Rival Sons: as pessoas não dançam mais rock

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Ceará & Rock
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Nesta quinta-feira, liguei para um hotel na Argentina. Usei todo o meu riquíssimo vocabulário espanhol de duas ou três palavras para informar à atendente que queria falar com o hóspede do quarto 1304. Eu tinha entrevista marcada com Scott Holiday, um jovem guitarrista que faz parte da RIVAL SONS, uma banda que tem sido considerada uma das maiores da atualidade (tanto que foram convocados para abrir os shows dos pioneiros do Heavy Metal, BLACK SABBATH, em sua última turnê). Além de Scott, Jay Buchanan (vocal), Michael Miley (bateria) e David Beste (baixo) compartilham a responsabilidade de manter o público aquecido na The End tour. Foi principalmente sobre isso que eu falei com Scott, mas também sobre o disco mais recente deles, o 'Hollow Bones', sobre se estão trazendo de volta a magia ao rock and roll como havia nos anos 70 e avisei que eles iriam conhecer o KRISIUN. Confira a conversa na íntegra logo abaixo.

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Daniel Tavares: É um prazer falar com você. Eu os vi no Monsters of Rock no ano passado em São Paulo. Como é voltar à América do Sul, como você acha que será aqui no Brasil e o que você acha que os fãs do RIVAL SONS e do BLACK SABBATH podem esperar dos shows que vocês vão fazer aqui no Brasil?

Scott Holiday: Oh, que coisa, eu acho que EU deveria estar perguntando a você o que eu poderia esperar, mas se você está perguntando o que os fãs podem esperar, o que nós vamos trazer, eu quero dizer, vai ser semelhante em questão de tempo de palco quando estávamos no palco tocando no Monsters of Rock. Nós não temos um 'headline set', não podemos tocar um par de horas como nós normalmente faríamos, mas nós vamos dar muito fogo e energia nos cerca de quarenta minutos que teremos com o BLACK SABBATH. Eu acho que nós estaríamos esperando, é... Deus, quando viemos pra São Paulo, no Monsters of Rock, foi ainda mais do que esperávamos. Honestamente. Nós estamos sentindo muita falta do que passamos da primeira vez, a plateia foi esmagadoramente quente e empolgante. Foi inacreditável. Nós ainda recordamos que estávamos lá pela primeira vez e o público estava cantando junto com a gente, tão entusiasmadamente, então nossas esperanças são realmente altas e nós estamos realmente empolgados para o show.

Daniel Tavares: Você acabou respondendo a ambas as questões, mas existe algum plano para uma turnê individual, com shows completos no Brasil em 2017, talvez?

Scott Holiday: Ah, voltar como atração principal?

Daniel Tavares: Sim.

Scott Holiday: Sim, eu acho que todo mundo está trabalhando agora pra fazer isso acontecer sim. Eu não acho que haja algo nas nossas agendas agora, mas eu sei que todos os promotores, agentes e nossos empresários estão conversando neste momento. Vamos ver como tudo se desenrola.

Daniel Tavares: Ok. Vocês lançaram cinco álbuns em cerca de sete anos. E, apenas como comparação, todo mundo hoje, no mundo inteiro, está falando do novo álbum do METALLICA, que levou oito anos para acontecer. [risos] É mais do que o que vocês levaram para lançar todos os seus cinco álbuns. E não apenas o som de vocês tem o sotaque blueseiro, funky [em inglês é tudo a mesma coisa, mas, obviamente, não quis usar o termo funqueiro aqui] e soul que os grandes discos dos anos 70 tinham naquela época, mas vocês também fazem como eles fazem, vocês lançam quase um álbum por ano. Você concorda que bandas como o RIVAL SONS ou o BLUES PILLS, etc, trazem de volta a mágica daquela década para nossos dias?

Scott Holiday: Oh, seria muito presunçoso da minha parte achar que faço parte de um grupo que traz de volta a mágica de bandas que meio que preenchiam meu coração quando cresci ou, sabe, quando estava com meus pais, mas, certamente, todo este tipo de música com o qual as pessoas nos comparam está no fundo do meu coração e certamente eu busco a mágica deles. Eu acho que qualquer artista deve querer refletir e criar o mesmo tipo parecido de magia. Não importa que tipo de caminhada, o tipo de vida que você leva ou que tipo de arte você faz, sabe, se você é um grande pintor você, certamente, vai querer ecoar o que é mais importante no seu coração, o que te faz sentir a magia através da pintura. Quando você vai se sentar e pintar você vai querer adornar, vai decorar, vai usar todos os elementos que puder que o façam se sentir especial a respeito da pintura quando for se sentar e pintar. Ou se você for um escritor você vai absorver dos seus autores favoritos o que te fizer sentir o mesmo calor, a mesma magia. Certamente eu vou dizer que estou em um grupo em que há o jeito que gostamos da música, de um jeito que achamos que é mágica e, claro, nós vamos colocar esse tipo de magia na música e fazer as pessoas se sentirem da mesma forma boa, se nós conseguirmos fazer isso.

Daniel Tavares: Ok. O 'Hollow Bones' é outro bom disco. Já faz alguns meses que ele saiu. Como você tem visto a receptividade a ele?

Scott Holiday: Eu acho que a maior parte da receptividade tem sido muito boa pra gente. Nós estamos em um selo muito pequeno. Eles tem um alcance muito pequeno, estão constantemente crescendo e tem sido muito bons com a gente. Eu acho que o álbum poderia estar indo muito melhor se estivéssemos em uma companhia maior, mas, na conjuntura em que estamos e com as pessoas fazendo negócios dentro do alcance neste nível, nós não conseguimos alcançar tantas pessoas, mas as pessoas que nós estamos alcançando parecem entender o que estamos fazendo e como estamos tentando crescer e progredir nas cadeias de marketing. É um esforço sólido e nos mostrou uma grande quantidade de mudanças.

Daniel Tavares: E como é dividir o palco com O BLACK SABBATH? E ser escolhida como a última banda que dividiria o palco com eles? Eu vou te fazer outra questão, mas responda essa primeiro.

Scott Holiday: Bem, claro, que ganhamos muito com isso, porque nós todos sabemos que o BLACK SABBATH é uma das maiores bandas de rock and roll, heavy metal em atividade de todos os tempos. E, claro, ser pedido para fazer isso e da forma que chegou na gente, do jeito que conseguimos o show, foi uma honra incrível. Em um nível pessoal eu cresci bastante tocando uma porção de melodias, riffs e solos e licks nos meus discos deles. O que mais eu posso dizer além de que é uma honra imensa e é realmente divertido. É realmente realmente divertido. Eles tem sido fantásticos com a gente. São realmente pessoas agradáveis e divertidas com quem estar na estrada, a equipe técnica, a banda... É simplesmente uma grande honra.

Daniel Tavares: É verdade que eles vão continuar depois dessa turnê? Haverá mais shows em 2017, você sabe de algo sobre isso?

Scott Holiday: Eu não sei nada sobre isso. Eu sei o que você sabe. Eu sei o que eu li, eu li nesta semana o que acabou de sair, que talvez haja um álbum, que talvez hajam datas em festivais e, claro, eles vão entrar em uma imensa, enorme folga depois. Eu não sei. Não sei dos negócios deles, eu apenas abro os shows deles e sou amigo deles. [risos]

Daniel Tavares: Ok. E quais são os planos do RIVAL SONS para 2017?

Nós estamos ocupados. Nós estamos muito, muito ocupados. Eu quero dizer, nós não fizemos turnês apropriadamente com o 'Hollow Bones', como uma headline tour, porque assim que ele saiu nós entramos na turnê do BLACK SABBATH. Então, é claro que nós temos que voltar à Europa, esperançosamente para a América do Sul e certamente no nosso próprio país, fazer uma turnê de headliner. Então, ao invés de termos 40 minutos termos uma hora e meia, duas horas todas as noites. Então nós vamos fazer isso, eu acho que depois que a turnê com o SABBATH acabar em janeiro. Em fevereiro, nós vamos à Europa e começaremos nossa turnê como headliners e depois vamos voltar por algumas semanas e começar uma turnê pelos Estados Unidos. Depois vamos voltar pra casa por um pouco de tempo e depois voltar para a temporada de festivais na Europa e fazer todos os festivais que conseguirmos por lá. Aí entramos em mais alguma outra turnê ou vamos começar a gravar outro disco.

Daniel Tavares: Eu tenho reconhecido, nós temos reconhecido influências de todas essas bandas das quais falamos, DEEP PURPLE, LED ZEPPELIN, também o SABBATH, em seu som, mas há uma questão que eu sempre pergunto para todos os meus entrevistados. Eu gostaria de saber sobre músicos brasileiros ou influências, existe alguma banda brasileira que você goste ou que tenha crescido escutando ou que goste de ouvir em casa?

Scott Holiday: Eu imagino se conheço alguma coisa que eu realmente não sabia se era brasileiro. Cite nomes de bandas que eu talvez conheça.

Daniel Tavares: Algumas pessoas falam de Sergio Mendes [Marty Friedman], de SEPULTURA [quase todos]

Scott Holiday: Eu não conheço este [o primeiro], mas, eu quero dizer, sobre o SEPULTURA, eu definitivamente cresci com um pouco do SEPULTURA, mas estou tentando me lembrar de mais alguma coisa que eu possa realmente conhecer, mas nada realmente óbvio me aparece. Eu me sinto empolgado para conhecer um pouco mais. Isso eu posso te dizer com certeza.

Daniel Tavares: Ok, vocês vão conhecer uma banda chamada KRISIUN. É uma banda de metal extremo, muito brutal. Vocês vão conhecê-los em Porto Alegre [segunda-feira, 28 de novembro de 2016 20:00h. Centro de Eventos da FIERGS]. Eles também vão ser abrir o show do BLACK SABBATH.

Scott Holiday: Oh, legal, beleza, eu vou dar uma sacada neles.

Daniel Tavares: Sim, vocês serão apresentados. É uma das maiores bandas brasileiras. Não são obviamente o mesmo tipo de música que vocês fazem, são muito extremos, muito brutais, mas vocês vão conhecê-los.

Scott Holiday: Excelente.

Daniel Tavares: Bem, estamos chegando ao final do nosso tempo. Gostaria de terminar com uma mensagem. O que você gostaria de dizer aos fãs do RIVAL SONS, aos fãs do BLACK SABBATH? Para aqueles fãs do BLACK SABBATH que não conhecem o RIVAL SONS, eu gostaria que você os convidasse e contasse o que eles vão ter no seu show, nos seus shows no Brasil.

Scott Holiday: Sim, obviamente. Nós só estivemos aí uma vez e eu sei que temos fãs que vamos encontrar pela primeira vez. Eu posso ver por todas as mídias sociais muitos fãs brasileiros chegando, escrevendo suas mensagens pessoais, postando na nossa timeline, então eu sei que temos fãs aí. E para as pessoas que não nos conhecem, nós não podemos esperar para fazer fãs. Este é um maravilhoso e admirável lugar para se ir, se visitar. Então eu espero que todo mundo chegue e venha cedo para nos ver e gostem e continuem nos chamando para voltar várias vezes. Se você não ouviu ainda falar da banda, da RIVAL SONS, somos abundantemente comparados com muitas das primeiras realezas do rock and roll. Nós não tendemos a nos ver no meio disso, pois somos uma banda jovem, com caras novos, mas as pessoas esperavam por uma banda como a gente, sabe. Nós damos vários nomes diferentes à música. Alguns dizem que fazemos rock and roll e a forma que eu vejo o rock and roll é pesadamente blueseira e explosiva, pesadamente soul e explosivo, algo que te faça empunhar as mãos, talvez balançar a bunda... Não existe muito rock and roll nos dias de hoje. Há muita angústia no rock and roll. Não há mais loucura, não há mais dança. Você não vê as pessoas dançando rock hoje em dia e nós tentamos manter um pouco deste espírito na nossa música. Se você pensar no CHUCK BERRY, LITTLE RICHARD, ELVIS PRESLEY, qualquer um desses pioneiros no rock and roll, no BUDDY HOLLY, você sempre vai balançar o pé, vai achar alguma dança nisso. E o RIVAL SONS tenta manter esse espírito no rock and roll. E é também muito indecente. Muito explosivo. Nós chegamos no palco, damos o máximo, deixamos tudo no chão, sem bobagens, direto ao ponto, deixamos tudo no palco. Então eu convido todos os brasileiros para vir e nos ver.

A RIVAL SONS toca com o BLACK SABBATH a partir desta semana no Brasil. Em Porto Alegre o show é no estacionamento da Fiergs, na segunda, 28. Além das duas bandas, o KRISIUN também se apresentará na capital gaucha. Em Curitiba, o show é na Pedreira, na quarta, 30. Na sexta, 02, os cariocas vão ver as duas bandas na Apoteose. BLACK SABBATH e RIVAL SONS se despedem do Brasil no domingo, 04, com show no Morumbi, em São Paulo. A RIVAL SONS continuará acompanhando o BLACK SABBATH até o início de fevereiro de 2017, com shows na Irlanda e Inglaterra.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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