Hatefulmurder: mantendo o agressividade

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Por Marcos Garcia, Fonte: Metal Samsara
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As dificuldades parecem ser a fonte de energia de algumas bandas na cena brasileira. E o HATEFULMURDER, banda carioca de Thrash/Death Metal, é uma delas.

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Após todas as dificuldades que cercaram as gravações do primeiro álbum da banda ("No Peace", de 2014), e a experiência de crescimento de popularidade, culminando com shows com o grupo americano WARBRINGER pela América do Sul, há algum tempo, um novo baque: o vocalista Felipe Lameira deixou a banda. Mas em uma resposta quase imediata, a vocalista Angélica Burns (ex-SCATHA e DIVA) entra na vaga e a banda se prepara para vôos mais altos.

Aproveitando a deixa, lá fomos nós bater um papo com eles e saber das novidades e dos planos deles para o futuro.

Antes de tudo, agradeço de coração pela oportunidade, e vamos logo para uma pergunta quente: quais foram os motivos que levaram à saída de Felipe, e como chegaram até Angélica? O que influenciou nessa escolha?

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Renan Campos: Pra ser sincero, Felipe Lameira precisou de um tempo para organizar sua vida pessoal e atividades fora da banda. Foi uma decisão pessoal e a respeitamos.

Além disso, de uns tempos pra cá, nossos planos pra banda não estavam seguindo a mesma linha de raciocínio, com isso ele decidiu deixar o HATEFULMURDER.

Nós somos muito gratos ao Lameira, sentimos orgulho por tudo que conquistamos juntos. Nossa amizade continua, eu acho que uma coisa não afeta a outra.

Agora, é olhar pra frente e continuar!

Sobre a Angélica, a gente já conhecia o trabalho dela em outras bandas, já vimos shows, já dividimos o mesmo palco etc.

Eu me lembro de ter pensado no nome dela. Mas nada muito sério. Estávamos fazendo um "levantamento" de quem poderia fazer um teste, assumir a vaga etc.

E claro, vários nomes vieram à cabeça.

Sobre ela, rolava uma dúvida. A gente não fazia a menor ideia se ela toparia voltar a trabalhar com música de maneira tão efetiva.

Na verdade, pensávamos que ela não queria mais fazer parte de banda nenhuma.

Por acaso, nosso produtor, sem saber que já havíamos pensado nela, sugeriu de fazer um contato e saber se rolava interesse.

Ficamos surpresos. Angélica se mostrou a mais empolgada, muito feliz com o convite, completamente disposta e com a mesma mentalidade de trabalho que a nossa. Isso foi o que nos motivou na escolha.

Fizemos um teste com ela, e pronto! Soubemos ali.

Angélica mostrou uma interação com a gente fortíssima, um potencial técnico naturalmente incrível! Foi muito foda!

Angélica, você já é bem conhecida por seus trabalhos com o SCATHA e o finado DIVA. Mas você sempre teve uma pegada mais para o Death Metal, então, estar no HATEFULMURDER deve estar sendo algo novo. Óbvio que já estamos ansiosos para ver, mas seria correto esperar algo diferente em sua forma de cantar? Aliás, ando ansioso para ver como está ficando!

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Angélica Burns: Primeiramente, eu queria ressaltar que foi com muita alegria que recebi o convite para entrar no HATEFULMURDER. Sempre curti muito o trabalho da banda e nunca imaginei que pudesse um dia fazer parte dela. Sim, com certeza vocês podem esperar um vocal bem mais agressivo e bem mais a minha cara, tanto nas músicas antigas, como nas músicas novas. É muito bom estar numa banda em que você tem total liberdade de criação. Acho que vocês vão se surpreender!

Bem, creio que os ensaios devem estar acontecendo em um ritmo frenético. Como tem sido as coisas com Angélica? Aliás, não só com ela, mas com o Felipe Modesto (baixista) também, uma vez que ele entrou após a gravação de "No Peace"?

Renan: Exatamente!

Angélica teve que aprender todo o set list e entender como funciona nossa dinâmica de show em pouco tempo. O legal é que ela se adaptou rápido. Somos muito chatos e exigentes.Até que ela está aguentando bem a gente (risos).

E claro, já estamos trabalhando no próximo disco, e ela também participa de todo esse processo, então dá pra ter uma ideia da correria!

Mais ou menos da mesma forma que rolou com Modesto.

Vocês andaram em uma pegada intensa em termos de shows desde 2014, com aberturas para VOIVOD e KATAKLYSM, e depois para o EXODUS, e depois, na tour com o WARBRINGER pela América do Sul. Quais as maiores lições que tiraram desses shows? Aliás, se não me falha a memória, já estiveram no Chile também...

Renan: A ideia é sempre essa: Levar nossa música para todos os cantos.

Seguindo esse "mantra" a gente conseguiu dividir palco com bandas que sempre ouvimos, desde moleques. Com isso, aprendemos muito!

Em Julho deste ano, saímos em uma turnê com o Warbringer(EUA) junto com os brothers do NervoChaos(SP), foi brutal!

Acho que a primeira lição é tentar ficar sóbrio a maior parte do tempo! (risos).

Falando sério. A coisa não se resume à farra. É muito trabalho, correria e pouco descanso.Mas é muito satisfatório também!

Conhecer novas culturas, fazer novos fãs, novos amigos é uma das coisas mais incríveis de estar na estrada.

Headbanger é igual em qualquer lugar do mundo, a vibe é sempre aquela, forte pra caralho!

Os fãs da América do Sul são muito fiéis, pessoas muita apaixonadas pelo Metal vindo do Brasil.

Nos tornarmos amigos dos caras do Warbringer, aprendemos muito com eles, músicos incríveis, pessoas simples, muito pilhadas e sempre com muita disposição.

Mesma coisa com o NervoChaos, aquela galera ali dispensa apresentação!

Foi uma honra pra gente!

A turnê durou coisa de doze dias, passamos por sete países. E o clima foi de celebração, parceria e de união.

Uma banda ajudando a outra, seja no backstage, no palco, na montagem, ou até mesmo no bar. Foi incrível, não vemos a hora de voltar pra estrada de novo!

Estivemos no Chile, em 2014, foi a nossa primeira turnê fora do Brasil, a única diferença é que foi uma passagem mais curta, e que não viajamos com outras bandas. Fizemos três shows por lá, um deles tocamos com o Killswitch Engage(EUA).Com certeza uma das melhores experiências que tivemos.

Ainda sobre os shows, parece que a demanda internacional pelo HATEFULMURDER tem aumentado bastante. Já existem planos para algo no eixo EUA-Europa?

Renan: Com certeza, o que não falta é convite. Temos esse planejamento sim.

Mas por hora o foco é trabalhar no disco que está por vir. Podem aguardar que tem muita coisa vindo por aí ainda!

Falando um pouco de "No Peace": como foi a recepção do disco, depois de um ano de lançamento? Parece que não só a aceitação por parte da crítica foi boa, mas os fãs parecem ter abraçado o disco de forma intensa. O que me dizem? E chegou a existir licenciamento para o exterior? Receberam feedback dos EUA, Europa e Japão sobre ele?

Renan: Sim, até hoje a galera elogia o material, isso é muito muito gratificante! Um disco é como um filho, temos um puta orgulho do "No Peace".

Foi lançado aqui no Brasil pela Cogumelo Records. Também saiu em parte da Europa e EUA pela GreyHaze. Temos um feedback superpositivo desses lugares.

Bem, o disco novo parece que está vindo por aí, tendo o Renato Tribuzy na produção. Existe alguma coisa que pode nos adiantar do novo trabalho?

Renan: Exatamente, estamos na pré-produção do material, trabalhando bastante.

Escolhemos trabalhar com Renato Tribuzy na pré-produção das músicas.

Ele é um profissional incrível, e um cara muito fácil de trabalhar e gente boa.

Tribuzy vem de uma escola mais clássica quando o assunto é Metal.

Ele não é um cara do Metal Extremo, e isso é que torna essa parceria mais interessante!

O Tribuzy é uma pessoa que vê música além dos rótulos.

Ele entendeu a proposta do nosso trabalho. A galera pode esperar uma banda muito mais madura, pesada, consciente e coesa para o próximo disco.

Ainda sobre o disco novo: em uma entrevista anterior que fizemos para a Hell Divine, falei da diferença dos EPs anteriores, que tinham um jeitão mais voltado ao Thrash Metal, para "No Peace", em que o lado Death Metal de vocês se tornou mais forte. Musicalmente, o que esperar do próximo? Aliás, como a entrada da Angélica irá afetar o trabalho de vocês nesse ponto?

Renan: O próximo disco é uma espécie de fusão de tudo que já fizemos até hoje, porém mais elaborado. Sem se prender ao rótulo de Thrash Metal ou Death Metal.

Pensamos um disco mais estruturado, equilibrado e o principal: um disco muito inspirado.

Porém não vamos parar por aí. A ideia também é trabalhar com elementos que ainda não exploramos, não vou revelar tudo (risos).

Mas podem aguardar que vem coisa nova por aí!

Angélica é a vocalista, nós começamos a compor o disco antes dela entrar na banda. Mas com certeza ela traz uma bagagem e uma referência própria pra nossa sonoridade, está somando bastante em todo esse processo.

E já que falamos dos EPs originais, já passou da hora deles serem relançados. Há planos nesse sentido? E sim, estou cobrando vocês! (risos)

Renan: Vamos voltar com mais cópias do "Wartrail" (2011) ao nosso Merch oficial!

Pode cobrar! (risos) Muita gente gosta desse trabalho. Ele não foi lançado por nenhum selo ou gravadora, é independente. Não sei se vamos relançar por alguma gravadora, mas é certo de termos, e voltaremos a vendê-lo! A galera pode encontra-lo pra ouvir nas plataformas digitais como Spotify, etc.

E mais uma pergunta bem quente: dia 26/11, vocês tocarão no Imperator (RJ), e vai ser o show de estréia da nova formação, ao lado do UNMASKED BRAINS. Como estão os ânimos? E o que podemos esperar desse show?

Renan: Com certeza vai ser noite incrível. Vários fatores contribuem pra isso, a energia e o histórico do lugar, nossos amigos do Unmasked Brains dividindo palco, o público e fato de estarmos fazendo uma estreia. Muitas pessoas querem ver como está a atual formação.

Nosso último show foi em Buenos Aires (Argentina), faz alguns meses. A última vez que tocamos no Rio de Janeiro, eu acho que foi no começo do ano.

Então dá pra imaginar que vamos subir com sangue nos olhos. Principalmente por estarmos na nossa cidade!

E dois dias depois, vocês estarão em SP abrindo o show do VADER, no Inferno Club. Parece que estamos vendo uma nova maratona de shows de vocês, certo? E por falar nisso, o que os bangers de São Paulo podem esperar desse show de vocês?

Renan: Sim, esses shows marcam a nova formação e o início de uma série de novidades que estão por vir!

Estamos muito animados pra esse show em São Paulo, tocaremos ao lado de uma das lendas do Death Metal e com bandas nacionais de alto nível!

Podem ter certeza que a casa vai cair!

Agradecemos mais uma vez, e por favor, deixem sua mensagem para os nossos leitores

Renan Campos: Obrigado mais uma vez, Marcos!

Muito obrigado também à toda galera que nos acompanha e nos dá força pra continuar essa jornada. Esse apoio é muito importante pra gente.

Nos vemos na estrada!

Veja o vídeo para "Fear My Wrath":

Contatos:
https://www.facebook.com/hatefulbook/?fref=ts
https://open.spotify.com/artist/6gzTPz8NipWH2EBUPw1CPy




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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

Mais matérias de Marcos Garcia no Whiplash.Net.

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