Erasure: banda fala sobre novo disco e promete show no Brasil

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Scream & Yell
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ERASURE, duo inglês formado por Andy Bell (voz) e Vince Clarke (todo o resto) foi responsável por grandes hits nos anos 80 como "A Little Respect" (o maior deles), "Always", "Love to Hate You", "Oh L'Amour", "Blue Savannah", uma verdadeira playlist inteira para animar qualquer tertúlia (como eram chamadas as baladas naquela época). Em 19 de maio, a dupla adicionará mais um álbum à sua discografia, "World Be Gone". Dois singles, "Still It's Not Over" e "Love You To The Sky", já antecederam o lançamento do novo trabalho, que dá a impressão de soar um tanto mais obscuro que dançante (nós já tivemos a oportunidade de ouvi-lo na íntegra). Conversamos com Vince Clarke, que confirmou a nossa observação ("tem muita coisa bizarrice acontecendo no mundo e nós queríamos refletir isso em nossas letras, em termos de letras e algumas canções"). Além disso e de prometer show no Brasil (mas só em 2019, provavelmente), Vince, que também fez parte do DEPECHE MODE e do Yazoo, outro duo que também teve canção em novela, fala de um possível revival do Synth Pop dos anos 80, das formas de compor em uma banda só de duas pessoas e da música eletrônica em geral, estilo que ele nega ter sido um dos pioneiros ("depois que fazemos algo por tanto tempo, acabamos sendo vistos como os veteranos, mas não fomos os pioneiros"). Confira a entrevista na íntegra logo abaixo:

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Daniel Tavares: Vamos começar falando do "World Be Gone", seu novo álbum, que está prestes a ser lançado. Eu já o ouvi, mas a maioria dos nossos leitores ainda não. Então, o que você diria para eles, como você descreveria esse seu novo trabalho?

Vince Clarke: Ele se distancia um pouco dos três últimos discos do ERASURE. Nós decidimos, desde o início, que quando fôssemos fazer um novo álbum do ERASURE ele não seria um álbum para dançar. Então, a maioria das canções no álbum são bem mais lentas. E nós quisemos fazer dele bem atmosférico e a maioria das canções no álbum é bem minimalista. Nós passamos um monte de tempo trabalhando nos arranjos e também nós queríamos falar algo mais que canções de amor porque tem muita coisa bizarrice acontecendo no mundo e nós queríamos refletir isso em nossas letras, em termos de letras e algumas canções.

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Daniel Tavares: Eu percebi isso, um pouco. E dessas canções, além do single, que você já lançou, "Love You To The Sky", você mais gosta?

Vince Clarke: Minha favorita no álbum é "World Be Gone". Ela é, eu apenas penso que ela é uma canção muito emotiva, eu gosto muito do sentimento das letras e eu acho que a performance vocal do Andy na canção é surpreendente. Então esta é minha canção favorita.

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Daniel Tavares: Ok, você tem três noites na Inglaterra em sequência e que já estão esgotadas, Glasgow, Londres, Manchester, isso tudo faltando mais de um mês para a data dos shows. O que é que isso quer dizer para vocês? Como você encara esse amor e entusiasmo dos fãs tão antecipadamente?

Vince Clarke: É, é, é um pouco..., mas nós temos fãs maravilhosos, pessoas que tem sido leais e nos seguido por anos e anos e anos. Então, sabe, nós não temos tocado faz um bom tempo, então eu quero muito ver os rostos deles outra vez. E quando terminarmos esses três shows, nós vamos sair em turnê abrindo para o ROBBIE WILLIAMS até setembro. E então, em janeiro do próximo ano nós vamos começar nossa própria turnê. Então, uma vez mais nós vamos ter a oportunidade de encontrar com todos os fãs. Nós vamos sair para a Europa, Escandinávia, e então para a América do Norte e América do Sul. Então, esperançosamente, estaremos no Brasil em 2019.

Daniel Tavares: Bem, isso é muito interessante. Seria a minha próxima questão. Quando você disse que estaria no Brasil?

Vince Clarke: Nós vamos definitivamente tocar no Brasil e na Argentina. E possivelmente no Chile. E isso eu acho que seria na primavera de 2019. [N.R. no Hemisfério Norte, tem início na data 20 de março e termina em 21 de junho].

Daniel Tavares: Oh, isso é muito bom. E uma vez que já estamos falando do Brasil, tem uma pergunta que eu sempre faço para todos os meus entrevistados. Existe alguma banda ou artista brasileiro que você goste, que você escute em sua casa ou mesmo que tenha tido alguma influência no seu som.

Vince Clarke: Eu não conheço nenhuma música brasileira. [Risos]

Daniel Tavares: Ok, sem problema. Bem, vamos falar sobre ALPHAVILLE, a banda ALPHAVILLE, eu acredito que algumas semanas atrás, DEPECHE MODE também há algum tempo, NEW ORDER, no ano passado, A-HA, há uns dois anos, eu acredito, e vocês. Parece que estamos tendo uma espécie de rivalval do Synth Pop. E nós também temos muitas bandas como MGMT, THE XX, THE BIRTHDAY MASSACRE que são novas, mas que estão fazendo um som parecido. Você acha que o Synth Pop voltará a fazer tanto sucesso quanto fez nos anos 80?

Vince Clarke: Eu não acho que o Synth Pop vai fazer tanto sucesso assim, mas a música eletrônica em geral é muito mais popular do que nunca. Especialmente com toda a dance music que existe por aí. Eu quero dizer, há dez, quinze anos atrás, na Inglaterra a cena estava morta. Você não pensaria em coisas assim. Mas parece agora que esta cena está mais forte que nunca, sabe, especialmente com esses festivais de dance maciços que existem nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Europa, sabe. Ela parece mais popular agora que nunca. Eu quero dizer, em relação ao pop dos anos 80, o Synth Pop, ou o que quer que seja, eu não sei a razão para isso. Existem muitas bandas, tipo dos anos 80, que estão fazendo tipo turnês de reunião. E nós somos umas das poucas bandas que nunca se separaram, então não estamos fazendo turnê de reunião, só retomamos.

Daniel Tavares: Você tem estado há muitos anos no ERASURE, mas também fez parte do YAZOO, do DEPECHE MODE, e é considerado um dos pioneiros do que a gente chama de Electronic Dance Music. Como você se sente a respeito disso e como você vê esse tipo de música em geral?

Vince Clarke: Eu não acho que sejamos os pioneiros, realmente. Eu quero dizer, quando começamos, haviam outras bandas que começaram muito antes da gente, como o HUMAN LEAGUE, os dois primeiros álbuns do HUMAN LEAGUE. Os dois primeiros álbuns do HUMAN LEAGUE que eu ouvi eu tinha apenas 17 anos [N. Na verdade, provavelmente um pouco mais tarde]. Nos anos 70 havia música eletrônica acontecendo em todo lugar. Eu acho que, na verdade, eles mais que me influenciaram do que eu influenciei qualquer outra pessoa. Eu acho que, quando você tem estado fazendo música por tanto tempo, você acaba sendo o cara velho, [risos], vira a pessoa mais velha. Eu sou a pessoa mais velha fazendo esses discos agora. E quando eles lançam meus discos eu sinto muito por mim. Eu não sei.

Daniel Tavares: Uma vez que falamos do YAZOO, eu tenho que confessar para você que eu amava "Situation" quando eu era um garoto. Eu gostava daquele som, havia algo como umas gotas de água caindo numa lata, eu não sei. E a canção fez parte da trilha sonora de uma novela, que foi muito popular no Brasil [N. Sol de Verão, Rede Globo, 1982-1983]. Bem, deixa para lá. Que novidades você tem sobre essa banda que você formou com Alison Moyet? Existe alguma chance de vocês se reagruparem para uma turnê, como fizeram em 2008, ou mesmo gravar algumas canções, agora com Andy, talvez gravar uma versão de "Situation", por exemplo?

Vince Clarke: Bem, eu não acho, eu não penso que nós vamos fazer alguma turnê de novo, sabe. Eu acho que você não pode nunca dizer nunca. Pode haver um tempo, uma oportunidade ou uma canção que o Andy e a Alison cantem juntos, então sempre há a possibilidade, mas nós não temos nada especificamente planejado agora.

Daniel Tavares: Isso seria incrível, vocês três em um palco. E de volta à música eletrônica, ela também é conhecida pelos mashups. E "A Little Respect" é um dos seus maiores hits. E "Respect", da Aretha Franklin é um dos maiores hits dela. Vocês já pensaram em ter um mashup do "Respect" da Aretha Franklin com a canção de vocês? Você acha que estas duas canções têm alguma relação de alguma forma, além dos seus títulos?

Vince Clarke: Eu não sei. Eu nunca considerei nisso, mas é uma ideia interessante. Eu não sei se faria esse mashup eu mesmo, mas conheço pessoas que talvez estejam interessados em fazer isso. Eu vou dar um jeito. Definitivamente.

Daniel Tavares: E, também, você tem sido parte de um duo por muito tempo. Isso foi com o YAZOO, no começo dos anos 80, depois com o ERASURE. Também houve o THE ASSEMBLY. Você não se sente solitário ou sente falta de alguma coisa por ser responsável por toda a parte instrumental da banda? Você gostaria de ter um guitarrista, ou baterista, porque eu não acho que tenha visto mais que backing vocais além de você e Andy em suas apresentações ao vivo?

Vince Clarke: Sim, eu não sei se nós teríamos outras pessoas no palco. Como você disse, é solitário, fica solitário fazer música sozinho, então, recentemente eu tenho feito um monte de colaborações com pessoas diferentes para diferentes projetos. E eu estou realmente gostando disso. Agora, você sabe, eu moro no Brooklyn, em Nova York, e tem uma de música eletrônica bem grande aqui. Então, eu acabo encontrando algumas pessoas realmente interessantes, que fazem música realmente interessante e eu me vejo fazendo cada vez mais agora, porque meu estúdio é em minha casa, no porão, e você acaba não interagindo tanto com pessoas como quando vai para estúdios comerciais. Então, agora, eu estou realmente gostando de fazer essas colaborações por fora. Tem sido muito divertido.

Daniel Tavares: Quando você está fazendo uma canção para o ERASURE, você sempre faz toda a parte instrumental e o Andy... o Andy colabora com alguma parte instrumental?

Vince Clarke:O que usualmente acontece é que quando nos sentamos juntos para compor, normalmente sentamos no piano no porão e trabalhamos na canção. E talvez eu trabalhe em alguns acordes, e o Andy trabalhe em algum tipo de melodia. E então o Andy sai e começa a trabalhar nas letras. E eu fico trabalhando nos arranjos. Mas, frequentemente, se eu fico bloqueado, preso, sem uma ideia para alguma base ou algo assim, o Andy vem com alguma ideia. O mesmo acontece com as letras. Se o Andy se sente travado para expressar o que ele quer dizer, então eu posso sugerir alguma coisa. Então, nossos caminhos normais às vezes se cruzam, mas, na maioria das vezes, ele é o cara das letras e eu sou o cara da música.

Daniel Tavares: Andy tem vivido com HIV por quase 20 anos e, felizmente, ele parece estar bem. Isso é verdade? Como está a saúde dele?

Vince Clarke: Agora ele está em uma ótima forma na verdade. Ele está numa forma realmente boa e está soando fantástico no momento. Eu quero dizer, sua voz está simplesmente soando melhor do que esteve por um longo tempo, sabe? Ele fez um trabalho fascinante cantando no disco. Ele está aproveitando o momento e indo malhar todos os dias para se preparar para as turnês, porque isso também é um trabalho muito físico.

Daniel Tavares: Ok, essas eram as perguntas que eu tinha no bolso. Agora eu gostaria que você ficasse à vontade para falar com todos os seus fãs brasileiros, que dissesse a eles para comprar o seu álbum e o que quer que você queira dizer para todo o Brasil.

Vince Clarke: Ok, muito obrigado a todos os fãs do Brasil, muito obrigado por seu dedicado apoio. Existe um jeito de cantar, que só existe no Brasil, vocês cantam muito alto. E se vocês estiverem interessados, comprem nosso novo álbum, que se chama "World Be Gone" e é bem legal.




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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