar nesse tempo em minha própria banda MAYAN [banda que ele mantem com, entre outros, sua atual namorada, Laura Macri, e o ex-AFTER FOREVER Jack Driessen]. Nós vamos lançar um novo álbum em setembro do próximo ano, então eu estou estou escrevendo um monte de músicas para o MAYAN nesse momento. E quando o álbum for lançado nós vamos encerrar as nossas férias e vamos trabalhar com força total em um novo álbum do EPICA novamente, mas, por agora nós pensamos que trabalhamos muito duro pelos últimos 16 anos e sentimos que é hora de ficar um pouco fora para recarregar as baterias.

Daniel Tavares: Entendo, claro. E na sua lista de 2017. O que é que tem? [abra o link abaixo em outra aba e confira minha lista].

Mark Jansen: Essa para mim é sempre uma questão muito difícil porque eu não ouvi muito outras músicas, absolutamente, no ano passado. Então eu não tenho nenhuma ideia de que boa música foi lançada. Foi um ano louco, tão cheio que eu não tive tempo de ouvir música. E quando eu tinha tempo de ouvir música era quando estava indo para o aeroporto, pra cima e pra baixo. Meu toca CDs no carro está quebrado. Eram as únicas chances que eu tinha pra ouvir música e essas chances já eram. Eu tenho que comprar um novo CD Player pro meu carro em primeiro lugar. Mas, o que eu ouvi foi o álbum da VUUR, da Anneke van Giersbergen. E esse eu gostei demais, mas além desse eu não lembro se ouvi algum outro álbum lançado em 2017 ou talvez tenha sido no começo do ano, de forma que eu não tenha certeza se foi lançado em 2017 ou 2016. Então, [risos] esse é o único que eu posso dizer agora, o do VUUR.

Foto: Leandro Anhelli
Foto: Leandro Anhelli

Daniel Tavares: Inclusive, chegou a se falar que o VUUR poderia vir com vocês para essa turnê. Isso tem chance de acontecer?

Mark Jansen: Sim, nós estávamos tentando trazê-los pra essa turnê também, mas eu não sei porque razão eles não puderam fazer dar certo, financeiramente eu acho. É sempre complicado fazer um vôo desses, pra fazer uma turnê e fazer com que financeiramente dê certo, então nós tentamos incluí-los, mas não conseguimos. Gostamos da banda, nós gostamos das pessoas e nos divertimos bastante na turnê europeia com eles, foi uma química bacana entre as duas bandas, então, onde quer que possamos nós os incluímos onde nós tocamos porque nós tivemos muita alegria em tocar com eles.

Daniel Tavares: Agora a sua mensagem para o público brasileiro, especialmente para quem vai ver um dos oito shows do EPICA em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Fortaleza e Recife.

Mark Jansen: Em primeiro lugar, quero dizer de novo que estamos felizes por agora poder fazer oito shows no Brasil, finalmente. Para mim isso é também um sonho virando realidade e finalmente, para todas as pessoas que ficaram me mandando emails dizendo "por favor, venham para a nossa cidade", finalmente vamos tocar em muitas dessas cidades (com exceção da capital do Brasil, o que é uma pena). Nós temos agora 8 shows, isso é muito, mas pra mim é ainda melhor, mais seria realmente impossível marcar mais, como eu disse. Eu realmente mal posso esperar para estar de volta ao Brasil e vou checar suas sugestões de comida. Estou realmente curioso com isso.

Daniel Tavares: Então, até dia 17, no Espaço Jangada em Fortaleza [confira no final da matéria as datas e locais das demais cidades]

Mark Jansen: Te vejo lá. Muito obrigado pela entrevista. Tenha uma boa noite.

Confira o hotsite especial da Liberation, com todas as informações sobre a passagem da turnê mundial "THE ULTIMATE PRINCIPLE" pelo país.

http://www.liberationmc.com/hotsite/epica/




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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