Sacred Son: entrevista com a banda da capa mais true do black metal
Por Diogo Azzevedo
Postado em 20 de dezembro de 2017
Recentemente, escrevi um artigo sobre o Sacred Son (link abaixo), banda inglesa de black metal que vem dividindo opiniões graças à impagável capa de seu autointitulado álbum de estreia, que em breve ganhará uma versão em vinil. Como o assunto também deu o que falar por aqui, resolvi trocar umas palavrinhas com Dane Cross, o sujeito por trás da coisa toda. Por e-mail, enviei a ele a matéria e algumas perguntinhas que foram gentilmente respondidas, acompanhem.
Olá, Dane, como vai?
Dane Cross: Estou ótimo, obrigado. Acabei de receber as provas do LP e estou ansioso para ouvir como ficou.
Escrevi um artigo sobre o Sacred Son para o Whiplash.net e foi um grande sucesso. O que você sabe sobre o Brasil?
Dane: Li o artigo e fiquei grato pela abordagem positiva. Tenho grande admiração pelo Sepultura ("Roots" é um dos melhores álbuns dos anos 90), mas receio que seja tudo o que eu sei a respeito daí. Ouvi dizer que Igor Cavalera agora mora no norte de Londres, embora ainda não o tenha visto.
O black metal geralmente é associado à subversão, e muitos ouvintes o levam a sério demais. Porém, com aquela capa, o Sacred Son subverteu o próprio gênero. Foi um ato de rebelião ou apenas uma isca pra sua música?
Dane: A ideia surgiu naturalmente e, pra ser honesto, pareceu-me relativamente inofensiva na ocasião, pois não me liguei que havia essas regras estritas quando se tratava de obras de black metal. Muita gente pensa que a capa foi concebida como um "foda-se" para os radicais ou como uma jogada de marketing, mas, na verdade, não é nenhuma das duas coisas.
Obviamente, aquela capa foi uma grande sacada, mas a música do Sacred Son também não pode ser ignorada. Por favor, nos fale sobre o processo de composição e gravação do álbum.
Dane: Foi como montar um quebra-cabeça. Comecei por gravar em casa todos os riffs que eu tinha guardados antes de recortá-los e rearranjá-los nas faixas que você ouve no disco. Quando me dei por satisfeito, com tudo bem estruturado e fluindo, então fui ao estúdio para gravar tudo adequadamente.
Algumas pessoas dizem que a capa "feliz" e o nome da banda sugerem que o Sacred Son seja, na verdade, uma banda de white metal/unblack metal, o que pensa disso? Qual a teoria mais estranha que você já ouviu a respeito?
Dane: Entendo por que as pessoas têm essa impressão, mas, na verdade, os temas das músicas estão mais alinhados ao black metal tradicional do que a capa e o nome da banda sugerem. Não chegaria ao ponto de dizer que defendo a queima de igrejas ou o satanismo reacionário, mas a maior parte do álbum está mergulhada em niilismo e misantropia. A melhor teoria que eu li é a de que o Sacred Son, na verdade, é uma banda da Noruega que matou o cara da foto e usou a "selfie" que ele tirou para fazer a capa do álbum.
Não sabemos muito sobre a cena black metal inglesa, exceto pelo Venon e bandas mais sinfônicas, como Cradle Of Filth e Bal-Sagoth. O que você nos recomendaria?
Dane: Dawn Ray’d é uma das melhores bandas de black metal daqui no momento. Se ainda não ouviram o álbum ‘The Unlawful Assembly’, lançado este ano, recomendo muito que conheçam.
Obrigado pelo seu tempo, Dane. O espaço é seu.
Dane: Obrigado pelo apoio!
O debut do Sacred Son pode ser ouvido em sua página no Bandcamp:
https://sacredson.bandcamp.com/
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