Holocausto: o massacre War metal está de volta!

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Por Écio Souza Diniz, Fonte: Pólvora Zine
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O ano de 2017 é uma celebração especial para a lendária banda belo horizontina HOLOCAUSTO, visto que marca os 30 anos do lançamento do clássico “Campo de extermínio” (1987), um dos álbuns mais polêmicos e únicos do Metal brasileiro. Mas também há outros acontecimentos especiais rolando desde 2016 como o retorno da banda com a formação clássica de 1986, contando com Rodrigo Führer (vocal), Valério Exterminator (guitarra), Anderson Guerrilheiro (baixo e vocal) e Nedson Warfare (bateria), e a gravação do EP “War Metal Massacre”, prestes a ser lançado pelo selo estadunidense Nuclear War Now. Nesta entrevista Rodrigo Führer falou sobre esse excelente momento da carreira da banda, além de sua visão sobre o mundo atual.

PÓLVORA ZINE: Ano passado, vocês fizeram uma produtiva turnê na Alemanha, na qual tocaram no grandioso Nuclear War Now Festival V em Berlim, juntamente com bandas como INCANTATION, SABBAT e VARATHRON. Como foi a experiência de tocar neste festival e no país que inspirou a temática e o estilo da banda, o War metal?

Rodrigo: Foi uma experiência incrível tocar nesse festival brutal com um cast de peso, um marco na história da banda e uma honra representar o metal extremo sul-americano na Europa. É impressionante o reconhecimento e como o metal brasileiro é aclamado lá fora. Quanto à Alemanha é um país fantástico, creio que aprenderam muito com as guerras, mas na verdade somos influenciados por todas as guerras do mundo. A humanidade sempre esteve e sempre vai estar em guerra!

P.Z: Falando em shows, vocês também participaram ano passado da 18ª edição do festival sul-mineiro “Roça and Roll” em Varginha, tocando com uma performance excelente o clássico “Campo de extermínio” (1987) na íntegra. Quais foram os saldos daquele show para vocês?

Importantíssimo, pois foi o show de retorno da banda aos palcos após quase 10 anos de inatividade e mais, foi o retorno da formação original de 1986, 30 anos depois!!! Uma prova de fogo tocar num festival dessa dimensão para um público grande! Tocamos todo o material dos anos de 1985 (“Massacre”), 1986 (“Warfare Noise”) e 1987 (“Campo de Extermínio”) além das músicas novas de 2016.

P.Z: Os referidos shows acima foram filmados por alguém da equipe de vocês e temos alguma possibilidade de ter lançamento deles em vídeo futuramente?

Na verdade não gravamos com uma qualidade suficiente para lançarmos um produto oficial, mas existem propostas para regravarmos o “Campo de Extermínio ao vivo” e quem sabe um DVD deste show registrando a força da banda ao vivo.

P.Z: Vocês estão aí com o sucessor de “De Volta ao Front” (2005), intitulado “War Metal Massacre”, lançado pela Norte-americana Nuclear War Now Productions. Como foi reunir a formação clássica da banda e lançar algo após tantos? Tudo fluiu naturalmente ou houve dificuldades no início?

Sim, o “War Metal Massacre” está prestes a ser lançado em CD e LP, um orgulho pra nós pois conseguimos resgatar o War Metal do início da banda! Foi muito difícil acontecer essa reunião, demorou muito pra acontecer, mas aconteceu na hora certa. Eu, o Valério Exterminator e o Anderson Guerrilheiro já tínhamos nos reunido na época do “De Volta ao Front” (2005), mas o Nedson Warfare Tank eu não o via há quase 30 anos! Mas logo no primeiro ensaio tivemos a certeza que daria certo, pois a aura que pairava no ar era semelhante a dos anos oitenta.

P.Z: Musicalmente, a metade das músicas inéditas em “War Metal Massacre” é bem ligado aos primórdios da banda. Isto já foi algo intencional, retomar a crueza inicial? Por que optaram por metade do set list ser composto por regravação as clássicas “Destruição Nuclear”, “Escarro Napalm” e “Massacre”?

Sim, com certeza conseguimos trazer o War Metal dos primórdios de volta, deixamos de lado o projeto do disco Diário de Guerra e resolvemos nos influenciar basicamente pelas músicas da “Warfare Noise” e da demo “Massacre”, pois sentíamos que tínhamos uma dívida conosco e com nosso público, de resgatar algo interrompido. A ideia era comemorar os 30 anos desse retorno, regravando justamente essas três músicas citadas que foram as únicas gravadas por esta formação e três músicas novas executadas pela mesma formação 30 anos depois, pois o Nedson Warfare Tank saiu antes da gravação do “Campo de Extermínio”.

P.Z: Haverá distribuição de “War Metal Massacre” por algum selo brasileiro por agora?

Por agora nada certo, somente uma proposta de um selo sul-americano.

P.Z: A capa de “War Metal Massacre” (criada pelo australiano Barney Fried, que já trabalhou com bandas como TAROT, OUTCAST, BACKYARD MORTUARY, entre outras) ficou bem legal e remete muito ao aspecto visual explorado em “Campo de extermínio”. De onde surgiu a ideia para ela?

A ideia desse projeto foi plenamente aceita e abraçada pelo Konish da Nuclear War Now e partiu de fragmentos iniciais de nossa parte. Ele então escolheu o Barney Fried para desenvolver uma capa que remetesse aos discos brasileiros da década de 80. Creio que o trabalho ficou estupendo, uma verdadeira obra de arte no estilo War metal!

P.Z: Diante da temática e do próprio estilo do HOLOCAUSTO, como vocês enxergam este momento insano em pleno século 21 que o mundo atravessa com a devastação no oriente médio, crescimento do conservadorismo e extrema direita em vários países, incluindo Trump nos Estados Unidos, possibilidades de investida da Rússia para retomada de alguns países do Leste Europeu, a ameaça da Coreia do Norte, crescimento da Xenofobia novamente em países como Alemanha e França e a situação brasileira? Estaria a humanidade precisando de um “reset”?

Como disse anteriormente o mundo sempre esteve em guerra, somos uma raça beligerante, não vejo que possa haver alguma mudança, pois embora apesar de vivermos uma época de bastante avanços em tecnologia, medicina, etc. a intolerância e ganância aumentam proporcionalmente. Sim, precisamos desse “reset”, algo como desligar e ligar novamente.

P.Z: Os álbuns “Blocked Minds” (1988), “Negatives” (1990) e “Trozago as deísmo” (1993) estão fora de catalogo e difíceis de achar. Há algum plano de relança-los?

Sim, existe um projeto de relançar conjuntamente o “Blocked Minds” e o “Negatives” num combo como foi feito com o CHAKAL, mas no momento esse projeto está engavetado. Tenho também um projeto de resgate, remixagem e reedição do “Trozago as Deismno”, pois existe muita sobra de estúdio. Falando em relançamentos, a Cogumelo tem relançado vários discos clássicos da cena belo Horizontina dos anos 80, como também de bandas de outros Estados.

P.Z: Numa era de download, spotify, itunes, entre outros, qual a importância para você do relançamento físico desses discos?

Justamente o resgate das obras, pois muitos desses títulos estavam fora de catálogo, ofertando assim uma oportunidade das pessoas adquirirem um material raro, um produto oficial que muitas vezes ainda contam com algum item inédito como fotos, shows etc.

P.Z: Quais são os demais planos da banda para 2017?

Comemorar os 30 anos de lançamento do “Campo de Extermínio”, tocando ao vivo, conjuntamente com o “War Metal Massacre” e gravar o “Diário de Guerra”, que já conta com 03 músicas no ponto. Aproveitando gostaríamos de agradecer a oportunidade de nos expressarmos aqui. Obrigado! War Metal Massacre! Sem política! Sem fanatismo! Sem bandeiras!

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Sobre Écio Souza Diniz

Graduado em Ciências Biológicas e pesquisador na área de Ecologia e Evolução vegetal, sempre foi aficionado por leituras sobre o mundo do Rock/Metal. Além do metal, tem como paixões filmes de terror e épicos. Já participou como vocalista de várias bandas de Death/Grind, mas como nenhuma vingou se encontrou melhor em redigir matérias, fundando há alguns anos atrás o Pólvora Zine. Colabora também com vários sites especializados e com a revista Roadie Crew. Suas bandas preferidas são Iron Maiden, Black Sabbath, Dio, Dorsal Atlântica, Candlemass e Sarcófago.

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